INDO VINDO PELO LINDO INFINDO LAR

Venha comigo, meu mel menino. Que tal sair por aí a saborear doçuras da vida? Está frio. Mil arrepios.

Vista um paletó, pocotó! Protegido, hein, querido? Então, basta olhar para ver alegrias fantasias dias.

Pois sorria da alva nuvem que desliza monalisa peralta pernalta no escorregador abrasador do céu. Aquela ela meninice tagarelice devorando algodão doce, docedoce, nos convida a passear no imenso suspenso parque Cetim Pirlimpimpim. Vá, filhim.

Viaje inocentes entes sagrados encantados: gnomos, sereias, teias, centauros, feras gentis e belas desadormecidas em aguapés igarapés mururés. 

Brincam nas arcas das barcas doces anjinhos - tão fofinhos! - semeando brigadeiros em canteiros fá dó mi comilão Rei Sol. Rasas asas esvoaçam voejam adejam, namorando bordados de serra. Serra-serra-serrador. Quantas tábuas já serrou? Puro Amor. 

Passarinham borboletas amarelas brancas pretas sob o anel do meu chapéu. Canarinhas azuis meio rosas, dez mais prosas, alvas ninfas anunciam: Gente, Luca vem ali, montado em carrossel. Corre, corre, corcel. Cavalinho, ligeirinho, traga logo nosso amigo sem perigo.

Peixinhas vão no vaivém vão.  Rubros beijos borbulhantes acenando: Quer um deles, maroto garoto? Tome cá ou dê lá uma duas adivinhas:

- Estrela do mar ama estro celestial? Por bem ou por mal?

- Rá, rá, rá. Ró, ró, ró! Quem falou que é uma só, bocó?

Fadas levadas irmãs mimadas contam histórias balançantes dançantes ululantes rodas gigantes:
Luca, era uma vez... certa princesa que brincava que saltava que bamboleava que aprontava no tobogã, mas o pequeno heleno Pã...   

Acertando no tiro ao alvo, papai  acha dura loucura ganhar essa peça linguaruda dentadura: 

 Ai, ai. ai! Ui, ui, ui. Sou muito novo, chupa-ovo. Melhor ter medo - que mané medo, seu Alfredo?

Ora, ora, vou-me embora no trem-fantasma.  Fora, ooô asma!  Olê, olê, olê, olá. Grita, grita, inté mancá: Café com pão, café com pão, manteiga não.  

ME DÁ UM PIÃO!

Será mesmo computador? Será celular? Divagar a vagar devagar, lá vem SuperPai carregando no abraço laço do braço seu fiote. Quanta sorte!

A noite chega. Alguém graceja: Ê, sono bravo, sem alinhavo!  

É hora. Vamo s’imbora. Mamãe espera pelo moleque.

Salamaleque, caia na cama, gatinho bom.

Amanhã dou sobremesa com recheio bembém cheio de bombom.

Graça Rios
                                                                                                                                                                                            

MEIO QUE REVOLTADO

Em palestra algum tempo atrás, o jornalista A*** levantou a hipótese das populações do Brasil e do Japão serem trocadas. – E o que aconteceria? – ele meio que perguntou.

- Lá, eu não quero pensar... Agora, alguém teria alguma dúvida de que os japoneses transformariam isso aqui em 1ª potência do mundo em 10 anos?

Tomei conhecimento dessa impoluta figura lá pelo ano de 1980, quando ele era assessor de imprensa do general F***, então último presidente da república da Ditadura Militar de 1964. General F*** ficou famoso por ter proferido uma frase enigmática. Ele meio que disse o seguinte:

- Prefiro cheiro de cavalo a cheiro de gente.

Eu, se frequentasse seu círculo de relações, iria questionar o tipo de desodorante que estava usando, levantando discretamente o braço para dar uma cheirada. De qualquer modo, é preciso considerar que ele poderia ter razão na sua assertiva, uma vez que não vi nenhuma pessoa próxima reclamar, fazendo valer aquela máxima de que, quem cala, consente.

Depois de assessorar o general, sem reclamar de ser tachado de fedorento, A*** foi trabalhar como repórter na emissora de TV G***. Tenho vívida na memória a imagem dele correndo esbaforido atrás do presidente de então. F*** de Mello (não é meu parente) havia sido eleito justamente graças ao marketing promovido pela Rede G***, que propagou a sua imagem de “caçador de marajás”. Na véspera do pleito, a emissora fez uma edição caprichada no seu jornal nacional sobre o oponente, liquidando de vez sua pretensão de ganhar alguma coisa. Se você já está na casa dos “enta”, deve estar lembrado também do plano econômico inventado então, que confiscou a poupança de muitos investidores e levou alguns a cometerem suicídio. O jornalista A*** corria esbaforido atrás do F*** porque este dava suas coletivas de imprensa fazendo “cooper”, não era do tipo dessas lives que o atual “regridente” adora fazer.

Refletindo sobre a fala do jornalista, exposta lá no início do texto, podemos meio que inferir as seguintes afirmações, escondidas nas sublinhas das entrelinhas das linhas:

- O Brasil é um país riquíssimo e generoso em recursos naturais, enquanto o Japão apresenta uma natureza pobre e hostil. A diferença entre um e outro é o povo. O japonês é responsável, educado, honesto, trabalhador, compenetrado, inteligente, cuidadoso, esforçado, íntegro. Já o brasileiro é em geral um irresponsável, mal educado, desonesto, preguiçoso, dispersivo, desmazelado, de inteligência curta e falso. Só mesmo a soma de tanta incompetência foi capaz de impedir o Brasil de se tornar um país de primeiro mundo.

- Durante alguns anos, fui assessor de imprensa de um general presidente da República, num período chamado erroneamente de ditadura militar. Sua frase mais famosa foi: “Prefiro cheiro de cavalo a cheiro de gente”. Evidente que se referia a cheiro de gente brasileira, que para ele fedia, no que eu concordo, tanto no seu sentido real como no figurado.

- Depois, fui trabalhar como repórter numa famosa emissora de TV. Talvez você se lembre de me ver correndo esbaforido atrás do presidente da República de então, e que era metido a atleta. Aquelas corridas me proporcionaram um bom preparo físico, coisa que ostento até hoje e me permite considerar essa tal de covid-19 uma gripezinha, como tão bem fala o atual ocupante do palácio do Planalto, a quem amo de montão.

- Pra mim, eu meio que acho a democracia uma coisa difícil de engolir e tolerar. Eu pergunto:  como deixar na mão do povo incompetente, estúpido, o poder de decidir a escolha de seus governantes? Ele precisa de ajudado, ser dirigido, para que não cometa “burrices” como acabou acontecendo nos últimos anos, o país sendo governado por gente vinda da ralé. Um absurdo, veja se pode.

- Além de ignorante, estúpido, o povo também é ingênuo, de boa-fé, corre o risco permanente de ser seduzido por “cantos de sereias”, falando de igualdade e justiça social. Nos bons tempos da ditadura, chamávamos os que pensavam assim de subversivos, comunistas. Hoje, para combater esses esquerdopatas, levantamos a bandeira do combate à “corrupção”, da defesa da família e dos bons costumes, do combate à ideologia de gênero (que não sei bem o que é), da religião e de Deus acima de tudo, termos altamente sedutores.

- Falando da corrupção, vejo que todo mundo enche a boca para falar dela. Mas o que “corrupção” realmente significa? Os dicionários dizem: corrupção significa modificação, deterioração, decomposição física de algo, adulteração das características originais de algo. Então, veja bem, o que fez a Operação Lava Jato, com seu juiz e seus procuradores, foi justamente “combater a corrupção”, isto é, resgatar as características originais do país, fazendo ele voltar para as mãos da elite, das oligarquias, dos latifúndios, e dos donos do capital. Na ótica da Lava Jato, e que eu compartilho, combater a corrupção foi destituir a presidente, mesmo sob a alegação fajuta de umas tais “pedaladas fiscais”, e botar atrás das grades aquele que poderia ser uma ameaça de poder.

- Você pode me perguntar: - Por que outros corruptos foram preservados? E eu respondo: - Porque eles simplesmente não são corruptos no sentido estrito do termo; podem ser lapinantes, ladravazes (como o vice-presidente M***, com sua mala abarrotada de dinheiro, e o ex-governador e senador J***, com seus milhões de dólares na Suíça), mas são representantes da elite. Sendo assim, não podem receber a pecha de corruptos; não podem ser presos (o ex-presidente da Câmara E***, ao ser cassado e preso, foi uma exceção da regra, uma espécie de moeda de troca, o que chamamos de “boi para piranha”).

- Finalizando, preciso considerar que estava sufocante viver no Brasil anos atrás. Como bem disse nosso ministro da Economia P***, incomodava o fato de até as empregadas domésticas voarem para Disneylândia, numa festa danada! Isso é que era corrupção! Afinal, um dos prazeres do Capitalismo é você ter sem que o outro também tenha. Se você pensa que isso é demofobia, não estou nem aí.

O vídeo da palestra foi compartilhado pelo “regridente” da República que está aí. Desta vez, sem fazer troça do “pintinho” do japonês (“pequenininho assim, ó!”), ele disse que não tem dúvida, elogiando os nipônicos e concordando com a tese implícita de que o brasileiro é atrasado e incompetente (o jornalista havia destacado as condições naturais hostis do arquipélago do Japão, em contraponto à exuberância dos recursos naturais do Brasil). O regridente não se deu conta de que concordar com a tese do jornalista era “dar um tiro no seu próprio pé” (no sentido figurado), um desabono para com sua própria pessoa, já que ele foi eleito por uma parcela significativa da população. Em outras palavras, ele não se dá conta de que foi eleito justamente porque a população brasileira é ignorante.

Este texto foi produzido meio para registar minha profunda indignação, como brasileiro, com as falas desse determinado jornalista e do “regridente” da República que está aí. Eu me pergunto o que eles fizeram de bom em benefício do país, além de destilar veneno e menosprezar o povo, ser um político ridículo por mais de 30 anos e só sabendo proferir palavrão.  Estou até pensando em mover uma ação na Justiça, requerendo indenização por danos morais. Meu receio é que o juiz do processo acabe me identificando como membro da ralé, fixando o valor indenizatório em R$1,00. Aí, eu meio que vou ficar chateado de vez.

Etelvaldo Vieira de Melo


CUIDADOS PÓS-PANDEMIA

     Para Júlia (Deusarina Rebelada), filhinha querida, pelo aniversário dia 22, com os votos de toda felicidade possível e imaginável.

Eis que chegamos, finalmente, à Hora D do Dia H, com a vachina contra a covid começando a espetar os braços das pessoas. Daí, é de se esperar que uma luz acenda no final do túnel desse caos que tomou conta da humanidade há mais de ano, permitindo, por fim, que as pessoas se abracem e se amem, sem medo e sem pudor.

Se essa luz é boa de um lado, também é ruim de outro. Explico: boa porque o ser humano é um animal social, gregário (esta palavra, inédita no meu vocabulário, surgiu na minha cabeça, assim sem mais nem menos); ruim porque a convivência social cobra um preço caro.

Não entendeu? Explico: por causa de nossas carências afetivas, muitas vezes abrimos mão do que realmente é importante para nós, para atendermos ao que os outros nos cobram, seus desejos e expectativas.

Confinado há quase um ano, tenho desfrutado quase tão somente da convivência de Percilina Predillecta e de Thor. Percilina já atingiu o patamar de me amar espiritualmente, tendo ultrapassado a barreira do físico, descobrindo as minhas belezas interior e metafísica; Thor tem por mim um amor quase incondicional, que se satisfaz com afagos e trocas de ocitocinas através de olhares (a ocitocina, também chamada de Hormônio do Amor, é produzida pelo hipotálamo e liberado a partir da neuro-hipófise – dando um verniz científico ao texto).

Com a perspectiva de conviver com outros seres humanos, passei a me observar mais atentamente através dos espelhos aqui de casa. Olhando para um que me reproduz de corpo inteiro, quase tive um tono adrenérgico, seguido de uma acinesia (ia escrever “choque anafilático”, mas achei esta outra expressão mais bonita).  Boquiaberto, olhando pro meu reflexo, perguntei:

- É você, Eleutério, essa figura macilenta, de poucos cabelos desgrenhados e de barriga tão proeminente? Coitado! Quando sair à rua, tome cuidado para não espantar as crianças, como se fosse um bicho-papão!

Fiquei deveras preocupado. Lembrei-me, então, de uma ideia que cultivo faz certo tempo. A ideia de uma nova invenção, espelhoshop® ou mirrorshop®, surgiu assim:

Tempos atrás, na portaria do edifício onde estava fazendo tratamento dentário, existia um enorme espelho, tomando conta de toda a parede lateral. Enquanto aguardava o elevador, ocasionalmente olhava para ele, pro espelho, sentindo aumentar o meu estado de depressão. Pensei: a partir de certa altura da vida, olhar prum espelho é como levar uma facada no coração; daí, por que não disponibilizar para as pessoas um sensor (microchip), capaz de fazer uma leitura de suas fisionomias quando se olham no espelho? Os dados coletados serão, imediatamente, convertidos e as imperfeições corrigidas, com a imagem refletida atingindo 98,9% de melhoria. Assim, as pessoas irão se ver bonitas e atraentes.

Muitos podem alegar que já existem as plásticas, os botox e os photoshops. Sei disso, mas também sei que tais produtos são caros, proibitivos para quem mal consegue frequentar uma loja de R$1,99. Mas que não se assustem os capitalistas: o novo visual frente ao espelho será possível somente para aqueles que fizerem o implante do tal microchip (mirrorshop®) na orelha, pagando módicos R$39,99. O refil, com 12 meses de vida útil, sairá ao preço de R$19,99. Quando esse novo produto for comercializado, o índice de satisfação das pessoas estará lá em cima, mesmo que as aparências verdadeiras estejam lá em baixo.

Foi isso que pensei, e tal ideia surgiu quando havia um programa do governo chamado “Minha Casa, Minha Vida”. Parodiando o dito cujo, imaginei que o invento poderia se chamar “Meu Espelho, Minha Alegria”. Aqueles que se sentissem incapacitados, financeiramente, de adquirir o mirrorshop® poderiam se inscrever num programa de bolsas do governo.

Tal ideia me volta agora, com o fim do confinamento, com as pessoas tirando as máscaras e se olhando cara a cara, com risco de muitos choques anafiláticos.

Em outra circunstância, quando alguém olhava para você e ria, você pensava: - Iiii..., está rindo de mim! – e caía numa depressão profunda. Agora, quando alguém rir, antes de fazer juízo de valor, você tira um espelhinho do bolso (pode ser daquele oval, com mulher pelada no verso), olha (pra figura refletida) e pensa feliz: - Ah, ele está rindo para mim!

Agora que rompemos as barreiras com os chineses, acho que fica mais fácil pedir para eles fabricarem esse meu invento. A colocação do microchip pode ser feita junto com a aplicação da vachina, sendo que quem aderir à campanha terá desconto de 15% na aquisição de um kit (o microchip mirrorshop® e um refil). Creio que esta será uma ‘boa logística’ (dando um verniz pazuellano ao texto). Com tais cuidados, os tempos pós-pandemia serão da mais pura felicidade.

Quem não irá gostar do invento serão os autores de autoajuda, os cortellas, karnais e pondés da vida. Também tenho a leve desconfiança de que Deusarina Rebelada, que é cirurgiã plástica, também não vai gostar nem um pouco da proposta.

P.S. Se algum amigo leiturino souber mandarim e puder me ajudar, podemos contatar a embaixada chinesa em Brasília. O esquema da placa do microchip está guardado a sete chaves no cofre aqui de casa. Desde já, agradeço.

Etelvaldo Vieira de Melo

MOVIMENTOS

 

PRIMEIRO MOVIMENTO
LIVRE O LIVRO!

Fiim home macho de Zé Bento surge gente no Sítio: 1882.

Mãe Olímpia, inda curtindo traças do resguardo:

- Nastácia nagô, caixilha a mascra branca no  Loló.

- Uai, saá sinhá, condé qui saai a vaachina covid-zê?

- Pixaim, lugar de gaforinha sem língua é na senzala.

Moleque Renato Saci caxanga com os escravos de Jó.

- Muntêro, limpa os Naarizinho. Caarona de corona, é micê?

- Zumbi, furta pra mima a bengala do falecido pai.

- Qui pôco, nhô ingaata um JBLM nos castão de praata dela.

- Eu mando aqui, Pica-Pau. Preta forra que me mimoseia:

Ferve humo, fumo, sabugo de milho. Fungo ‘Lá’ será vírus?

- Buneca de paano, arrispeita a preta véia qui infeitô seus zói.

- Samba no pé! Anda! Chama logo o lume vago do Visconde.

- Ai, ai, Yaansã. Liberta nóis caativo de  quá angu de caaroço!

- Catei no mato jiló mais javali. Bentim, viu a escrava do sinhô?

- Quentando fogo no rabo do tição. Fuga das galinhas das galés.

- Ali aqui nela, comamos sussa sopa de java com coca-cola.

- Madrugada, tia Nastácia vira navia negreira. Deix’ ela em paz.

- Ô, beiçuda, porca morta! Ruma pra horta e cata coentro salsa cebola couve nabo quiabo,

- Pessoal. Deixarei uma obra sobre o brutal costume de tratar pretos no século XIX.

SEGUNDO MOVIMENTO

LIBERTE O AUTOR

      Iniciamos este texto certamente sob ameaças. Muitos gritarão entre jardins: ‘Prendam a louca racista. Segue Lobato sem se importar com o Index Prohibitorum, lei que proíbe livros preconceituosos. Igual a outras vendidas virgens marias escravas, denigre, a ver navios - negreiros - a límpida castíssima imagem do tipo lista negra. Pacto vergonhoso, lista branca contra os pobres! Segregacionista, xenofóbica, essa morena criatura vai e vem de acordo com grandes vantagens. Isso aí é persona non grata nazista, judiando de todos os africanos, almas brancas repletas de claras intenções. Ovelha negra, a tal pálida donzela lista em magia negra suja sua escritura tipo mercado negro mais inveja branca.   

- Oh, raça pura! Nunca jamais admirastes algum supimpa negro de traços finos quais os vossos, virginais canduras? Vigiai, poetas de performance e estilo cristalinos!                      Ouvi: Colorés não são tuas nêga. Também rateiam origem mulata, cabelo ruim, crespo, bombril. Comparai favelas com criados-mudos? Nívea mulher intolerante: Quando trabalhava forçada nas minas de ouro ou prata, raramente negra bonita alcançava metas previstas pelo Mister Sir dominador. Recebia, por munição, metade da comida em objetos de madeira. Vede! Sois hoje, senhora do Engenho, empregadinha meia tigela das Editoras.

Orgulhoso, negro sujo, metido a branco, torna-se faxineiro, pedreiro, gari, principalmente se a coisa tá preta pro lado dele. Compusestes na Casa Grande o Samba do Crioulo Doido? Nascestes cabrocha? Tendes um pé na cozinha? Preferis luto a vestes de noiva? Fazeis sempre serviço de preto? Vossa estampa étnica se mostra exótica ou de dar com o pau, ao jogares no preto véio, um tacho de angu? Nós, alvas testas, reneguemos palavra que não lavra nem lava face bege, giz cor da pele. Sois preta, também, pois no Brasil somos símiles descendentes de angolano e índio. É dia de branco. Saravá! Mulher gorda deve se dar ao respeito. Saí à caça hoje à noite. Depois, dai urgente resposta ao macumbeiro de galinha preta, madame-21.   

- Perdoai-me, irmãos. Termino este diálogo, bramando opostamente à maior

crueldade nacional. Crime pra cadeia, foi arranjarmos o eufemismo

      Negro

                                                            ao invés de                 

                                                                PRETO                                                                                                                                                      

    para quem vem ou veio de terras além-mar.

   Por que não inventarmos

 Lírio

ao invés de

Branco

para os caras-de-chupa-ovo?

Graça Rios

                                                                                                                                                                                  

    

NOME IMPRÓPRIO

 O futebolês pode colocar os valentes jogadores em situação delicada.



DERRAMANDO CAFÉ

 

Li no romance Quarup, de Antônio Callado: por volta de 1950, havia tanta formiga-saúva no país, que era corrente o ditado “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Agora, em 2021, podemos adaptar esse ditado, dizendo assim: ou acabamos com as “redes sociais” ou as “redes sociais” acabam com a gente.

Somos bombardeados por tanta notícia e informação que não temos tempo para “ruminar” e digerir tudo o que nos é repassado. Conclusão: passamos a ter uma visão superficial sobre tudo, julgando que sabemos das coisas quando, cada vez mais, nos tornamos mais e mais ignorantes. E o pior: passamos a fazer juízo de valor, enaltecendo canalhas e condenando inocentes. Veja este exemplo:

Em um desses sites de notícias que circulam entre as redes, estava esta manchete: “PM acaba com festa na casa de Elba Ramalho. Cantora dançava sem máscara em outro com...”. Outros sites detalhavam: a festa aconteceu em Troncoso, Bahia, nas comemorações de Natal. E todos atiravam pedras na pobre coitada da Elba que, depois fiquei sabendo, simplesmente alugou sua casa, através de uma agência, e estava, na hora do forrobodó, assistindo... a uma missa.

Você pode dizer que, no frigir dos ovos, tudo terminou bem, que a verdade foi restabelecida e Elba inocentada. Tá. No entanto, é preciso considerar que muitos, ao tomaram conhecimento do fato, só tiveram acesso à primeira versão, nem se deram ao trabalho de questionar o que lhes era repassado. Engoliram sem mastigar e, depois, foram vomitando nas suas redes de contatos, espalhando maledicências e venenos.

E assim está o Brasil, sendo atacado por vírus por tudo quanto é lado. Dá até saudade dos tempos da formiga-saúva. Muita gente pode pensar assim: - Ah, tempo bom aquele!

Hoje em dia, até o que aparenta ser bom não é bom, está errado. Veja este exemplo:

Uma parente muito querida me enviou uma mensagem de Ano Novo. Você sabe, nesta época do ano, pululam nas redes sociais mensagens edificantes. Muitas aparentam um verniz de bondade. Quando a gente vai analisar, não é bem assim, como observei no relato abaixo, transcrito tal qual foi recebido, com direito a muitos erros de pontuação e concordância:

Querido Eleutério,

Para encerrar este ano, a mensagem do grande filósofo Mário Sérgio Cortella... Vale a pena refletir.

"Tu vais andando com a tua xícara de café... E de repente alguém te empurra fazendo com que tu derrames café por todo o lado.

Por que tu derramaste o café?

Porque alguém me empurrou!

Resposta errada! Derramaste o café porque tu tinhas café na caneca. Se tu tivesse chá... Tu terias derramado chá. O que tu tiveres na xícara é o que vai se derramar.

Portanto... Quando a vida te sacode o que tiveres dentro de ti... Tu vais derramar.

Tu podes ir pela vida fingindo que a tua caneca é cheia de virtudes, mas quando a vida te empurrar, tu vais derramar o que na verdade existir no teu interior.  Sempre sai a verdade à luz.

Então, terás que perguntar a si mesmo. O que há na minha caneca?

Quando a vida ficar difícil... O que eu vou derramar? Alegria... Agradecimento... Paz... Bondade... Humildade? Ou raiva... Amargura... Palavras ou reações duras? Tu escolhes!

Agora... Trabalha em encher a tua caneca com gratidão... Perdão... Alegria... Palavras positivas e amáveis... Generosidade... E amor para os outros.

O que estiver na tua caneca, tu és o responsável.

E olha que a vida sacode.  Às vezes sacode forte. Sacode mais vezes do que podemos imaginar...

Você é o responsável pelo que tem na sua xícara. O que tem nela?"

* Feliz 2021!. *🎄💚❤

Na minha resposta, disse:

- Respondendo ao Cortella: o que tem na minha xícara? De manhã, certamente café; à noite, chá de camomila com maracujá. E durante o dia? Bom, durante o dia não estarei com uma xícara na mão, mas um prato.

(Pra rir discretamente, neste final de um ano tão cheio de amarguras.)

Quando li o texto, pensei primeiramente: - Não é do Cortella! Se for, nosso filósofo atolou de vez no lamaçal da autoajuda. Depois, pensei assim: - Pode ser. Pode ser que nosso filósofo ficou cego com os holofotes da fama.

Sendo ou não sendo do Cortella, o texto exala pedantismo, com “tu” pra cá e “tu” pra lá, nunca vi tanto “tus” juntos. O autor inicia uma frase com “tu” e eu sei que ele está falando do “tu”, mas, desconfiado de minha percepção, volta a repetir o “tu”, jogando o discurso todo numa verdadeira tutuzada: “Se tu tivesse (!) chá... Tu terias derramado chá”. O pronome “tu” aparece 12 vezes no texto. Poderia ser 13, se, no final, em vez “você é o responsável pelo que tem na sua xícara”, fosse dito: “tu és o responsável pelo que tens na tua xícara”.

Nove fora os 12 tus, o texto transborda de sentimentos de posse: tua: 4, te: 3, me: 1, ti: 1, teu: 1, si: 1, minha: 1, eu: 1, sua: 1. Embora queira passar a ideia de generosidade, de desapego, o que ele faz é justamente reforçar o individualismo. O autor quer que as pessoas derramem gratidão, perdão, alegria, palavras positivas e amáveis, generosidade, amor. Mas, segundo ele, isso só será possível quando forem empurradas, tropeçarem, quando a vida sacudir forte. Ora, quer dizer que só serei generoso por acidente, quando a vida me sacudir?

O individualismo ficou claro de vez quando os sentimentos são transportados em xícaras e só são derramados quando a pessoa tropeça ou é empurrada. Se devemos compartilhar, a imagem usada deveria de uma jarra. Quando o autor fala em xícara, está querendo dizer que cada um deve cuidar de si, sem compartilhar com mais ninguém.

Se for para levar a sério o que o autor disse (Cortella?), o que a gente precisa fazer para mudar tal situação é ficar empurrando, dando rasteira e sopapos nas pessoas boas. Só assim é que elas vão derramar, compartilhar suas bondades. Coitadas!

O que percebo de bom no texto é que ele recomenda manter distância das pessoas más, desonestas, raivosas, mentirosas, negacionistas. Desse modo, fica explicado por que o Brasil está do jeito que está: estamos só dando empurrão em quem não presta.

Não é isso?

Etelvaldo Vieira de Melo


QUELQUES COMMENTAIRES SUR LES LETTRÉS DE FRANCE



La langue française c’est un langage très curieux. Son expression naturelle enchante la planète entière essentiellement par le fameux « pic ». La technologie moderne nous apporte sans délai des livres de constant intérêt: Le Petit Prince, d’Éxupèry; Mme Bovary, de Flaubert; Tartuffe, de Molière.  Trés bien. Nous croyons qu'Il est juste d'étudier avec louange les précepteurs de  l'actuelle littérature mondiale.                                                    
Guillaume Apollinaire se révèle impotant, sous notre point de vue, par ses audaces poétiques. Alcools (1913) reprend des thèmes classiques comme la fuite du temps, la mélancolie. Cependant, ce romancier s’appuie sur ces innovations: juxtaposition des images surprenantes et l’absence de ponctuation qui libère le vers dans Calligrammes. Ici, chaque poème forme um dessin.

Baudelaire se situe au carrefour de toutes les influences du 19e siécle. Sa poésie annonce déjà le Symbolisme. Le recuel le plus célèbre, Les Fleurs du Mal (1857), montre un poète tiraillé entre le spleen et l‘idéal, le mal et le bien, la laider et la beauté.

Rousseau (1702) symbolize un oiseau rare, en avance sur son temps. Grand penseur du siècle des Lumières, il a impulsé de nouveaux mouvements littéraires. Son plus grand livre c´est Contrat Social (pour lequel le discipliné Kant aurait fait une entorse à sa routine, afin de s'en procurer un exemplaire).

Qui n'a pas entendu parler de La Fontaine (1621)? Mieux encore, le nom de La Fontaine devient indissociable du genre de la fable.  La Cigale et la Formi, Le Courbeau et le Renard, La Mort et Le Mourant, signifient une profonde connaissance de l’âme terrestre. Il ne faut jamais dire: Fontaine, je ne boirai pas de ton eau.

Guy de Maupassant (1850 - 1893) devient un maître de la nouvelle réaliste, proche de Balzac et Zola. Boule de Suif est, selon les dires de Flaubert, "un chef-d'oeuvre qui restera". Il cherche à restituer le réel à travers d’un regard personnel et saisissant. Guy excelle dans la forme courte dans Le Horla, Qui Sait?, Contes du Jour et de la Nuit, par exemple.

Albert Camus (1913-1960) refléte sur l’absurde, pour dépasser notre condition tragique en Le cicle de la Révolte, Le cicle de l’Absurde, L’Étranger. Dramaturge, romancier, philosophe, son originalité ne se laisse embrigadé dans aucun système de pensée. En fait, Camus avait un énorme sens humanitaire et solidaire, d’où son travail acharné contre les méchants.

Chers collègues.  C’est tout ce que j’ai pouvais faire dans cet endroite.  Une centaine de pages ne serait pas en mesure de mentionner toutes les français écrivains. Malheureusement, j’ai dû couper une belle partie de mes recherches. Ceux qui souhaitent participer à ce panthéon artistique, peuvent le trouver en librairie.

Merci, mes lecteurs, pour sa aimable attencion.

Bisou.

Graça Rios


CASO DE POLÍCIA

 Não adianta resistir, você precisa da TV.


O BOM, O MAU E O ENXERIDO

Veja você como a vida pode ser cruel: não foi só Neymar que viu frustrada a sua pretensão de comemorar o réveillon com uma festa para 500 pessoas; eu também, por causa da pandemia, fui impedido de me hospedar no Copacabana Palace e assistir à tradicional queima de fogos de artifício na praia de Copacabana, quando da virada de ano. O que tive mesmo de fazer foi ficar em casa, assistindo à minha série coreana favorita do momento (Melodia de Esperança) na Netflix, saboreando uma pizza comprada no Bem Hortifruty e degustando um espumante espanhol, adquirido na Evino (o merchandising aqui é de graça, promoção de ano novo).

Quando os foguetes começaram a espocar (pipocar, diria melhor, embora nos tempos de antigamente, o que eles faziam era estourar, afugentando cães vira-latas e pessoas medrosas), dei uma pausa na TV e fui até a área da cozinha assistir à queima de fogos pelos céus do bairro. Foi quando aprendi a primeira lição a ser vivida no ano novo: quem não tem cão, caça com gato; isto é, quando você não tem uma coisa, faz com outra. Quando a opinião publicada começou a cair de pau em cima de Neymar por causa da badalada festa em sua mansão de Mangaratiba, o que ele fez foi colocar o rabo entre as pernas e ir comemorar o réveillon em seu apartamento de cobertura em Camboriú. Eu, impossibilitado de me hospedar no Copacabana Palace, tive que me contentar em ficar olhando pros céus do bairro. Percilina Predillecta e Thor estavam ao meu lado. Thor, tentando afugentar o medo, mastigava raivosamente um osso, enquanto Percilina cuidava de fotografar e filmar com seu smartphone recém-adquirido a coreografia dos fogos se espalhando pelo céu.

Não foram muitos os foguetes a espocarem, pipocarem, estourarem, mas julguei que eles foram na dosagem justa para o que foi o ano de 2020. Também julguei que as pessoas que se deram ao trabalho de soltar seus fogos foram honestas o suficiente para não criarem expectativas utópicas para o Ano Novo. De qualquer modo, foram foguetes que se espalharam pelo céu, anunciando uma esperança que, embora debilitada, permanecia viva.

P.S. Esqueci que estamos no Brasil: Neymar acabou dando a festa para seus “parças” na sua mansão de Mangaratiba. Seu exemplo se soma ao do regridente do país, em gesto de pouco caso para com uma epidemia que já matou entre nós mais de 200 mil pessoas. Péssimo exemplo, ainda mais se comparado ao de outro ídolo do futebol, Cristiano Ronaldo, que, na mesma data, fazia uma discreta comemoração em família no seu apartamento de Turim.

Depois de ridicularizar os que criticavam a sua festa, dizendo que era tudo por despeito e inveja, Neymar postou fotos dos preparativos. Falou: "Decoração maravilhosa, jantarzinho de casa com distanciamento entre uma cadeira e outra e não é para 500 pessoas, tá?", disse, aos risos. Na legenda do vídeo, relatou: "Todos aqui para sermos felizes, depois de um longo e difícil ano! Nós merecemos celebrar as nossas vidas! Momentos únicos vão ficar eternos em nossa memória".

Enquanto isso, de seu apartamento, Cristiano Ronaldo postava esta mensagem: "2020 não foi um ano fácil, não há dúvidas sobre isso. Ninguém pode ficar indiferente à dor e ao sofrimento que a COVID-19 trouxe ao mundo. Mas agora é hora de se recuperar e mostrar que, juntos, podemos fazer a diferença. Porque, por mais difícil que seja a queda, o que realmente nos define é a forma como nos colocamos de pé e com que rapidez estamos prontos para enfrentar novos obstáculos", completou. No texto, Cristiano Ronaldo fala ainda em fazer de 2021 um "novo começo" e diz acreditar que todos ainda podem se tornar as melhores versões de si mesmos. "Feliz Ano Novo! E que 2021 seja um ano inesquecível pelos melhores motivos!", afirmou.

É isso aí.

Etelvaldo Vieira de Melo

ANO NOVO: MORADA DE SONHOS E DESEJOS, TEMPO DE ESPERANÇAR


CLÁUDIA ADRIANA MARQUES

Depois de uma enquete com os meninos (Davi e Leonardo) e Denys sobre as expectativas para 2021, cheguei à seguinte mensagem:

Que em 2021 possamos voltar a conviver com leveza, sem medo de prejudicarmos uns aos outros, frente a um risco invisível aos nossos olhos. Enfim, vai embora Pandemia, deixa a gente aglomerar em paz!!

ETEVALDO BRITTO DIAS (XARÁ)

Minhas expectativas para o Ano Novo aparecem inevitavelmente iluminadas pelas luzes do Natal. As reflexões feitas no tempo natalino nos fizeram abrir portas e janelas da alma, sacudir e faxinar as sujeiras do egoísmo e instalar aí o domínio do amor. Fomos motivados a descer do pedestal da grandeza, do orgulho e da vaidade, para viver o espírito de parcimônia, de humildade e desapego. Recebemos lições de fraternidade, de partilhamento com os pobres, sabendo que o próprio Deus, por seu Filho Jesus, se fez um deles. Fomos, enfim, convidados a alçar voos mais altos, a vencer o desânimo e o abatimento e a alimentar a esperança de dias melhores.

Pois bem. As minhas expectativas para o novo ano passam por aí. Espero que 2021 seja um ano realmente novo:

- Que os homens e as mulheres superem sua mesmice, para assumirem sua dignidade de filhos e filhas de Deus, portanto irmãos, fraternos, solidários, sensíveis à dor dos marginalizados;

- Que aqueles e aquelas que receberam ou receberão funções políticas cumpram com responsabilidade seu importante papel social;

- Que todos consigamos, de fato, muito progresso no que diz respeito à superação dos preconceitos de toda espécie;

- Que as religiões assumam entre nós um papel libertador, promovendo a integração universal e a paz e não sejam usadas como "ópio do povo";

- Que a Ciência, a Política e a Economia sejam perpassadas pelo espírito do "bem comum" e que comecemos urgentemente a reconstrução da vida, na pós-pandemia, pela "ética do cuidado": cuidado com a nossa casa comum, a natureza, cuidado com a saúde da coletividade, com os pobres, com os diferentes, enfim, com o bem de TODOS.

Feliz Ano Novo para todos nós!

GERALDO USAC

Com a Pandemia do COVId-19, a maioria dos países tiveram gastos superlativos e viram as suas economias encolherem.

No Brasil, apesar de um crescimento positivo no último trimestre na área de serviços (em torno de 6,3%), o PIB do país (conjunto de todos os bens produzidos dentro de uma região ou país), que em 2019 foi de 7,4 Trilhão, em 2020 teve uma queda de 3,4%.

O que mais preocupa é que a nossa dívida (menciono “nossa”, porque nós é que vamos pagá-la com os nossos impostos) cresceu assustadoramente para algo em torno de 4,9 Trilhão, ou seja, quase atingindo o PIB do país, o que deixa claro que o Brasil está gastando quase o mesmo valor de tudo o que produz. A arrecadação de impostos (em torno de 34 a 45% de tudo o que consumimos, excluídos os impostos de cigarros e bebidas alcóolicas que são taxados em 80%), de janeiro a novembro de 2020, representou 1,32 Trilhão. Só em novembro do corrente ano foi de 140 Bilhões. Diante desses dados, pode-se deduzir que as nossas despesas superaram muito as nossas receitas, o que coloca a situação econômica do país em estado de alerta.

Ademais, como muitas empresas pararam de produzir, e uma parte até fechou as suas portas definitivamente, o governo se viu obrigado a “socorrer’ a população, concedendo inicialmente 5 (cinco) parcelas de Auxílio Emergencial, no valor de R$600,00, e posteriormente mais 4 (quatro) parcelas de R$300,00, tendo como final o mês de dezembro do corrente ano. Os valores em questão foram direcionados para os beneficiários do Bolsa-Família, trabalhadores informais, microempresários individuais (MEI), autônomos e desempregados. Com o fim do pagamento do Auxílio Emergencial, certamente a população mais carente passará por sérias dificuldades, pois o auxílio praticamente era usado para a sobrevivência das famílias.

Vale ressaltar, também, que o desemprego no país já atinge 14,4%, o que corresponde a 13,8 milhões de pessoas.

O índice de inflação utilizado no país (IPCA – índice de Preços ao Consumidor Amplo – Renda de 1 a 40 Salário Mínimos), atingiu nos últimos 12 meses 4,31% e, em 2020, 3,20%.

 Apesar dos dados acima, que retratam a dura realidade econômica do nosso país, temos que pensar positivamente 2021 como o ano da recuperação do Brasil, que tem tudo para crescer, pois temos uma economia bastante diversificada, com fabricação até de aviões, que cruzam os céus de grande parte do planeta, com um agronegócio pujante, um setor de serviços com crescimento expressivo, além de um enorme parque industrial. 

O sofrido povo brasileiro já passou por várias crises, já conviveu com períodos de instabilidade e com inflações altíssimas.

O que vai prevalecer nesse início de ano será o sentimento de solidariedade, onde o próprio governo, as ONG´s e toda a sociedade terão que se engajar em campanhas de ajuda aos mais necessitados, pois como ainda não foi aprovado nenhum projeto no Legislativo acerca da continuidade dos programas assistenciais, até que a(s) vacina(s) seja(m) finalmente aprovada(s) pela ANVISA, continuaremos a conviver com as incertezas da economia que, assim como a Pandemia, também trazem insegurança e medo para a população.

JD VITAL

Um Ano Novo feliz... com vacina!

MÁRCIA CHAGAS

Desejo que o ano novo seja de paz junto aos familiares. Abraço carinhoso; obrigada por sua amizade, valeu demais neste ano que se vai.

MARCOS GERALDO SOARES

Durante o corrente ano tivemos a oportunidade de nos deliciar com belas crônicas e, de vez em quando, poemas do nosso amigo Etelvaldo, a quem parabenizamos pela dedicação e carinho com seus leitores. As crônicas e poemas retrataram com zelo e inteligência os momentos que temos vivenciado, com pitadas de humor e críticas aos desvios que as nossas autoridades têm conduzido um problema tão sério: a Pandemia, que até agora tem tido altos e baixos.

Sabemos o quanto é difícil viver em isolamento social, longe de parentes e amigos, sendo fortuitos os encontros. Vivemos um ano de lives, whatsapp, o celular tem sido a nossa forma constante de contato com as pessoas que amamos. Recebemos notícias boas e outras nem tanto, mas temos sobrevivido neste ano de tantas perdas e descaso pela saúde pública. Fomos, na medida do possível, alertados sobre os riscos que iríamos correr, sempre na espera de uma vacina – que, graças a Deus, parece promissor - que nos resgatará desse medo latente dentro de cada um de nós. Os cientistas se desdobraram nesses estudos. Infelizmente, alguns políticos inescrupulosos desdenharam de tal situação, ora negando, ora desviando recursos da saúde e colocando os interesses individuais acima do coletivo, procurando o enriquecimento ilícito ou a obtenção de ganhos políticos. Graças às mídias sociais, muitos desses casos foram denunciados, inclusive através das crônicas do nosso amigo.

Além da Pandemia, tivemos a oportunidade de escolher os futuros gestores de nossas cidades. Muitos cidadãos deixaram de participar do pleito, abstendo-se do direito e da responsabilidade da escolha. Sabemos que os motivos para tal atitude podem ser justificados pela descrença nos falsos “homens públicos” e no receio de aglomerações, neste ano crítico de apelo ao isolamento social.

Apesar de tudo, devemos agradecer pelo dom da Vida. Gratidão foi uma das palavras mais evidenciadas durante o ano, acompanhada de Esperança. Esperamos que no ano vindouro as coisas sejam melhores para todos nós e que possamos superar esta Pandemia, sair do isolamento e nos encontrar com nossos parentes e amigos, retornando ao nosso cotidiano com muita saúde e paz.

Que sejamos gratos pelo ano que termina e tenhamos um 2021 de prosperidade, saúde e paz!

MAURO PASSOS

O Novo do Ano estará nos gestos de cada dia. Como escreveu Gandhi: “Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo”.

RAIMUNDO SANTIAGO FERREIRA

Etel: Não acreditei que você estava falando sério quando me convidou para participar da resenha para o Ano Novo, a ser publicada no blog BBCr. Você, conhecedor de meu pobre português... Por acaso não está lembrado, quando me dizia: “Santiago, se você chegar a ler 10% do que trago aqui pro barraco, você será bem mais instruído!”. (Para quem não sabe, durante alguns anos, moramos juntos numa “república”.) No entanto, já que insiste, e gastando o restante de meus neurônios, posso dizer o seguinte: - Em 2021, espero ganhar na Mega Sena - sem jogar, fazer muitas viagens internacionais – sem coronavírus (menos pra Pasárgada, que já conheço bem e onde sou amigo do rei) e ter amigos mais ativos ou participativos. Abraço do Rafa. Ufa!

TADEU GANDRA

Etelvaldo, obrigado por todos os sábados que você me alegrou com suas crônicas. Espero que tenhamos um 2021 melhor pra todos.

VICENTE DE MELO

2020, com certeza, foi um ano atípico em todos os sentidos. A pandemia da Covid-19 provocou mudanças de rumo profundas, quer na área sanitária como nos campos social, político e econômico.

Esta constatação se constitui na premissa básica para a esperança e o desejo de que em 2021 a humanidade possa se libertar de todas as dificuldades vivenciadas com a presença do Coronavírus.  Contudo, que saibamos conviver com um vírus que veio para ficar, como tantos outros. Se eu vacino todos os anos contra a H1N1, passarei a vacinar contra a Covid-19 e, ao falar assim, evidencia-se para mim a probabilidade de termos disponível uma vacina segura e eficaz.

Estamos e estaremos todos no mesmo barco. Fazendo eco às palavras do professora Maria de Fátima Freire de Sá, da PUC/MG, em seu artigo “Vidas de idosos importam: o pacto pela Vida é para todos”, desejo para 2021 que “equidade e solidariedade devem nortear a implementação de políticas públicas. Viver mais – e eu quero -  não pode ser um castigo a justificar discriminação.”

Desejo à equipe do blog e aos seus leiturinos um 2021 de muita saúde física, mental e espiritual, paz e realizações. Abraços de serenidade.