A cada momento,
a faculdade de compreender abre um mundo.
(Wilhelm Dilthey)
A dimensão do encontro amplia o sentido da vida. Dialogar com outras culturas é um caminho para entender e compreende as diversas culturas. Por isso, vida combina com surpresa que nos revela a nós mesmos. Foi o que aconteceu com um antropólogo quando terminou os estudos e voltava da tribo Ubuntu. Propôs uma brincadeira para as crianças, enquanto esperava o transporte para o aeroporto. Colocou um cesto com doces e bala, debaixo de uma árvore, posicionou as crianças em linha reta e combinou que quando dissesse a palavra “já”, elas deveriam correr até o cesto e a que chegasse primeiro ficaria com o cesto. Posicionadas, as crianças esperaram o sinal. Depois da palavra de ordem, todas deram as mãos e foram andando em direção ao cesto. E, assim, as crianças repartiram as balas e os doces e disseram: Ubuntu ( “Eu só posso ser com os outros”). Fazemos parte de uma realidade maior que nós mesmos.
Vivemos tempos perigosos: tempos de vítimas, exclusão, intolerâncias, guerras. A situação se radicaliza quando os valores fundamentais – paz, justiça, liberdade, verdade, direitos – perdem seu valor e legitimidade. Reivindicando o nome da verdade, são formados blocos de poder e coalizações para subjugar, reprimir e matar.
“Num tempo em que os deuses já partiram ou ainda não chegaram”, quais os caminhos para uma educação humanizadora? Que horizontes podem ser demarcados? Um campo de reflexão é repensar sua função social, política e cultural. Um tempo carregado de inquietudes pode trocar de roupa. Ousadia, utopia e sonhos cultivam novos projetos. Mexer com a existência humana é mexer com toda a vida. Isso levou diversos líderes e movimentos a repensar a educação, considerando os direitos humanos, sociais e políticos. Gandhi, por exemplo, libertou a Índia do domínio inglês com os princípios da desobediência civil não violenta. Liderou campanhas para eliminar a injustiça, a pobreza e expandir os direitos humanos. Com essa perspectiva, Paulo Freire produziu um novo paradigma educacional – A pedagogia do oprimido. Segundo ele, a educação pode resgatar o sentido das utopias sociais necessárias para combater as estruturas desumanizadoras. Sendo a educação uma comunicação entre sujeitos, terá que se ocupar das condições para que os sujeitos interajam com a cultura, participem das novas redes de associação, movimentos e utilizem os recursos das mídias. Mais ainda: “ser com os outros”. Por isso, aponta para a tarefa de educar, pensar e criar. O ato de pensar já é um movimento de liberdade. Uma política com sonho é capaz de acordar a esperança para um mundo melhor com paz e justiça. É uma luta para salvar a liberdade e a verdade. Acordar a esperança pede coragem, movimento, diálogo. Diante de tantas notícias falsas (Fake News) na política, precisamos trocar ideias, criar espaços de encontros e educar nosso olhar. Tarefa difícil e desafiante. Como lembra a canção: “Eu só peço a Deus, que a mentira não me seja indiferente, se um traidor tem mais poder que um povo, que este povo não esqueça facilmente” (Canção: “Eu só peço a Deus”). O sentido da vida é deixar-se envolver por um amor que faz partilha. Ubuntu.
(Mauro Passos)
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