Temeroso de que tudo tivesse um fim,
guardei na varanda viris antúrios
e galhos antigos de alecrim.
(Rodrigo Bro)
De todos os feitos em Minas Gerais, o Governador Zema se
esqueceu de criar e imediatamente privatizar a “Secretaria de Perguntas sem
Respostas”. Seria a bandeira do seu cargo de vigia, sem escada, em Belo
Horizonte. Veio vindo, ficando, privatizando e, agora, com a graça dos deuses,
indo e, ainda assim, continua “ayatolando” a educação, a saúde, o meio ambiente
e outros bens públicos (sem falar da Copasa, Cemig etc.). Como um espadachim de
estilingue, quer, neste final de mandato, leiloar “95 Escolas Públicas”.
Precisa ter coragem para tamanha erudição – fazer um escuro mal iluminado na
educação! No final do ano passado, sem a tal “secretaria”, criou a roleta da aprovação
nas escolas estaduais. Uma invencionice privada, pois a avaliação e o ensino
devem caminhar juntos, uma não existe separada do outro. A avaliação identifica
o erro e os acertos. Que não haja mal-entendidos, mas Minas terá nos seus
arquivos a história de um “Prometeu” (não acorrentado) que, privatizando o
fogo, não conseguirá fazer tanto churrasco como em Minas (a dívida atual de
Minas Gerais é a maior entre os estados brasileiros). Fato irônico e difícil.
Há outros fatos, feitos, fotos e coisas com “banana” e com “casca”. Como
escreveu São João, em seu evangelho: “Ora, fez ainda muitas outras coisas. Se
todas fossem escritas uma por uma, seria assustador (João 21, 25b). Não sei por
que, aliás, sei que levando os fatos ao encontro do pensamento, me lembro do
imperador Adriano. Certa vez, perguntou ao filósofo Favorino por que sempre lhe
dava razão, quando, muitas vezes, ele mesmo sabia que não estava certo. O
filósofo lhe respondeu: “Majestade, você tem legiões de políticos interessados
em lhe apoiar”. É apenas uma suspeita, ou melhor, uma pista. Como se sabe, a
ordem política está desidratada no Brasil. Não encontra abrigo em atividades
para o bem da população. Mas nem tudo está escuro. “Ouvo” dizer que o
governador de Minas será candidato à Presidência da República. Não cabe
discutir essa questão. Em vez de dizer que temos olhos para ver, é melhor
afirmar que vemos porque temos olhos. O cenário das eleições está aberto. Nós
que aspiramos ao bem, não podemos deixar que as dificuldades imobilizem a
construção da democracia e da cidadania. Para finalizar: atualmente, procurar o
pote de ouro no fim do arco-íris é salvar o Brasil. Esse processo de liquidação
da política, feito pelos políticos, pode ter fim. Afinal de contas o “Fiat” da
criação foi só o começo. Podemos criar outra secretaria – a “Secretaria da
Esperança” em cada região, cidade ou instituição. E, assim, levar a política a
sério. Todo bem é um progresso. Uma resposta.
(Mauro Passos)
0 comentários:
Postar um comentário