CHEGOU A HORA DA VERDADE! MAS QUE VERDADE?

 


Ellen Pietra

 

Alguns antecedentes da bolha patriota:

1 - "Ninguém vai chorar pelo Irã": diz Editorial do Estadão. Estarrecedor, parece até que foi escrito pelo Netanyahu.

Os patriotas bolsominions odeiam o Irã pela opressão às mulheres. Aí, bombardeiam uma escola de meninas e matam 170 crianças, mas esses bombardeios às escolas, pros patriotas bolsominions, não é um erro, é gozo. Enquanto isso, os arquivos Epstein revelam que a alta cúpula do Ocidente, apoiada por esse gado, nada mais é que uma rede de pedófilos e assassinos.

2 - "Contratamos mais colunistas para o ano eleitoral": diz Editorial da Globo. Vão dar 10 chamadas de colunistas por dia, colunistas que não são jornalistas, que irão falar de suas próprias escolhas eleitorais diariamente, em nome da direita, para criar opinião pública e voto.

3 - "CPMI do mineiro Carlos Viana manipula votos" e, mesmo sabendo que era fraudulenta a votação para quebra de sigilo do filho de Lula, Alcolumbre libera o golpe. O importante é passar a Fake News que o escândalo do INSS está próximo do Palácio.    

4 - Trump cria de repente uma função chamada "assessor sênior para a Política em relação ao Brasil", que pede autorização ao STF para visitar o residente da Papudinha. Logicamente está por detrás desse descaramento mais um possível golpe.

5 - A Comissão de Segurança Pública da Câmara APROVA requerimento ao STF para que o golpista seja transferido imediatamente para a prisão DOMICILIAR. Desde quando a Câmara interfere em decisão com trânsito em julgado? Bagunça generalizada nesse Congresso bolsofascista circense das trevas!

6 - Netanyahu anunciou surpresas militares e usa armas químicas em Teerã (chuva negra ácida, que causa queimaduras na pele e severo dano aos pulmões). Armas químicas proibidas pela Convenção de Genebra. Mas quem disse que Trump e Netanyahu obedecem às convenções internacionais de guerra? A humanidade está em risco, enquanto esses dois psicopatas assassinos estiverem unidos.

7 - Quebra de sigilo do filho de Lula, sem qualquer indício concreto de envolvimento com o “Careca”, autorizada pelo ministro bolsonarista terrivelmente evangélico. Divulgação seletiva por Mendonça da movimentação bancária de Lulinha, sem nenhum CONTEXTO COM QUALQUER ENVOLVIMENTO COM INSS. E, hoje, a Veja, mesmo podre, teve a dignidade de dizer que a amiga do Lulinha não tem nada a ver com o “Careca do INSS” e, portanto, muito menos o amigo. Mas o estrago já foi feito contra o filho do Lula, como planejado.

8 - No caso dos envolvidos com o MASTER, os cafajestes do PL e CENTRÃO, o ministro terrivelmente evangélico não pede nenhuma quebra de sigilo; pelo contrário, inicia a liberação para que os envolvidos não precisem participar da CPMI. O juiz da Lava Jato "2" é André Mendonça (serão moldadas as delações segundo suas motivações políticas, tendo em vista que já está em conflito com a PGR, na tentativa de controlar a delação de Vorcaro, prerrogativa exclusiva do MPF/PGR). O terrivelmente evangélico afastou o diretor geral da PF das investigações do INSS e do MASTER, e isso mostra a trilha que pretende seguir. Vazar interceptação telefônica de qualquer pessoa, que é um material sigiloso, é violação processual, e há um flagrante processual que pode levar à anulação do processo, será esse o objetivo? Também na história do STF não há precedentes que afastaram um ministro e colocaram outro, não houve impedimento, é uma anomalia, mas caberia SOMENTE ao MPF julgar se houve indício de autoria, para se propor uma investigação, e isso não foi feito, foi inclusive arquivado o processo sobre os contratos da esposa de Moraes. Isso tudo pelo terrivelmente evangélico, aplaudido pelo gado bolsonarista sem cognição para entender absolutamente nada. Os vazamentos, incluindo conversas íntimas de Vorcaro com a namorada, precisam ser explicados, e o Gilmar Mendes deu uma lapada no terrivelmente evangélico dizendo que isso é ilegal, que nada tem a ver com o processo.

9 - Alguns da PF repetem a Lava Jato, vazando investigações sigilosas para a mesma repórter lavajatista da Globo, com a capacidade de influenciar e formar a opinião pública, sem nem mesmo a investigação estar concluída. E quando a PF faz essa mesclagem, a democracia está em crise.

10- Quanto ao projeto de ódio às mulheres, que a autora pede que seja crime, teve o pedido de Flávio-rachadinha e mais 10 senadores pra levar mais meses para votar, pois não querem que o ódio se torne crime. Acontece que, semana passada, quando do estupro coletivo a uma adolescente no RJ, os estupradores faziam discurso de ódio nas redes sociais, que é território livre para os seguidores de Andrew Tate, influenciador misógino, que inspira esses crimes, aí veio o Rachadinha usar o fato para se promover, mas com o projeto impedido por ele.

11- O representante-mor do gado, Nikolas, faltou à sessão da votação do auxílio emergencial de 600 reais para os MINEIROS que perderam tudo nas enchentes, e quanto mais m3rda fala e faz, mais cotado como representante eterno dos patriotas ele segue. Pegou o avião do criminoso Vorcaro 9 vezes e disse não conhecer Vorcaro. Na semana seguinte, a PF anuncia que o número do telefone dele estava no telefone do Vorcaro.

12- Marielle foi assassinada pela extrema-direita. Brazão, o mandante, fez campanha para o Bozo em cima de um caminhão junto com o Flávio-rachadinha. Como homens experientes na milicia iriam cometer um crime que seria descoberto? Há algo que não fecha, a morte dela representava uma bomba, mulher negra, LGBT, empatada com Flávio-rachadinha na época para disputa ao Senado. Ela se opôs à intervenção militar na favela da Maré, no RJ. Mas a Globo transformou a morte dela numa questão identitária, e a morte dela fez parte desse golpe militar híbrido que derrubou a Dilma e depois deu a vitória a Boçalnaro.

13- Quem abriu caminho para farra do Banco Master? - Campos Neto.

Quem recebeu dinheiro do Master na campanha? - Bolsonaro e Tarcísio.

Quem mexeu no BRB para socorrer o banco? - Ibaneis.

Quem fez lobby e tentou empurrar lei sob medida? - Ciro Nogueira.

Quem colocou bilhões com dinheiro dos aposentados? - Cláudio Castro.

Agora, me explica: - Com esse roteiro todo aí, por que tem gente que insiste em mirar na Esquerda?

 

Entendendo como o Brasil chegou a esse submundo do bolsonarismo e ao mais alto grau de bandidagem:

Xi Jinping é ateu e comunista, Maduro é cristão e populista. Trump diz que Xi Jiping é um bom homem, mas Maduro é um ditador narcotraficante comunista. Isso virou a versão ocidental, a narrativa ocidental. Durante 150 anos nós fomos vítimas de uma retórica ocidental, de uma versão ocidental da história que interessava ao LIBERALISMO AMERICANO. A palavra COMUNISMO foi introduzida como o mal e LIBERALISMO como o bem. Mas a palavra COMUNISMO significa SER COMUM, ou seja, tudo aquilo que Cristo pregou, a igualdade e sermos comuns. Mas a retórica ocidental criou a ideia de que comunismo é uma ditadura violenta. A palavra COMUNISMO foi criada por Marx em 1948, para definir um estatuto, um conjunto de leis e regras que formariam, do ponto de vista econômico, uma SOCIEDADE COMUM. Assim como o CAPITALISMO é o conjunto de doutrinas para permitir a APROPRIAÇÃO PRIVADA da riqueza. Assim também a palavra COMUM é o que Cristo pregou, cristianismo, que prevê a formação de uma sociedade comum. Mas por que a doutrina de Marx foi tão estigmatizada? Porque na economia liberal, o sonho americano, poder ser dono daquilo que gera riqueza, era o objetivo. O processo de dominação de uma sociedade sobre a outra começou aí. E se utiliza até hoje do mecanismo de submissão cultural, e é pela cultura que entraram na nossa sociedade, explodiram a nossa sociedade e impuseram a sociedade deles. Tá OK? A frase "tá ok" é uma marca registrada da oratória do Bozo que bate continência para a bandeira estadunidense, e é usada frequentemente por ele para encerrar questionamentos. Também veio para o Brasil a cultura evangélica capitalista americana. Evangélicos, especialmente brancos, formaram a base do nacionalismo cristão, alinhando-se a pautas conservadoras para o bem da nação, através de um quadro hoje de 202 PASTORES deputados federais e 26 PASTORES senadores (fora os deputados estaduais, que só deus sabe).

Proclamaram ao mundo que os comunistas são o diabo e que os Estados Unidos são os salvadores contra esses demônios. Mas o contexto é outro: a interferência americana na América Latina é sequestro, assassinato e golpe de estado. A interferência chinesa na América Latina é parceria comercial, investimento em infraestrutura e criação de livre comércio e mercados alternativos.

A gente tem que se lembrar que por 400 anos existiram LEGALMENTE pessoas ESCRAVIZADAS no Brasil, e o país tem 526 anos.

A gente tem que se lembrar que os índios foram assassinados, e as fazendas distribuídas e construídas em cima dos cemitérios indígenas.

Dostoiévski: “O povo não quer Deus, o povo quer milagres”.

Frank Herbert : "Eles não estão loucos. Eles são treinados para acreditar, não para SABER. A crença pode ser manipulada. Apenas o conhecimento é perigoso".

                                                                                                                  

Concluindo:

As pessoas em ALTOS CARGOS DE CONFIANÇA, para se sentarem nas cadeiras, fazem antes seus pactos. Políticos prometem na TV, os do judiciário prometem nos gabinetes, os da mídia prometem para quem pagar mais, construtoras e mineradoras prometem para quem fraudar mais... enfim, é isso! Mas o problema dessa gente sórdida é o Bolsa Família!

A vontade de Deus é simples: tem alguém com fome, dá comida sem querer saber se é bandido se é trabalhador. Bolsa Família mata a fome, se é que 600 reais por mês dão para matar a fome de uma família, mas as crianças que não têm o que comer, comem! Os pastores bolsonaristas dizem que o Bolsa Família incentiva a preguiça, a elite diz que ninguém quer trabalhar. Mas a ganância e mesquinhez é deles, são dadas bolsas com alto custo para o Estado nas universidades federais para quem não precisa,  e poucos retribuem ao Estado o benefício que receberam, mas vão, quando formados, servir aos ricos e beneficiá-los.  Repartir o pão é o primeiro mandamento da verdade! A banalização da crueldade com uso da fé é o primeiro mandamento da mentira!

Toda essa campanha em cima do Toffoli e do Moraes foi alimentada pela PF. Os movimentos da PF em parceria com a Globo, repetindo o formato da Lava Jato, com anuência do terrivelmente evangélico, formam esse movimento de exposição privada dessas mensagens e dá um poder à mídia para desinformação e desmoralização do julgamento do GOLPE de 08 de janeiro. O risco da democracia passa por essa liberdade da imprensa de desinformar a população com fatos inverídicos. Não há cautela, e os movimentos vão acontecendo no Brasil, um se sobrepondo ao outro, contínua e incessantemente, sem as explicações, sem os detalhamentos, fazendo com que essa sobreposição de desinformação crie no público uma confusão generalizada, não tendo condição de pensar, raciocinar a respeito de um fato, pois imediatamente já tem outro fato, para não ter chance de desfazer as inverdades do anterior. Esse formato, que parece proposital, faz com que ninguém pense. A mídia não quer que a pessoa pense, apenas acumule as versões dela.

Quanto à guerra, é uma guerra de mídia centrada, Trump quer mídia, e quer sair como o grande vencedor. Uma guerra que joga mísseis e drones de um lado, e o outro responde como defesa. Quem paga são os civis, que não têm nada a ver com isso, são as grandes vítimas. Existiu aquela antiga guerra da infantaria, em que havia um campo de guerra onde os exércitos se encontravam, decidido no corpo a corpo, na infantaria. Eram distantes das áreas habitadas, um conflito ENTRE MILITARES, havia o campo de batalha. Depois do nazismo, acabaram com isso. A grande lição que ficou foi a inteligência do exército vermelho, que apostou no desgaste dos nazistas por causa da neve e falta de alimento, e venceu, foi a guerra do desgaste. Agora, a guerra é com mísseis, drones teleguiados, um joga no outro, porque está fora de cogitação invadirem por terra o Irã. Aprenderam com a derrota no Vietnã, USA pagaram o risco da derrota por desgaste, que o Vietnã também usou o método do exército vermelho de exaurir os adversários. Mas toda essa guerra midiática tem um objetivo claro: convencer os imbecis de que se não é comunista, é terrorista, e essa gente tem que ser assassinada, mesmo com os arquivos Epstein, abraçado ao Trump, revelando que a alta cúpula do Ocidente, apoiada por esse gado, nada mais é que uma rede de pedófilos e assassinos.

Quanto ao ano eleitoral, começa essa agenda midiática do pânico moral, que vai canibalizar o ano eleitoral. Já aconteceu o ápice da quebra de sigilo bancário, fiscal, telemático do Lulinha. Ele seria o suposto sócio oculto do tal Careca do INSS, ISSO FOI SINCRÔNICO, essa jogada do STF, na figura do terrivelmente evangélico Mendonça. Enquanto ele autorizava a quebra de sigilo do Lulinha, a CPMI, através do presidente mineiro Carlos Viana (que está no telefone do Vorcaro), frauda a votação visivelmente, e aprova a quebra de sigilo poucos minutos depois, SINISTRO E SINCRÔNICO. Foi tão evidente, que os dois repórteres da Globo, tiveram que dar o braço a torcer, depois de um raciocínio muito sinuoso, que foi "erro de votação" (omitiram que foi fraude). Essa é a jogada da comunicação alt-right (a comunicação da alt-right - direita alternativa - é um conjunto de estratégias digitais de extrema-direita, focadas na disseminação de nacionalismo branco, populismo e ideologias reacionárias através da Internet, utilizando uma linguagem peculiar, baseada em ironia, memes e agressividade para normalizar discursos radicais, contornar moderações de conteúdo e engajar públicos jovens). A grande mídia já comprou essa ideia, e a revista Forum corajosamente diz: "Mendonça autoriza quebra de sigilo de Lulinha minutos antes da decisão (fraude) da CPMI (sincronizado)". E imediatamente a Globo criou um infográfico com a foto do Lulinha perto da foto do Careca (é o Power Point 2). A Globo já conseguiu fazer uma contaminação metonímica, Lulinha filho de Lula no escândalo do INSS, sem nenhuma prova e sem, até o momento, nada que relacione o filho de Lula com o tal Careca.

Paralelamente, a mídia de direita golpista, não pode usar o que sempre usou, A PAUTA ECONÔMICA, porque todos os índices são positivos para o governo Lula. Mas, com certeza, com a guerra e seus malefícios no campo energético, vão começar a discutir a pauta econômica, pois terão o material para destruir o governo. Voltarão então a falar da pauta econômica para manipular a gadaiada, que o disparo da inflação e do preço do combustível é problema do Lula (daí param de falar da guerra até cristalizar a desinformação).

Folha de S.Paulo, Estadão e Globo foram cúmplices da ditadura assassina militar de 1964, não se esqueçamos disso!

 

Senhoras e senhores, finalizo com a fala de nossa querida Maria da Conceição Tavares e Nietzsche:

Maria da Conceição Tavares: "Nós não somos da elite dominante desse país, nós perdemos, nós somos derrotados, e se vocês não fossem derrotados, não vinham para essa universidade (federal), iriam pra USP, pra PUC ou pra Harvard. Aqui é que não viriam, seguramente. Estamos lutando pela hegemonia? Imagina! Estamos lutando apenas para não ficar malucos. Para não dizer besteira demais. Para não contribuir com a nossa gota de fel para o veneno alheio. Tomemos a nossa cicuta com tranquilidade, meus filhos."

Nietzsche ilustrou a preocupação com a morte de deus. Deus simboliza a moral, o que posso fazer, o que não posso, ele tinha essa preocupação quando fala da morte de deus. "Nunca ouviram falar do louco que acendia uma lanterna em pleno dia e desatava a correr pela praça pública gritando sem cessar: ‘Procuro Deus! Procuro Deus!’ Mas como havia ali muitos daqueles que não acreditam em Deus, o seu grito provocou grande riso. ‘Ter-se-á perdido como uma criança’ dizia um. ‘Estará escondido? Terá medo de nós? Terá embarcado? Terá emigrado?’ Assim gritavam e riam todos ao mesmo tempo. O louco saltou no meio deles e trespassou-os com o olhar. ‘Para onde foi Deus?’ exclamou - ‘é o que lhes vou dizer. Matamo-lo... vocês e eu!’”.


ATÉ QUE ENFIM?

 

Uma ideia corrente no país é a de o pau que dá no Chico não deve necessariamente dar no Francisco, pois consideram que a lei não é a mesma para as pessoas, devendo ser aplicada em medidas diferentes, de acordo com o grau de importância de cada cidadão. Foi dessa percepção que expandiu entre nós o ditado bíblico “dois pesos, duas medidas”. Foi essa percepção que ocasionou o comentário de Fernando Sabino, quando disse: “Para os pobres, é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Para os ricos, é dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica”.

Exemplo recente de uso desses dois pesos e duas medidas nos é dado pelo presidente do CFM, Conselho Federal de Medicina, mostrando-se condoído pelas condições de saúde de Jair Bolsonaro, estando ele preso em sala da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, cumprindo pena por, entre outros motivos, ter liderado uma organização criminosa na tentativa de golpe de Estado. Em outras circunstâncias, nunca ouvimos esse CFM abrir a boca em favor de outros presos em situações mil vezes mais degradantes. É o tal de dois pesos, duas medidas; é o pau não batendo no Francisco, mas acertando cacetadas nos Chicos.

Mas não é só o presidente do CFM que manifesta seu sentimento humanitário; no país, são milhares de vozes ecoando todos os dias, pedindo clemência para o coitado do Jair, tão bonzinho, um santo de homem.

Como bem diz outro ditado, “quem não chora não mama”. Vem daí que todos os dias as redes sociais se tornam palco de carpideiras - advogados e asseclas de Bolsonaro - vertendo lágrimas e pedindo â Justiça isso e aquilo: substituição do regime fechado pela prisão domiciliar humanitária, concessão de acessórios e direitos como assistência religiosa, smart TV e a possibilidade de reduzir a pena por meio da leitura são alguns exemplos.

Frente a tanta lamúria, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou (15/1) a transferência do ex-presidente para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Tal mudança "permitirá o aumento do tempo de visitas aos familiares, a realização livre de 'banho de sol' e de exercícios a qualquer horário do dia, inclusive com a instalação de aparelhos para fisioterapia, tais como esteira e bicicleta, atendendo a recomendação médica", destacou o ministro.

Em seu pedido de prisão domiciliar, a defesa de Jair Bolsonaro alega que sua permanência em estabelecimento prisional tem afetado a sua saúde, “o que não encontra amparo nos princípios da dignidade da pessoa humana, da humanidade da pena e do direito fundamental à saúde”.

Ora, ora, pois, pois. Certamente, tal petição foi produzida à revelia de Jair, uma vez que ele nunca, jamais, em tempo algum haveria de recorrer aos direitos humanos, esse cocô, esse esterco da humanidade, conforme imagem espalhada pelo seu filho Carluxo.


 

No frigir dos ovos dessa embrulhada a que assistimos, é bem possível que Bolsonaro, caindo mais uma vez da cama, consiga a sua prisão domiciliar. Caso não consiga, ele vai transformar de vez a Papudinha num SPA. Com um pouquinho mais de choro, seus advogados e cupinchas poderão conseguir um abono quinzenal para que possa promover motociatas e passeios de jet-ski no Lago Paranaguá. Tudo isso para deixar bem claro que ele é um Francisco, e não um Chico qualquer.

Querem também os advogados (e estou vendo que esses advogados não entendem nada de Jair Bolsonaro) que ele possa usar do recurso da remição da pena através da leitura de livros (um livro garantindo a redução de quatro dias de prisão).

- Ora, ora, pois, pois – eu diria novamente. – Em 2021, ao receber um livro de presente de um apoiador, ele disse: “Desculpa, eu não tenho tempo de ler. Tem três anos que não leio um livro”. Em 2025, reafirmou que não tem tempo para ler livros e que prefere se informar através de mensagens no WhatsApp.

Depreendo que Bolsonaro tem alergia para livros, algo comum entre brasileiros. Também considero que, se não existissem as redes sociais, Bolsonaro não teria se tornado essa figura tão nociva e repelente. E mentirosa também, já que ele disse, algum tempo atrás, estar lendo a Bíblia (não um livro, mas uma coleção de livros!), de onde teria tirado esta citação: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Falando em Bíblia, seria interessante os advogados de Bolsonaro pedirem para que ela seja incluída no rol das opções de leitura para remição de pena. Então, de uma vez, ele conseguiria um abono de 264 ou 292 dias, conforme optasse pela leitura da versão protestante ou católica, 66 e 73 livros respectivamente. Com isso, estaria “matando dois coelhos com uma cajadada”:  reduzindo sua pena e fazendo um agrado para a Micheque, digo, Michelle, reavivando, assim, as chamas do enlace matrimonial.

Dizem que a "ociosidade é a mãe de todos os vícios”. Bolsonaro sempre foi um trabalhador. Sendo assim, logo que pôde, tratou de entrar na política, a mais espinhenta e exigente das profissões, arrastando consigo os quatro filhos para tamanho sacrifício. Enquanto presidente, eram raras as vezes que arranjava tempo de lazer para fazer suas motociatas, andar de jet-ski, ir a um campo de futebol, comer um espetinho de camarão. Era só uma semana sim e a outra também. Sem contar o tempo reservado para as conversas fiadas no chamado “cercadinho”, ao tempo em que soltava palavrões contra jornalistas e tramava golpes.

Agora, torcemos para que ele seja feliz e encontre a paz em seus 27 anos de cadeia, trazendo, enfim, um pouco de sossego para o país, muito embora os Nikolas Ferreiras da vida teimem em achar que para os Franciscos a lex seja latex.

Etelvaldo Vieira de Melo

 


SOBRE FANTASIAS E DESEJOS, SONHOS E ESPERANÇAS

 

 

Estavam Eleutério, Rivaldo e Fridolino Xexeo sentados em cadeiras em torno de uma mesa, sob uma árvore de jaca e bebendo suco de maracujá. Aguardavam a vinda de Ingenaldo e Ironildo para, juntos, comemorarem a chegada do Ano Novo.

- Este foi um ano muito atribulado para mim, por causa dos problemas de saúde – falou Rivaldo. – Tirando isso, sei que coisas muito estranhas andaram acontecendo em nosso país e no mundo. – Mesmo assim, “este ano deixa para mim, como boa semente, o bom exemplo do nosso STF brasileiro, que soube manter-se fiel ao sentido de Nação, esforçando-se por preservar a justiça e a imparcialidade político social. Foi muito bom sentir que estamos afastando da nossa pátria a impunidade, o que nos dá a garantia de instituição do direito”. (1)

- De fato, esse ano a Justiça parece que começou a enquadrar alguns que atentaram contra a democracia no país – falou Eleutério, passando a mão sobre a barba malfeita. – No entanto, é preciso considerar que “pra fingir que existe harmonia na história do Brasil, tem que se esconder muita dor, fingir que está tudo em paz, tudo verde e amarelo” (2). Daí, nada melhor do que colocar as “barbas de molho” frente ao jornalismo de difamação a que assistimos, que só se preocupa em atender aos interesses do Grande Capital.

- Concordo com você – falou Fridolino, balançando a cabeça em gesto afirmativo. - Também é preciso considerar que o Brasil sofreu um impacto profundo com o crescimento da extrema-direita e o veneno que se tornaram as redes digitais. Sendo realista, acredito que este novo ano será ainda mais turbulento, com as eleições em outubro e a entrada em cena desse personagem, a Inteligência Artificial.

- Vivemos uma nova ordem orquestrada pelas redes digitais – ponderou Eleutério. – Hoje ninguém sabe de nada, mas fica dando opinião sobre tudo, como se fosse dono da verdade. E isso é muito preocupante, pois não há mais discussão séria sobre nenhum assunto, já que as pessoas vivem em bolhas sem se preocuparem em conhecer a verdade.

- Este pé de jaca até que tem sua simbologia. Estamos nessa situação: ou enfiamos o pé na jaca ou ela acaba caindo sobre nossa cabeça. Só espero que o suco de maracujá possa nos acalmar – arrematou Rivaldo.

- Ora, ora, até parece que estamos num velório – aproximou-se Ironildo, tendo ao lado Ingenaldo e seus inseparáveis óculos azuis.

- Pois é – resmungou Ingenaldo. – Será que não estão ouvindo os estouros de foguetes? E você – dirigindo-se a Rivaldo – como anda a sua força?

- Pra dizer a verdade, estou com a sensação de que as pastilhas e as lonas de freio do meu carro já eram. Só estou me garantindo com o freio de mão.

- Deixa de fazer chantagem – falou Ironildo, enquanto bebericava um pouco de suco. – Você ainda vai rodar muitos quilômetros, zerando o velocímetro. E quanto ao Ano Novo, vocês têm algo a dizer?

- O ser humano necessita de ritos para tornar o ordinário algo extraordinário, sobrenatural – quase filosofou Eleutério. – O rito da passagem de ano quer dizer isso, justamente. Já pensaram se, na vida, tudo acontecesse sem essas pausas que nos resgatam a alegria e os bons propósitos? As pessoas, Ingenaldo, têm mais que arrebentar foguetes. Quanto mais foguetes estouram nos céus, maior é o grau de alegria e esperança nos corações das pessoas.

- Bom, mas aí você está se esquecendo dos animais, notadamente os cachorros, que sofrem com tanto barulho – falou Ingenaldo em tom de admoestação.

- Estou me referindo à queima de fogos sem barulho, mais como efeito visual. Continuando, sobre as perspectivas para o Ano Novo, já ouvi alguém dizer que podemos não ser capazes de deter todo o mal no mundo, mas a forma como tratamos uns aos outros é inteiramente nossa. Sendo assim, discordando um pouco da fala do Fridolino, acredito que apesar de todas as nossas imperfeições, estamos cheios de decência e bondade, e que as forças que nos separam não são tão fortes como aqueles que nos unem.

- Muito bem-dito, Eleutério – disse Rivaldo. – “Sobre meus desejos para o Ano Novo, vejo que de repente envelheci e trocar de calendário virou um hábito tranquilo. Que assim seja em 2026: leve, sem apatia ou extravagâncias. Simplesmente seguir a vida em paz.” (3)

Falou Ingenaldo, enquanto limpava as lentes de seus óculos azuis:

- “Meus desejos são os daqueles que amam.  Pois quem ama deseja ao outro amor, porque o amor continua e sempre será necessário a este mundo carente de afeto. No mais, precisamos caminhar, encontrar boas águas, águas do bem, ter energia em todas as áreas pra vencer o dia a dia… “ (4)

- “Desejo que em 2026 avancemos mais ainda, sobretudo no que diz respeito aos direitos humanos, sociais e políticos, para que esta nossa pátria, tão rica e promissora, consiga repartir melhor o pão entre todos os que o constroem no seu dia a dia” – reforçou Fridolino. (5)

 Ironildo disse:

- “Todos querem uma solução para os problemas que nos assolam no dia a dia, mas a vida não tem fórmula. Precaver-se de pessoas que dizem saber alguma coisa já é um bom começo, pois quem diz que sabe não sabe. A expectativa é uma utopia futura, não a tenho, a eternidade é agora, e o amor só existe no presente.  O que pode trazer alguma transformação é a compreensão da verdade do que é.” (6)

- Nosso amigo Tertuliano Rebouças não pôde estar aqui conosco, mas ele mandou para todos esta mensagem – disse Rivaldo, tirando do bolso do paletó um bilhete, onde leu: - “Desejo que todos tenham saúde, paz e alegria. Desejo que a justiça e a verdade prevaleçam. Desejo que a honestidade seja mais intensa entre todos. Desejo que Deus nos abençoe e ilumine na escolha de novos governantes”. (7)

- Nosso abraço, Tertuliano. Particularmente, sonho com saúde, paz e alegria – concluiu Eleutério. - Como não somos pessoas egoístas, vamos estender esses votos para todas as outras: que tenham um ano de muita alegria; que a vida nos proporcione aprendizagem e crescimento; que o egoísmo ceda lugar nos corações para o amor; que amar seja um verbo conjugado por palavras e ações por todas as pessoas e que elas possam viver com saúde e paz.  Finalmente, vamos fazer votos de que uma nova ordem social possa nascer, com as pessoas vivendo com maior dignidade e decência.

- Que assim seja – falaram os outros quatro.

Em seguida, levantaram seus copos de suco num brinde. Lá no horizonte o sol de um novo dia começava a despontar.

Etelvaldo Vieira de Melo

Com as colaborações de:

(1)  Etevaldo B. Dias

(2)  Ellen Pietra

(3)  Fátima Fonseca

(4)  Márcia Chagas

(5)  Etevaldo B. Dias

(6)  Sophia Flora

(7)  Marcos G. Soares 


PADRE JÚLIO LANCELOTTI - OS CAMINHOS DO CUIDADO


Não vês que somos viajantes? E tu me perguntas: que é viajar?

Eu respondo com uma palavra: é avançar.

Avança sempre: não fiques parado no caminho.

(Santo Agostinho)

 

Caro Pe. Júlio Lancelotti

O cristianismo é um convite a caminhar. Avançar, como está no texto de Santo Agostinho. Nesse caminho, a construção do bem é um equilíbrio de gestos e atos para ir ao encontro do Outro. Ir para devolver ao Outro sua dignidade. Há 50 anos, Pe. Júlio, seu trabalho é um contínuo gesto de “lava-pés” do pobre, do morador de rua, do desfigurado porque a opressão continua e seus processos não só se repetem como estão mais refinados.

Você, Pe. Júlio, tem repartido com os excluídos a palavra, o pão e o carinho. O sopro de Deus – que animou Jesus a realizar sua obra – está com você na solidariedade e alegria de viver esse amor com os pobres da rua. Como a mesa da fraternidade não cobra ingresso, perturba o poder constituído e, agora, está perturbando o poder religioso (incômodo social e político). Isso fez Dom Odilo Scherer suspender a transmissão de missas e suas atividades em redes sociais. O que leva uma instituição religiosa a calar um profeta? Quais os fundamentos para uma censura, com silêncio pisado, em plena era digital? O poeta Fernando Pessoa lembra: “Sou do tamanho que vejo/ e não do tamanho da minha altura”.

A viagem não termina, sua causa é o pobre: o empobrecido. Uma instituição que esconde suas decisões não responde às exigências do direito natural. As pessoas têm o direito de saber os fundamentos da decisão tomada pelo líder religioso. O diálogo veicula análise e reflexão, enquanto o seu cerco é um atentado à ética e à liberdade.

O sentido da vida é deixar-se envolver num amor que faz partilha e frui para crescer de todo lado, como escreveu Guimarães Rosa. O amor inquieto marca presença ao se confrontar com tantas “Marias” e tantos “Josés” que vivem no tempo, sem perspectiva de uma “terra/casa prometida”. O desafio é lidar com a realidade da fome, frio e doença, por um lado. Por outro, é superar a desumanização das pessoas da rua e entender as exigências que elas trazem para incluir a humanização. Os pobres hoje têm fome e sede de política. Seu trabalho, Pe. Júlio, vai além do horizonte religioso. Está em sintonia com a dinâmica social.

A Igreja Católica não é uma entidade abstrata. Ela é constituída por seres humanos concretos – homens e mulheres. A situação dos empobrecidos são as perguntas de hoje. Tema que deveria compor um capítulo do "Catecismo da Igreja Católica”, para atualizar o Concílio Vaticano II com prática, compromisso e diálogo. Termino, caro Pe. Júlio, com uma inquietação: qual a posição da CNBB e do bispo responsável pela Pastoral do Povo da Rua, diante desta armação? Os 50 anos que já se foram, foram mais ricos do que se imagina, pois seu projeto se define em função da dinâmica social.

O que está acontecendo com você, Pe. Júlio, não é um fato isolado. A história mostra que, em outros tempos, profetas e místicos, também, sofreram perseguição e ameaças porque ser cristão demais é muito perigoso.

A você, todo carinho, solidariedade e gratidão.

Mauro Passos

A BOLHA

 


Ellen Pietra

 

ANTECEDENTES:

Falamos diuturnamente sobre a trama golpista bolsonarista, momento nefasto, mas não temos memória sobre a história do Brasil desde seu descobrimento até os anos 30, período mais racista da nossa história. A trama golpista é muito antiga, fomos a última nação a abolir a escravidão e fomos o país que mais importou escravos no mundo, sem ter havido qualquer política de integração social, e essa população, embora liberta de seus algozes, continuou excluída, e o que fizeram com esse povo a não ser abandoná-lo?

Foi Hitler que possibilitou a oligarquia dessa burguesia brasileira, os ancorou em movimentos de massas à direita. Assim, tivemos a primeira família de cafajestes, antes da familícia Bozo, a família Rocha Miranda, a consolidar a elite burguesa brasileira, e esses eram integralistas e nazistas. Também Getúlio Vargas flertou com os regimes fascistas da Europa, tinha acordos econômicos com a Alemanha, e o Brasil teve o maior partido nazista, depois da Alemanha, e essa elite brasileira tem seu berço aí (assistam ao documentário INFÂNCIAS PERDIDAS NO BRASIL-Youtube). Os primeiros golpeados foram índios e negros, escravizados e/ou assassinados. O golpe da elite é um vírus maligno antigo!

Num quadro mais atual, em 2016, quando Aécio pediu recontagem dos votos, e não conseguindo a pilantragem prevista, essa elite descendente do vírus maligno deu o golpe na presidente Dilma, uma mulher firme contra os ratos do Congresso; por não concordar em fazer o que queriam, lhe fizeram o impeachment.

NÓS NA BOLHA:

Atônitos, continuamos assistindo ao que foram reduzidas as nossas instituições, parece mais uma luta de pirraça contra pirraça (o Judiciário e Parlamento estão longe do equilíbrio de poderes, há uma degeneração profunda dessas instituições).

Estamos dentro desse inferno e paralisados nessa BOLHA, contendo qualquer gesto, mas nos tornando outra identidade que não tem solução. Mas, se a gente escapa em direção à compreensão da bolha em que estamos, a gente compreende a bolha. Compreender isso é já estar fora da bolha, num espaço livre que vê os mundos e as diversas identidades que têm uma naturalidade dentro da bolha. Fora dela, a gente ganha uma liberdade adicional e é capaz de analisar as próprias identidades. Então vem a renúncia, que deixa de ser uma renúncia de atitudes nossas, mas uma renúncia a essa bolha, renúncia à nossa ignorância de ficarmos presos. Essa é a melhor forma de renúncia, a renúncia da ignorância. A própria identidade olha para si mesma e não gosta, e isso leva a uma renúncia, mas como é uma renúncia de uma identidade, ela segue e tenta se reformatar, ela tenta melhorar e essa melhora nunca resolve. Isso é considerado um antídoto, e um antídoto é como um remendo, é como um curativo, que não é a cura do corte. Portanto, essa renúncia ainda é orientada pelo ego, ou seja, essa identidade está querendo virar uma identidade GOLDEN, mas essa renúncia se conecta com uma tênue experiência de que algo possa dar certo. E pensamos que estamos no caminho. Assim, buscamos uma muleta qualquer (religião, psiquiatra, psicólogo etc.), e o que nos sobra é a busca por alguém que nos diga o que fazer, o que é certo e o que é errado, mesmo tendo o obstáculo da ignorância, preso às vezes em coisas positivas e às vezes negativas, e essa busca de alguém que possa retirar, extirpar aquilo que em nós nos desagrada, é mais uma ignorância.

Caímos então na questão do PERTENCIMENTO, que leva essa identidade ao sentimento profundo de fazer parte de algo, e que nossa presença é relevante para nós e para os outros, mesmo que esse refúgio seja nesse ambiente maligno bolsonarista, ou de qualquer outra ideologia que nos faça sentir pertencentes.

Com esse entendimento, podemos ver a bolha totalmente, estando do lado de fora!

Enquanto estamos todos defendendo a soberania nacional, a não anistia e o PL da Dosimetria (anistia disfarçada), a mídia usa uma estratégia diversionista pra manter o hipnotismo da boiada, e enquanto as pessoas estão comemorando o Bozo na cadeira, por trás desse parque de diversão está rolando o COLONIALISMO DIGITAL, que é a atual e mais perigosa perda da SOBERANIA BRASILEIRA, com esse monte de data center vindo pra cá, e nossos bancos de dados sensíveis sendo hospedados nas nuvens desses provedores, sediados nos ESTADOS UNIDOS. A própria ABIN, em relatório do final de ano, já apontou para esse perigo.

Estamos defendendo a soberania ilusória, enquanto a soberania real está sendo carcomida por debaixo dos panos.

Enquanto isso, o Lula, o Xandão, o Tarcísio, essa maçaroca, se confraternizam na inauguração do SBT News, na casa do titio Sílvio Santos, comemoram o fim dos sansões contra Xandão, o relator da trama golpista (nisso ele tem mérito). Sílvio Santos foi apoiador da ditadura, apoiou Bozo fazendo de seu genro um ministro. Assim, a mídia vai criando divertimento, para o povo prestar atenção numa coisa e não prestar atenção em outra, que é uma cena muito grave e perniciosa nesse Brasil que se tornou uma COLÔNIA DIGITAL. Estamos na cara dura, perdendo a verdadeira soberania. E comemorem, viva: o Trump voltou atrás na taxação, nos sansões contra Xandão!, mas.... a qualquer momento Trump pode pedir para as Big Techs, para os provedores, os sigilos das nuvens brasileiras, isso ninguém está anunciando nem discutindo, porque é ABSTRATO demais. As pessoas foram para as ruas para protestar contra o PL da Dosimetria, contra o feminicídio, e por que esse tipo de comoção não ocorre contra a morte dos favelados pela PM em SP, por que não ocorre contra o BANCO CENTRAL com juros mais altos do planeta, contra o financismo, contra esse colonialismo digital, que terão repercussão muito mais sérias? A forma de divertimento agora para a grande mídia, é dizerem que está ocorrendo um surto de feminicídio, tendo sido ela mesma a maior responsável por isso. Está aí um paradoxo, esse machismo renitente, onde tudo é resolvido pelo macho na base da porr@d@, que psiquicamente envenenou o brasileiro, através da diversão televisiva.

Baudrillard argumenta que: "há a extrema forma de profanação de valores que fascina a todos, a vulgaridade e bizarrice e atingem de forma certeira o segredo da hegemonia. Ocorre a onipotência explícita sem o menor pudor ou cuidado, e não chegamos a uma síntese final, mas a uma implosão onde os polos dialéticos (guerra/paz, verdade/mentira, real/virtual) colapsam uns sobre os outros, perdendo oposição".

A ESCULHAMBAÇÃO DENTRO DA BOLHA:

-  A ESQUERDA cada dia mais com esse discurso neoliberal progressista, intelectualizado, tentando atingir esse homem branco sem cultura, que é explorado, que acorda às 4 da manhã para pegar o ônibus; mas esse se sente mesmo é aliado do patriarcado, e o pastor o faz sentir que o pertencimento é que interessa.

- A EXTREMA DIREITA, DIREITA e CENTRÃO (nome dado pela mídia para esconder os partidos de criminosos que aí estão incluídos), estão visivelmente aliados com o crime organizado, PCC e CV, fazendo do Congresso o Primeiro Comando, que insiste em fazer política para garantir a bandidagem, crimes de toda ordem, inclusive só trabalhando em causa própria. Projetos para o povo, votam contra descaradamente. O PL da Dosimetria relatado pelo cafajeste Paulinho da Força, CONTRA a decisão LEGAL do STF, contra a democracia e a favor do golpismo (com extensas provas da tentativa de golpe e assassinato do presidente da república, seu vice e o ministro do STF), mostra que o CENTRÃO (União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PL, Podemos, Avante, Solidariedade, PTB e PSC) e mais Bolsonaro e seus áulicos foram os artífices dessa trama.

- A GRANDE MÍDIA, insatisfeita com Toffoli do STF, que mexeu na caixa amarela do Sérgio Moro e mandou a Polícia Federal para a Vara de Curitiba a fim de levantar os crimes do “Marreco”, o semideus da Globo, começa a destroçar o ministro. Bem sabemos que essa Grande Mídia nunca se preocupou quando esses mesmos ministros do STF estavam nas festas com FHC, com João Dória, nos jatinhos de empresários que tinham processos no STF. Ninguém sabia nada do Toffoli, essa figura errática, mas agora a MÍDIA está preocupada com a falta de ética dos ministros do STF.

- JUDICIÁRIO: Um Desembargador no RJ avisou o deputado Barcelar (candidato do Bozo a governador do Rio), sobre operação da PF contra o CV, e esse desembargador era o responsável pela investigação; por sua vez,  Barcelar avisou o deputado TH Joias, mediador do CV (Comando Vermelho). Portanto, bandidos estão infiltrados em todos os setores de poder.

- RELIGIÃO: Ninguém vê os bilhões de Malafaia e Edir Macedo, de fontes duvidosas e de exploração da fé, mas essa gente de direita e extrema direita VÊ o Padre Júlio Lancelloti, essa figura que cuida dos abandonados e famintos nas ruas. O deputado mineiro Júnio Amaral, milico bozofascista, mandou documentos para o Vaticano, acusando o padre de crimes. Já o tal Dom Odilo, aquele que queria - junto com o João Dória - DAR AOS POBRES RAÇÃO FEITA DE RESTOS, esse se incumbiu de cancelar integralmente o padre Júlio Lancelloti , justo o único a se dispor a fazer o serviço proposto por Jesus, cuidar e alimentar dos pobres sem teto.

- ARTE: Zezé di Camargo - o sertanojo que recebe milhões de prefeituras bolsonaristas, nas cidadezinhas que não têm nem rede de esgoto, nem carteira e giz nas escolas - chamou as filhas do Sílvio Santos de prostitutas, e escancarou o machismo estrutural. Usou ofensa moral para medir o valor das mulheres, justo ele que tinha amante quando casado. Essa incitação de ódio teve como pretexto a presença do Lula no lançamento do SBT News, mas Tarcínico estava lá também e não o incomodou, e isso revela que o patriarcado de extrema direita ainda tenta naturalizar o ódio e o desprezo pela mulher.

- MARCO TEMPORAL: "Só tem direito a terras indígenas povos que estavam já fixados ou disputando terras quando foi promulgada a constituição de 1988". O STF formou maioria votando contra essa excrescência chamada MARCO TEMPORAL por ser inconstitucional. As pressões do AGRONEGÓCIO e do CAPITAL exigem o marco temporal, porque legaliza para eles terras indígenas ROUBADAS, GRILADAS, TOMADAS e com muito sangue nas mãos. O que está escrito na Constituição sobre os direitos dos índios é suficiente para desbancar esses cafajestes do Agro, da Mineração e do Capital. Esse interesse do povo brasileiro, mais do que interesse dos povos indígenas, deveria provocar uma manifestação de rua, pois isso diz respeito ao clima do planeta, a economia do Brasil e ao patrimônio da União (terras onde vivem o povo indígena não têm dono, são da união, e isso é o que os índios defendem, a terra é de todos).

- COP30: As MINERADORAS patrocinaram a COP30, quer mais hipocrisia que isso? A exploração da margem equatorial da Amazônia para extração de petróleo não entrou na COP30. Houve protesto massivo dos indígenas contra a festa da COP30, festa dada para os países metropolitanos, e os povos indígenas, os protetores das florestas e rios, não tiveram espaço na agenda fundamental. Isso é o máximo da hipocrisia.

- SÉRGIO MORO (União Brasil): Material achado pela PF no vasculhamento da 13a Vara de Curitiba, mostra que Moro grampeou autoridades ilegalmente, usando delatores para fazer os grampos, grampos esses usados para chantagear juízes, desembargadores e políticos. O grande canalha, que não vale nada mesmo é esse sujeito, que é responsável direto por todas as desgraças deste país, inclusive pelo fascista burro Jair Bolsonaro.

VENDO DE FORA DA BOLHA:

Estamos discutindo sobre Fake News, mentirada dessa gente abjeta de direita e extrema direita, enquanto deveríamos estar discutindo sobre as REGRESSÕES INTELECTUAL E COGNITIVA PROFUNDAS que nesse país se instalou. As pessoas passam os olhos na tela do telefone e se acham informadas.

Se seguirmos numa perspectiva de identidade, tentando melhorar simplesmente por agregar qualidades e também pertencer a outro grupo, então a gente não vai a lugar nenhum.  Temos uma potencialidade e não precisamos de ajuda externa, de grupo externo, de pertencimento a o que quer que seja, pois a natureza incessantemente presente não precisa ser construída, ela só precisa ser observada em si. Não é opção de um lado ou de outro que nos vai garantir alguma coisa, mas a sustentação, o reconhecimento e a visão do que acontece que nos leva a atingir algum resultado.  Devemos avaliar o processo constantemente, ver esse movimento e onde ele nos leva, sem nos entregar ou deixar desaparecer a nossa consciência sobre o fato, sobre a VERDADE. Nessa luta interna, algum tipo de hipocrisia pode surgir também, pois mesmo na liberdade, na vontade de se tornar um e não um fragmento de um grupo, posso me adornar e pensar evoluir ainda mais que outros, e isso é o caminho pra outra BOLHA!

VER o que importa é o que interessa, OBSERVAR essa nossa identidade criando outras identidades incessantemente, buscando nos tornar felizes, mesmo que estivermos sofrendo, não passa de uma busca pelo MATERIALISMO ESPIRITUAL. Quando nós olhamos a realidade tal como é, fazendo parte dela, mas sem pertencer a ela, essa é a bem-aventurança, sem esperança, mas além da ilusão da identidade em ser o que quer que seja, QUE NÃO SEJA A VERDADE.

SIMONE WEIL argumenta:  "A atenção perfeitamente pura, a atenção que é apenas atenção, é a atenção voltada para Deus, porque ele está presente apenas na medida em que há atenção".

Dá-se então a quebra da BOLHA .... É preciso acordar sozinho(a)....


O POVO É A FORÇA DA MUDANÇA

 




Quero apenas ver o direito brotar como fonte, e correr a justiça qual regato que não seca.

(Amós 6, 24)

(11/12/2025)

Vamos fazer nosso grito ecoar. Domingo “a rua é do povo como o céu é do avião”. O nosso direito há de dar brotos! Vamos dar as mãos ecoando nossas vezes, entrelaçando a esperança e abraçando a solidariedade.

Reduzir a pena de políticos envolvidos em trama política é aprisionar a democracia. É vergonhoso anistiar golpistas. Com isso, os políticos agrediram o país. Queremos justiça e ética na politica. Queremos limpar o Congresso e o Senado de tanta transgressão. Política precisa de normas válidas para todos. Sem isso, a política é intolerável - submete e perpetua a situação de dominação. Diante do que está acontecendo no Brasil, é hora de retomar, em nível nacional, o “Movimento pela Ética na Política”, a exemplo do que fez Betinho na década de 1990. Temos que provar nas eleições, em 2026, o quanto essa ideia é boa e pode ecoar. Assim, a mudança pode ser feita. E teremos outros políticos assumindo os caminhos da nação. A democracia precisa respirar. É preciso recuperar o sentimento de respeito, responsabilidade e seriedade na política brasileira. “O Brasil está aí para ser criado e recriado”, com outros políticos no Congresso Nacional. Essa criação precisa ser começada. O começo pode ser com nosso grito - fonte de energia e força que contagia. A canção de Chico Buarque é uma bandeira para o futuro - o futuro de Hugo Motta: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Você vai se dar mal, etc. e tal”. Para não esquecer: “O Brasil está aí para ser criado e recriado”.




(12/12/2025): DERROTA DOS GOLPISTAS... DERROTA DE HUGO MOTTA

Ideias pré-fabricadas são 

muito mal fabricadas.

(Maurice Druon, “O menino do dedo verde”, p. 15)


Alexandre de Moraes anulou decisão da Câmara  e determinou cassação imediata de Zambelli. As ideias mal pensadas (na calada da noite) foram mal fabricadas pelos golpistas. Daí a “importância do ato de ler”. Esse foi o problema dos deputados golpistas para manter o mandato da Zambelli. Não sabem ler a Constituição Brasileira. Só para lembrar - ler é interpretar. Ler é refletir. Exercício exigente e diferente de ideias pré-fabricadas.

(Mauro Passos)

A CONSCIÊNCIA NEGRA ABRIGA O SOM DA ESPERANÇA

 


 

Só o desejo inquieto, que não passa,

Faz o encanto da coisa desejada.

(Mário Quintana)

 

É bom lembrar que só existe uma raça: a raça humana que forma uma grande família. Muitas questões, conceitos e preconceitos estão presentes na história dos povos e nos becos do Brasil. O som da cor acompanha as versões e interpretações da nossa cultura. No trilho de vozes, nas mãos calejadas pelo trabalho duro e no brilho de rostos que canta e encanta, a raça negra construiu o Brasil. Forçados a migrarem para o Novo Mundo, várias nações e tribos africanas fizeram o Brasil. As gerações que se seguiram colheram os frutos dessa gente sofrida. Entre tantos líderes, permanece viva a figura de Zumbi dos Palmares. Encarna e lembra outros líderes que “fizeram o brasil, Brasil” e que "fazem o Brasil", trazendo lições de trabalho, arte e afeto. No final do século XVII, o padre Antônio Vieira afirmou: “O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África”. O que foi acontecendo, ao longo dos séculos, com nossa brasilidade e maneira de perceber a história? A afirmação da “consciência negra” foi-se sedimentando com lutas, dor, coragem, arte e esperança. Não se pode esquecer que o racismo, como ideologia elaborada, é fruto da cultura moderna a serviço da dominação. O combate ao racismo acontece no interior da luta social, através de um processo de “descolonização cultural”. Segundo a filósofa Angela Davis: “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. Tudo que degrada a pessoa é injusto, fere a alma e rebaixa o ser humano. As diferenças culturais, religiosas, de raça e gênero, como outras, são reais e históricas. Diante da “ordem burguesa” ou do “branco moderado e morno”, somos convidados a abrir propostas solidárias como também estimular trabalho e luta por uma causa humana, social e cultural. Como tornar real a democracia? O problema não é novo. É de todos os tempos (desejo inquieto). Nossa brasilidade é construída com cores e dores. O tema “Consciência Negra” é um convite à reflexão para um amplo debate que abra caminhos de humanização. Concluo com o pensamento de Martin Luther King em sua “Carta a colegas de bom senso”: “Chegamos agora ao momento de elevar nossa política nacional, da areia movediça da injustiça racial, ao rochedo inabalável da dignidade humana”. Não importa quão duro seja o presente, precisamos reinventar o futuro para não deixar a democracia emagrecer.

(Mauro Passos)


PARA QUEM ACHOU QUE PIMENTA É COLÍRIO

Imagem: Freepik


A passagem de Jair Messias Bolsonaro pelos tribunais de Justiça do país tem se arrastado mais que novela mexicana dos tempos de antigamente. Está se tornando uma verdadeira agonia aguardar o desfecho dessa trama tropical, com don Jair assistindo ao “sol nascer quadrado” por detrás das grades de uma penitenciária qualquer.

Nunca, em tempo algum, vi tanta gente empenhada em livrar a cara de um réu tão comprovadamente confesso, como é o caso do Jair. Agora, com os tribunais decidindo que a justiça deve ir para os finalmentes, cria-se um alvoroço, quase chegando ao estado de comoção nacional, com as ‘inteligências pensantes’ se perguntando qual o presídio digno da receber tão ilustre visitante.

De Brasília, o governador Ibaneis, com aquela sua carinha de boneco Chucky – o brinquedo assassino, diz candidamente desconhecer o estado de saúde do ex-presidente, se ele é capaz de aguentar os “trancos & barrancos” de sua Papuda. De outras partes, vozes indignadas dizem que não existe no país presídio algum digno de receber tão ilustre hóspede.

Todo esse script encaminha a novela para três saídas - primeira: o ex-presidente ser anistiado, sofrendo punição alguma; segunda: ser condenado a uma prisão domiciliar de faz de conta: terceira: ficar “preso” em uma colônia de férias do Exército.

Temendo que alguma dessas hipóteses venha a acontecer, gostaria de refrescar a memória desses paladinos humanitários, lembrando o que Jair Bolsonaro aprontou nos tempos da Covid no país. Já se esqueceram de como ele ridicularizava as pessoas sendo mortas, sufocadas pela falta de ar? Ou, então, como ele se gabava de sua formação militar, que não lhe permitia ser derrubado por uma gripezinha qualquer? Qual é? Ele não se declarava o coisa e tal? Nunca vi tanto mimimi.

Espera lá – você pode me interromper. – Não tem você nenhum sentimento de humanidade?

Tenho, tenho até demais, que posso passar por bobo. Mas prefiro usar esse sentimento para com aqueles menos favorecidos. Para gente como Jair Messias Bolsonaro, o que eu quero é Justiça. Chega de impunidade, ela que só faz corromper a Democracia.

Etelvaldo Vieira de Melo

 

 

O BEIJO DE JUDAS E O LUGAR DA UTOPIA

 

A gente quer viver todo respeito

A gente quer viver uma nação

A gente quer é ser um cidadão.

(Gonzaguinha)

 

As religiões têm expressões de beleza como também falam de utopia, esperança, felicidade, solidariedade. Estamos sempre em busca da felicidade. Existe uma relação histórico-teológica entre a beleza e o sagrado, como está no livro da Sabedoria: “A beleza das criaturas conduz por analogia a contemplar o seu Criador” (13, 5).  Hoje, a velocidade, a pressa, o imediatismo, a eficácia, a produtividade liquidam o cuidado, o afeto. O determinante é o consumo. Caminhar à toa, ouvir uma música ou cuidar de um jardim são crimes de “lesa-agenda”. E, assim, vamos perdendo a sensibilidade, o desejo de mudança, os gestos de gratuidade. E, assim, vamos perdendo a capacidade de contemplação, admiração e encontros. Nesse caminho, qual o lugar da utopia (a solidariedade, os sonhos...)? Em tempos de crise, imaginamos uma realidade diferente: uma cidade harmoniosa em oposição ao caos urbano, a paz em oposição à guerra, a não-violência em oposição à violência, uma religião conectada com a vida, a educação como conscientização e formação humana etc. Esse caminho transformador e utópico pretende resistir à força mantenedora do status quo. Como lembra o poeta Manoel de Barros: “A expressão reta não sonha”. A utopia é uma forma de criticar a realidade para não se permanecer passivo e indiferente diante de uma realidade desumana e de uma estrutura desumanizadora. A utopia é um caminho de busca que propõe outras organizações, outras relações e outras formas de vida. O que a utopia propõe, portanto, é um impulso da ação para o bem de todos. Enfim, a construção da humanidade em todos os aspectos. Confiança e esperança são aprendizes do sonho, da consciência e lucidez. O ser humano é um animal que crê, conquista, sonha e reinventa. O ser humano quer a paz. E paz não se delega, é construção. É respeitar o outro: o pobre, o sem-terra, o morador de rua, o desempregado, o idoso, o mendigo. Como lembra o poeta Pablo Neruda: “É terrível, e ao mesmo tempo comovedor, ser por um instante, o portador da esperança dos oprimidos”. Com tantos contrastes, as religiões têm um papel efetivo de transformação social – plantar a paz, contribuir para dias melhores, principalmente para as camadas populares. O cristianismo deve se mobilizar em forma de ‘Boa Nova’ para responder às necessidades dos povos. Os aplausos ao governador do Rio de Janeiro, em uma Paróquia Católica, fizeram com que ele avaliasse a barbárie? Ou foi uma nova versão do beijo de Judas? Diante do ocorrido, o desafio é pensar, mudar, tornar a pensar, para mudar mais uma vez. A não-violência é o caminho para a paz. Neste contexto, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ficou fora do contexto (se fez silêncio). A perda da tradição é sinal de nosso tempo como também a falência das instituições. Construir a paz é acolher (lambuzar-se no outro). É comprometer-se com as causas do povo. Sem humanidade o cristianismo se torna um adorno e perde seu projeto – o amor a Deus e ao próximo. Há muitas religiões, mas só um Evangelho e só um Deus. Se em outras religiões, as pessoas buscam a Deus, no cristianismo é Deus que vai em busca das pessoas: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (João 10, 10). Essa é uma questão norteadora – avivar a utopia do Evangelho para completar a criação da humanidade.

(Mauro Passos)