O GALO E A RAPOSA



A raposa avistou
o galo na árvore.
Arranjou um bico
de papelão
(que papelão!)
e fez um cartaz
Imagem: bruxinhaalegre.blogspot.com
abraçando o “amigo”,
enquanto lhe ofertava
uma espiga de milho.

O galo sabido
riu da armadilha.
Vestiu-se de cachorro,
espantando a matreira,
bicho que sempre perde
para o garnisé,
naturalmente.

Final do conto:
o galo tirou
a fantasia
e comeu o milho
até se fartar.

Pense no Galo
e na pobre raposa.
Qual será pra você
a moral da história?
            


ALIMENTANDO DESAFOROS


Imagem: uninorte.com.br

Para Adriana, psicóloga e sobrinha querida, esperando que não solte assertividades pra cima de mim.          
Tento ser tolerante comigo mesmo, embora saiba que não sou lá essas coisas. Sei que possuo uma lista infindável de defeitos, mas também sei que não posso ficar me culpando pelos desatinos que cometo, me policiando para não fazer nada de extremamente errado; afinal, tenho que estar de bem comigo para ir tocando a vida até onde ela puder chegar.
            Entre meus defeitos, certamente um tem a ver com a maneira desconfiada com que olho para uma classe de profissionais, a dos psicólogos.
            A Psicologia é “uma aventura sobre o psiquismo, tentando explicar os fundamentos motivacionais e herdados das ações e das inter-relações humanas” (definição extraída do meu subconsciente ou do inconsciente coletivo).  Isto dito, fica claro: ela vai lidar e dirimir (palavra da qual quase não sei o significado) conflitos. Como o psicólogo atende aos interesses de um cliente, advinha o que ele faz? Simplesmente municia seu afeto com todo tipo de desafeto para despejar nos adversários! Um deles se chama “assertividade”, ou seja, o paciente está proibido de levar “desaforo para casa”, é um “tomou,levou”. Com isso, quero dizer que andei ouvindo poucas e boas, tudo por causa das orientações técnicas desses profissionais. Como não sou de revidar, por causa de uma lerdeza de raciocínio, confesso que tenho apanhado muito nas minhas relações. Também, por ser uma pessoa sensível, acabo carregando um tanto de desaforo pela vida afora, todos guardados no fundo de meu coração.
            Só isto já seria motivo para me indispor com a classe dos psicólogos. Mas tem mais, e esse mais tem a ver com o guru de todos, e que é chamado de Sigmund Freud. Não sei, mas esse homem construiu uma teoria usando de termos como id, ego, superego, e adicionou um tanto de complexos; depois, acrescentou os temperos do desejo mais a pulsão sexual, julgando, com tudo isso, ter descoberto o caminho marítimo para as Índias. Ora, todos nós sabemos que foi um português que realizou tal façanha, aquele mesmo que corre risco de cair para a segunda divisão do campeonato brasileiro (como se vê, este texto já tem quase seis meses de vida – tempo médio para o que chamo de “reserva de combustível”).
            Em resumo, uma coisa que não aguento ouvir é a tirada “Freud explica isso”. Os psicólogos deveriam arejar suas mentes com outras leituras. Se se dessem a tal trabalho, haveriam de ouvir de um dramaturgo inglês, William Shakespeare, o reconhecimento de que “existem mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a vã psicologia”.
            Eu achava, desdobrando o raciocínio, que seria a Psicologia a mais eficiente armadura com a qual o ser humano podia contar. Eu via que todos aqueles que passavam por aconselhamentos psicológicos se tornavam, ipso facto, cheios de frescuras, de não-me-toques, achando que tinham “o rei na barriga”.
            Achava, pois, que ninguém haveria de suplantar a Psicologia na defesa do individualismo. Até esbarrar com profissionais da área da medicina, chamados de otorrinolaringologistas.
            Foi consultando alguns deles que vi como colocam os psicólogos “no chinelo”. Consultei uma gama de otorrinos, para encontrar solução para uma ronqueira que tenho, e todos foram enfáticos: “Se o ronco está associado a uma apneia de sono, o problema é seu; se não, ele passa a ser dos outros” (dos que estão em meu entorno, quando durmo, inclusive meu cãozinho de estimação, o Thor).
            - Mas, doutor – ponderei com um deles, - a situação está grave lá em casa. Se meu ronco chega a me acordar assustado, imagina o que ele pode estar causando aos ouvidos e aos nervos de meus familiares!
            - Roncar todo mundo ronca – falou o distinto, tentando ser pedagógico. – Você não deve se sentir culpado por nada – acrescentou, dando uma de psicólogo. - Além disso, seu ronco é primário, isto é, trata-se de uma herança genética – arrematou, voltando às suas origens médicas.
            Pensa que saí do consultório reconfortado? Saí foi pensando: é isto que a ciência moderna está ocasionando, um aumento desenfreado do individualismo. É por isto que o mundo está assim, também por culpa da medicina. Acho melhor procurar um psicólogo e fazer algumas sessões de terapia para ver se conserto um pouco do estrago que esses médicos andaram fazendo na minha cabeça. Preciso recuperar um pouco do sentimento de humanidade. Pode me ajudar, Dri?
Etelvaldo Vieira de Melo
           
                 

TARTARUGA

Imagem: imagensfofas2.blogspot.com

Sabe a tartaruga
da festa no céu?

O urubu não sabia
que jogá-la na pedra
era a sopa no mel.

A tartaruga
cheia de ru(s)gas
sabia bem
o que viria:
coisa boa
não sucederia.
.
Na enrascada  
ficou toda quebrada
com os cacos do casco.

Um sapo vendo
o quebra-cabeça
formado na pista
pensou logo em colagem     
(brinquedo à vista).
Foi assim que a quelônia
ficou na cola
do grande artista.             
       




PRA BURRO, FALTA PENA

Imagem: azcolorir.com


Talvez pelo nome, talvez pelo tempo de vida, sei lá, Elidério é o tipo do sujeito sério. Mas nem sempre foi assim.
Também aparenta ser um sujeito que sabe das coisas. Mas nem sempre é assim.
Assim, foi ele ontem certificar-se sobre um novo sistema de transporte da cidade, chamado de “MOVE”. É que ele tem uma consulta agendada pra hoje, em avenida servida por esse sistema de transporte.
Para aqueles que moram noutras cercanias, é preciso esclarecer: MOVE nada mais é do que um transporte por ônibus sanfonados, grandes, que usam pistas exclusivas. A prefeitura da cidade parece que desistiu definitivamente de proporcionar aos moradores o tão sonhado serviço de metrô.
O MOVE acaba sendo o que antiga propaganda de xampu dizia: aquele que parece, mas não é. A propaganda atual fala: Parece serviço de metrô, com os passageiros embarcando em plataformas situadas no mesmo nível dos ônibus. Pois, então: parece metrô, mas não é. Na falta de picolé, é preciso contentar com chup-chup.
Elidério foi se inteirar da forma correta de usar o tal de MOVE, o tipo da roupa que deveria estar vestindo, se social ou esportiva, se poderia estar calçando tênis, se teria direito de usar sua carteirinha de aposentado, se o acesso ao ônibus se daria pela plataforma da direita, se da esquerda.
Antes que alguém venha esbravejar contra tanto “se”, esclareço: Elidério carrega um trauma de adolescência, que nenhum metido a Freud conseguiu extirpar. E esse trauma tem a ver com ônibus.
Elidério morava no interior, em meio a cavalos, bois e burros. Ainda adolescente, veio morar nesta cidade grande, onde há poucos cavalos e bois; burros existem de várias espécies, inclusive aqueles usados nos bairros da periferia, para puxar carroças de entulhos.
A primeira vez em que Elidério pegou lotação, ele estava acompanhado de um colega, o sistema ainda era de catraca e a entrada se dava pela porta traseira.
O colega entrou, pagou a passagem e passou pela roleta. Distraído, Elidério vinha atrás e não notou como tudo aconteceu.
Entrando, ele se posicionou frente à catraca e pagou a passagem ao trocador (hoje, chamado “agente de bordo”). Este, assim que recebeu o dinheiro, falou:
            - Pode passar.
Elidério olhou para a catraca, olhou para o trocador e, com os olhos, perguntou:
            - Como?
O trocador não entendeu a pergunta. Falou:
            - Eu já disse que pode passar.
Elidério, com os olhos, perguntou angustiado:
            - Mas como?
Nessa altura, já havia um número grande de pessoas querendo passar pela roleta. O trocador esbravejou:
            - Passa!
Como último recurso, Elidério se agachou e passou por baixo da roleta.
As pessoas riram, debocharam do pobre coitado? Elidério não se lembra, que essas coisas ruins a gente deleta do disco rígido da memória. Ele só se lembra de ter passado por baixo da roleta de um ônibus.
Agora, com esse tal de MOVE, ele foi conferir, pra ver como é que é. Porque essa história de que ele, Elidério, é sério, sabe das coisas, não passa de uma casquinha, um parece que é mas não é. Em muitos casos, pra burro completo, só lhe falta pena ou estar puxando uma carroça.
Etelvaldo Vieira de Melo

SEIS SÍLABAS EM SEIS ESTROFES

Imagem: vasosdo purus.wordpress.com



Ratos porcos e burros
Andam sempre por cá,
Na intriga ruim
Da política má.

Ratos, porcos e burros
Comandam o país,
Mas Moro sabe bem
Matar rato e raiz.

Ratos porcos e burros
Querem comer o pão
Que o brasileiro fez
Com sangue em suas mãos.

Ratos, porcos e burros
Vão todos pra cadeia
Com a Lava Jato agora
Petralha cai na teia

Ratos, porcos e burros
O Brasil tem demais.
Para Moro, a mamata
Acabou-se em mil ais.

Ratos porcos e burros
Xilindró para os três.
Sem vírgula, são ratos
Indo para o xadrez.


LIÇÕES DE ESPERTEZA

Imagem: eduardotx2.blogspot.com
                  
P
or causa de sua crendice e boa fé, está se tornando cada vez mais difícil para Ingenaldo sobreviver no mundo de hoje. Apesar de seu esforço físico, ele não dá conta de driblar tantas decepções: ao final de cada dia está ele coberto de arranhões e hematomas.
Fridolino Xexeo, seu amigo, encontrando-o certo dia com o braço direito enfaixado e com o olho esquerdo todo roxo e inchado, tentou aplicar-lhe uma vacina através de palavras de alerta. Disse Fridolino:
Você conhece aquela piada do sujeito esperto? Tendo encontrado uma moeda no piso de uma igreja, em frente a uma imagem de São Benedito, fez esta proposta ao santo: “Seu santo, mais honesto que isto não é possível. O senhor mesmo está vendo: acabo de achar uma moeda. Vou jogá-la para o alto. Quando cair, se der ‘cara’, ela será minha; se der ‘coroa’, também. A moeda fica para o senhor, se cair em pé.”
Assim ele fez, jogando-a para cima. Assim que caiu no piso, ela foi rolando, rolando, até ficar em pé, junto à imagem do santo.
Quando viu aquilo, o sujeito falou, indignado: ”Roubar não vale. O senhor segurou com o pé. A moeda é minha!”
Veja, meu caro amigo, como hoje vale a esperteza, como as pessoas não têm mais escrúpulos em furar os olhos dos outros. Por esses dias, foi um técnico lá em casa fazer um reparo no aquecedor solar. Tinha ele uma conversa mansa e humilde, o que me deixou um pouco aliviado. Pensei: “taí um cara que não vai me meter a mão com um preço absurdo”. Ele calculou que gastaria dois dias de serviço, com a mão de obra custando seiscentos reais. Apesar de meu salário não chegar aos pés de sua proposta, considerei que era razoável, e que era o meu salário que não prestava. Acontece que o sujeitinho de fala mansa gastou trinta minutos, quando muito, para terminar todo o serviço. Como o almoço estava pronto, ele não se fez de rogado ao convite, comeu um prato, de comida, que, se não atingiu o cume do Pico da Neblina, ultrapassou o da Serra da Piedade. Piedade que ele não teve na hora do acerto de conta: foram seiscentos reais, sem tirar nem pôr. Depois, ele explicou que havia levado sua caminhonete para fazer uma retífica de motor. O conserto girou em torno de oitocentos reais. Concluindo a conversa, que já me dava voltas no estômago, ele disse: “A vida é assim: um toma lá, dá cá”.
Ingenaldo, você está entendendo minhas palavras, ou estou falando para as paredes?
Ingenaldo olhou por sobre as lentes dos óculos azuis, fazendo um gesto de “sim” com a cabeça.
Quando se despediram, foi ele para o ponto de lotação (Ingenaldo é parente do Eleutério). Ali, uma menina de 9 a 10 anos de idade, que estava de uniforme escolar e carregava nas costas uma mochila, lhe perguntou:
            - Você não viu por acaso uma nota de R$10,00 aí no chão?
Ingenaldo achou estranho aquele tipo de pergunta. A menina insistiu em dar detalhes sobre o sumiço da nota.
            - Eu ia passar na farmácia comprar um xampu para minha mãe. Quando fui ver, o dinheiro havia sumido.
Ingenaldo ficou condoído com o sofrimento da menina, mas estava também impregnado das palavras de Xexeo. Falou:
            - Se eu tivesse dinheiro comigo (na verdade, ele tinha, mas pouco), eu poderia ajudá-la. Fala pra sua mãe, explica pra ela...
            - Eu coloquei o dinheiro aqui no bolso de trás – a menina mostrou o bolso, que apresentava um rasgão.
            - Pois é, deve ser por aí que o dinheiro sumiu.
            - Minha mãe vai me colocar de castigo – e uma lágrima rolou pelo rosto da garota.
Nesta hora, Ingenaldo exorcizou de vez as palavras de Xexeo. Pensou: não vou deixar de ser uma pessoa crédula, não posso abandonar meu sentimento de humanidade.
Assim pensando, retirou uma nota de 10 e deu para a menina.
            - Obrigada – falou ela.
Ingenaldo ficou sabendo que havia plantado uma sementinha de bondade no coração de uma criança. Quem sabe, pensou ele, essa semente não irá florescer e ajudar a colorir o mundo?

Etelvaldo Vieira de Melo

COELHOS

Imagem: vectoropenstock.com

Meu pai abria a mão
e contava:
"Eis a música!"
Os dedos são notas;
os entrededos, espaços.
Então tocava o violino,
esparzindo Mozart pela casa.
Os sons migravam até a Praça
e transformavam-se em Coelhos,
               filhotes
               filhotes
filhotes de colcheias
breves fusas semifusas
sobre a terra fecundante
de minha terra natal.       


PAISAGEM BUCÓLICA




Imagem: youtube.com

“Um homem vai devagar / Um cachorro vai devagar / Um burro vai devagar / Devagar... as janelas olham” (Carlos Drummond de Andrade).
Para Aloísio, o Loló.
Existem palavras e expressões que, querendo dizer algo, acabam passando outra ideia. Um exemplo é “paisagem bucólica”, que me acorreu quando um sobrinho, o Loló, falou da apresentação de seu coral de homens num vilarejo perdido nos sertões de Minas.
Quando você ouve ou fala “paisagem bucólica”, instintivamente abre a boca num bocejo? Pois é, parece que tal expressão quer falar de uma paisagem monótona e que chama o sono. No entanto, originalmente, “paisagem bucólica” quer dizer paisagem calma, de beleza simples e que inspira paz interior, tranquilidade, sossego, tudo muito ao contrário da poluição visual e sonora dos tempos modernos.
Imagina você morando nesse arraial, cuja população nem bem chega ao número de dois mil habitantes. Ele tem seu nome, “Mercês de Água Limpa”, e até apelido, “Capelinha”.
Você se chama Lindolfo Cunha, está com quarenta e dois anos de idade, sua aparência é magra e sua pele é bronzeada, em razão da constante exposição ao sol. Seus cabelos compridos estão encobertos por um largo chapéu de palha; seu rosto é envolto por espessa barba - já um pouco grisalha.
Você é casado com Jovelina, conhecida pelo apelido de Fiinha, e tem quatro filhos, três mocinhas e um menino de seis anos, a rapa do tacho.
Durante a semana, você levanta bem cedinho, antes mesmo do galinho garnisé cantar lá no galinheiro. Enquanto toma seu café e come um pedaço de broa de fubá, Fiinha ajeita sua marmita sobre um fogão à lenha.  Logo, logo, você vai para as lidas no campo, ora cortando capim para alimentar o gado da fazenda do senhor Dirceu, ora fazendo capina em terreno de plantação de milho e feijão. Na época da cata de café, Fiinha também vai pra roça, levando como companhia suas duas filhas mais velhas. Todo o serviço é feito para o senhor Dirceu, ele que emprega a maioria das pessoas de Capelinha. O pagamento geralmente é feito através de vales, descontados no armazém do Bené, genro de Dirceu.
De tarde, quando volta do trabalho, você, Lindolfo, depois da janta e de um cafezinho, tem o costume de se pôr de cócoras em frente de casa. Então, corta um fumo de rolo e uma palha com seu canivete “Corneta”; com cuidado, você enrola bem o cigarro e o acende, usando um isqueiro à base de querosene.
Enquanto, calmamente, solta suas tragadas, ouve Fiinha lavando as vasilhas na cozinha; seus filhos estão brincando ali mesmo na rua, jogando “maré”. O sol se põe, a lua já se encaminha para o meio do céu, quando o sino da igrejinha toca seis badaladas, em lembrança da “Ave Maria”. É quando você retira o chapéu em respeito e faz o sinal da cruz. Depois, sabendo que é preciso descansar o corpo dolorido pelo trabalho, fala pros filhos:
            - Vamos intrá, pois já tá na hora de drumi.
Nos fins de semana, aos domingos de tardezinha, você, sua mulher e filhos se arrumam, colocando “roupas de ver Deus”. Você põe um paletó cinza, junto com uma calça de mesmo tom e uma camisa branca; sua esposa se veste de azul-marinho e seus filhos estão todos de branco. Depois, caminham em direção à igreja, para a missa semanal, Jovelina a seu lado, os filhos à frente. Você caminha com dificuldade, pois a botina nova, comprada no armazém do Bené, está apertando um calo de seu pé esquerdo. Os sinos repicam com alegria, um alto-falante na torre da igreja reproduz músicas religiosas. A semana chega ao fim, com as bênçãos de Deus, nosso Senhor.
É esta a “paisagem bucólica” que fica retida na minha mente, e que veio por conta de uma fala do Loló. Não sei por que, ao fim da lembrança, lágrimas teimam em deslizar pelo meu rosto. Com essa ventania de outono, um cisco deve ter entrado no meu olho. Vou pedir pra Fiinha assoprar, pra ver se o danadinho sai.

Etelvaldo Vieira de Melo


Nota: A imagem que ilustra o texto é da região do “Rosário”, em Santo Antônio do Amparo, MG, nos tempos de antigamente. Do outro lado desta avenida - comprida e preguiçosa - fica o Lava-Pés, onde nasci e passei a infância. Santo Antônio e Capelinha são próximas, tanto que andei misturando tudo, o presente e o passado, sentimentos e imaginação. Como haveria de dizer o próprio Drummond, o tempo só deixa retratos na parede e lembranças, suaves, melancólicas, doloridas.