SHOULD WE TRUST FUX?

Imagem: Freepik


Quando deparo com alguma coisa que não entendo e percebo se tratar de algo sério, não sossego até escrever a respeito, buscando uma resposta para meus questionamentos. O ato de escrever é uma forma de ficar em paz comigo mesmo.

Um exemplo. Quando surgiu a Lava Jato, tive, num primeiro momento, o impulso de concordar, por ser a corrupção no país uma doença crônica, quase impossível de erradicar. No entanto, logo-logo, ainda sem entrar no mérito da questão, fui tomado de desconfiança, ao ver os personagens envolvidos e quem os apoiava, especialmente a Rede Globo. Pensei: - Desse mato não vai sair algo que preste. Dito e feito, pois logo percebi seu caráter seletivo e o perigo de sua máxima de que “os fins justificam os meios”.

Desde então, a Lava Jato, com seu time, passou a ser mais bem compreendida e explicada, não me surpreendendo com mais nada. O retrato acabado de tudo foi ver Sérgio Moro abraçando Jair Bolsonaro, mostrando para quem ainda teimava em duvidar toda sua natureza sórdida.

Ter uma postura crítica diante dos acontecimentos nos ajuda a perceber com clareza as intenções e os interesses dos envolvidos, impedindo que façamos juízos precipitados e de consequências perigosas.

Outro que não me surpreendeu foi o Partido Novo, com seu discurso de moralidade (é sempre recomendável ter desconfiança dos moralistas), como se se fosse passar a limpo a política brasileira. Logo vi que se tratava de uma baboseira, conversa para enganar trouxa, uma vez que, de acordo com as palavras bíblicas – com as quais concordo – “não se coloca remendo novo em tecido velho”. Sabemos que a estrutura política do país envelheceu muito rápido e requer uma reforma radical. Só com essa reforma será possível fazer algo moderno e transformador. Que o diga o presidente Lula, que vive perdendo anéis para salvar os dedos, fazendo concessões e mais concessões a um Congresso fisiológico, que só quer o “venha a nós”. O Partido Novo logo mostrou sua verdadeira cara reacionária e ultraliberal, num país marcado por disparidades sociais e controlado por uma elite que só cuida de seus interesses.

Infelizmente, naquela ânsia de renovar, de buscar algo novo, os eleitores de Minas Gerais, embarcaram na onda do tal Partido Novo, elegendo um tal de Romeu Zema, neófito na política, mas que logo se cercou com o que há de pior para os interesses da maioria da população. Sem contar que ele cuidou de colocar seu próprio salário lá nas alturas, enquanto expandia sua sanha de sucatear em todos os sentidos o Estado.

Mas o Zema precisa ser analisado melhor, além daquele estereótipo caricato de alguém que desconhece Adélia Prado e produz vídeos ridículos comendo banana com casca. Penso que pode haver algo bem mais tenebroso por trás de suas encenações.

Mas veja o que ocorre com Luiz Fux, juiz do Supremo Tribunal Federal. Para entendê-lo, recorro novamente a uma citação bíblica a dizer: “uma árvore se conhece pelos seus frutos”. Vejamos:

Em 1º de fevereiro de 2011, foi indicado pela Presidente Dilma Rousseff para ocupar uma cadeira do Supremo Tribunal Federal (STF). Já em 2017, votou no TSE a favor da cassação da chapa Dilma-Temer, referendando a famosa expressão de “cuspir no prato que comeu”, coisa que os juízes indicados por Jair Bolsonaro, Kássio e Mendonça, absolutamente não fazem. Em 23 de março de 2011, Fux deu o voto decisivo contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010. A decisão do Supremo Tribunal Federal, considerando a aplicação da lei nas eleições de 2010 inconstitucional, beneficiou diretamente vários candidatos cuja elegibilidade havia sido barrada por causa de processos na Justiça. Já a nomeação de Marianna Fux, filha de Luiz Fux, como desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em 2016, pelo quinto constitucional, gerou intensa controvérsia no meio jurídico brasileiro. Críticos, incluindo conselheiros da OAB-RJ, tentaram impugnar sua candidatura, alegando insuficiência na comprovação de dez anos de exercício advocatício ininterrupto, mas a impugnação foi rejeitada. A influência de Luiz Fux foi apontada como fator decisivo para a nomeação, levantando acusações de nepotismo indireto. Reportagem da revista Piauí revelou que Fux articulou a candidatura desde 2013, com apoio de aliados como o ex-governador Sérgio Cabral. Particularmente, eu me lembro do eminente juiz ter dito na época, em tom lamuriento, não dispor de bens para deixar para sua filha, razão de seu empenho em dar um empurrãozinho para sua nomeação.

Nos últimos tempos, temos assistido a Luiz Fux tomando atitudes nos processos envolvendo Jair Bolsonaro, discordando de sua condenação e prisão. E é trágico ver ele, guardião da Constituição, defendendo alguém que nunca quis jogar dentro das “quatro linhas” e grita aos quatro cantos seu horror à democracia. Como a filosofia de vida do ministro tem demonstrado que é a do “toma-lá-dá-cá” (ele mesmo usou a expressão “mato no peito”, numa barganha em favor de determinado interesse seu), a gente fica se perguntando quais interesses ocultos estão por trás de sua ação. Já estou vendo balões de ensaio circulando pelos ares da Internet, dizendo que ele vai pedir vistas do processo. Se assim for, estará abrindo de vez a porteira para que todas as espécies de canalhas tomem de vez conta do país, dando razão àquela frase, atribuída a Charles de Gaulle, dizendo que o Brasil não é um país sério, com seu povo sendo tratado como palhaço.

Etelvaldo Vieira de Melo


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