ODE A MINAS


 


No meio do caminho de Minas

tem um Zema

tem um Zema no meio do

caminho

no meio do caminho de Minas

tem um Zema

 

Nunca quero me lembrar desse

desastre

na vida das Gerais de Minas

tão inconfidente.

Nunca quero me lembrar que

no meio do caminho de Minas

teve um Zema.

 

(Mauro Passos)


SHOULD WE TRUST FUX?

Imagem: Freepik


Quando deparo com alguma coisa que não entendo e percebo se tratar de algo sério, não sossego até escrever a respeito, buscando uma resposta para meus questionamentos. O ato de escrever é uma forma de ficar em paz comigo mesmo.

Um exemplo. Quando surgiu a Lava Jato, tive, num primeiro momento, o impulso de concordar, por ser a corrupção no país uma doença crônica, quase impossível de erradicar. No entanto, logo-logo, ainda sem entrar no mérito da questão, fui tomado de desconfiança, ao ver os personagens envolvidos e quem os apoiava, especialmente a Rede Globo. Pensei: - Desse mato não vai sair algo que preste. Dito e feito, pois logo percebi seu caráter seletivo e o perigo de sua máxima de que “os fins justificam os meios”.

Desde então, a Lava Jato, com seu time, passou a ser mais bem compreendida e explicada, não me surpreendendo com mais nada. O retrato acabado de tudo foi ver Sérgio Moro abraçando Jair Bolsonaro, mostrando para quem ainda teimava em duvidar toda sua natureza sórdida.

Ter uma postura crítica diante dos acontecimentos nos ajuda a perceber com clareza as intenções e os interesses dos envolvidos, impedindo que façamos juízos precipitados e de consequências perigosas.

Outro que não me surpreendeu foi o Partido Novo, com seu discurso de moralidade (é sempre recomendável ter desconfiança dos moralistas), como se se fosse passar a limpo a política brasileira. Logo vi que se tratava de uma baboseira, conversa para enganar trouxa, uma vez que, de acordo com as palavras bíblicas – com as quais concordo – “não se coloca remendo novo em tecido velho”. Sabemos que a estrutura política do país envelheceu muito rápido e requer uma reforma radical. Só com essa reforma será possível fazer algo moderno e transformador. Que o diga o presidente Lula, que vive perdendo anéis para salvar os dedos, fazendo concessões e mais concessões a um Congresso fisiológico, que só quer o “venha a nós”. O Partido Novo logo mostrou sua verdadeira cara reacionária e ultraliberal, num país marcado por disparidades sociais e controlado por uma elite que só cuida de seus interesses.

Infelizmente, naquela ânsia de renovar, de buscar algo novo, os eleitores de Minas Gerais, embarcaram na onda do tal Partido Novo, elegendo um tal de Romeu Zema, neófito na política, mas que logo se cercou com o que há de pior para os interesses da maioria da população. Sem contar que ele cuidou de colocar seu próprio salário lá nas alturas, enquanto expandia sua sanha de sucatear em todos os sentidos o Estado.

Mas o Zema precisa ser analisado melhor, além daquele estereótipo caricato de alguém que desconhece Adélia Prado e produz vídeos ridículos comendo banana com casca. Penso que pode haver algo bem mais tenebroso por trás de suas encenações.

Mas veja o que ocorre com Luiz Fux, juiz do Supremo Tribunal Federal. Para entendê-lo, recorro novamente a uma citação bíblica a dizer: “uma árvore se conhece pelos seus frutos”. Vejamos:

Em 1º de fevereiro de 2011, foi indicado pela Presidente Dilma Rousseff para ocupar uma cadeira do Supremo Tribunal Federal (STF). Já em 2017, votou no TSE a favor da cassação da chapa Dilma-Temer, referendando a famosa expressão de “cuspir no prato que comeu”, coisa que os juízes indicados por Jair Bolsonaro, Kássio e Mendonça, absolutamente não fazem. Em 23 de março de 2011, Fux deu o voto decisivo contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2010. A decisão do Supremo Tribunal Federal, considerando a aplicação da lei nas eleições de 2010 inconstitucional, beneficiou diretamente vários candidatos cuja elegibilidade havia sido barrada por causa de processos na Justiça. Já a nomeação de Marianna Fux, filha de Luiz Fux, como desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em 2016, pelo quinto constitucional, gerou intensa controvérsia no meio jurídico brasileiro. Críticos, incluindo conselheiros da OAB-RJ, tentaram impugnar sua candidatura, alegando insuficiência na comprovação de dez anos de exercício advocatício ininterrupto, mas a impugnação foi rejeitada. A influência de Luiz Fux foi apontada como fator decisivo para a nomeação, levantando acusações de nepotismo indireto. Reportagem da revista Piauí revelou que Fux articulou a candidatura desde 2013, com apoio de aliados como o ex-governador Sérgio Cabral. Particularmente, eu me lembro do eminente juiz ter dito na época, em tom lamuriento, não dispor de bens para deixar para sua filha, razão de seu empenho em dar um empurrãozinho para sua nomeação.

Nos últimos tempos, temos assistido a Luiz Fux tomando atitudes nos processos envolvendo Jair Bolsonaro, discordando de sua condenação e prisão. E é trágico ver ele, guardião da Constituição, defendendo alguém que nunca quis jogar dentro das “quatro linhas” e grita aos quatro cantos seu horror à democracia. Como a filosofia de vida do ministro tem demonstrado que é a do “toma-lá-dá-cá” (ele mesmo usou a expressão “mato no peito”, numa barganha em favor de determinado interesse seu), a gente fica se perguntando quais interesses ocultos estão por trás de sua ação. Já estou vendo balões de ensaio circulando pelos ares da Internet, dizendo que ele vai pedir vistas do processo. Se assim for, estará abrindo de vez a porteira para que todas as espécies de canalhas tomem de vez conta do país, dando razão àquela frase, atribuída a Charles de Gaulle, dizendo que o Brasil não é um país sério, com seu povo sendo tratado como palhaço.

Etelvaldo Vieira de Melo


A MAIORIDADE DA NAÇÃO

 



O brasileiro é antes de tudo um forte.

(Relembrando Euclides da Cunha)

O que está acontecendo no mundo hoje? Quais os desafios (e escolhas) que temos? Diante de tantos problemas basta esperar uma dose diária de milagres? E o Brasil? Mais ainda: as questões na ordem do direito, da ética, da democracia, do meio ambiente, entre outras, exigem uma postura mais séria e digna do Congresso Nacional e do Senado (“ménage” difícil). São questões abertas que esperam atenção dos poderes públicos. A relevância do poder político é lançar luzes para a história e a nação. Particularmente para a soberania da nação ameaçada pelo déspota “não esclarecido”: Donald Trump. Detalhe: o roteiro do golpe está traçado para as eleições em 2026 com as declarações desse presidente. E aplaudidas por muitos deputados, senadores, governadores e bolsonaristas. Infelizmente, hoje quem comanda a política é o mercado, o capital especulativo, o agronegócio. Então, qual o caminho? Mobilizar a solidariedade é um caminho para defender a nação. Hoje enfrentamos um vírus pior que a Covid-19 – o poder, a ganância, a violência, a opressão. Como reagir? Qual a vacina contra o imperialismo norte-americano que interfere na soberania brasileira? A taxação de 50% sobre os produtos brasileiros e a intromissão em questões políticas afetam o modo de vida e ameaçam a democracia brasileira.

Diante desse quadro, a solidariedade ao Governo Lula e ao Ministro Alexandre de Moraes é um valor ético. Não podemos, neste momento, fazer de conta que nada está acontecendo. É preciso debates, informação, esclarecimento nas redes sociais para garantir a democracia e a soberania da nação. Eis que de repente, não mais que de repente, a bancada do “centrão”, dos bolsonaristas, dos partidos de direita mudou o discurso. Estão lançando uma campanha: “Pacote da paz”. É bom lembrar que nunca é tarde para abrir os olhos. Vão pacificar o país – “sem perder o alvo (PT) jamais”.

O escritor Graciliano Ramos nos ajuda a entender o significado do autoritarismo e das questões sociais, políticas e econômicas no livro “São Bernardo”, um grande romance brasileiro. O mundo para o personagem central da obra, Paulo Honório, é uma “enorme coleção de mercadorias”. Ele é a força universal, expressão da ordem social e salvador da lei (Qualquer semelhança com Trump é mera coincidência!).

O governo de Donald Trump perdeu os valores tradicionais. Perdeu o sentido de política, comunidade e laços sociais. O foco de nossa atenção deve ser outro. Nós somos a Pátria. Somos o Brasil do presente e do futuro. A esperança é nossa cor – povo, terra, cultura e religiões. O mundo nos inveja: alegria, criatividade, perseverança, biodiversidade.  Esses são antídotos contra a força corrosiva norte-americana e de seus aliados brasileiros. Ser brasileiro é exercer a cidadania com coragem, lucidez e senso crítico. “Nada acontece sem luta. Mas a promoção da democracia em todos os níveis é uma luta que vale a pena empreender e pode ser vitoriosa”, segundo o sociólogo Anthony Giddens. Reagindo, assim, de forma positiva defendemos nossa maioridade como nação. Terminando, cito o pensador Zygmunt Bauman: “Ou a humanidade se dá as mãos para juntos nos salvarmos ou então engrossaremos o cortejo daqueles que caminham rumo ao abismo”.

(Mauro Passos)

 

 

 

QUE DEMOCRACIA É ESSA, GENTE?!


  

Uma foto vergonhosa de gente sem vergonha

Antes de entrar no assunto principal, sobre os vassalos bolsonaros do imperialismo estadunidense, faço uma crítica à farsa democrática que foi marcada pela captura do orçamento público, a falência das instituições e o avanço do niilismo político corrosivo.

Esses parlamentares venais de extrema-direita alimentam a fúria popular por meios digitais, enquanto o escárnio substitui a ética, diante da paralisia institucional. Uma farsa democrática que alimenta e mantém tudo como está, onde os congressistas usam o mandato unicamente para seus OBJETIVOS INDIVIDUAIS, descaradamente. Um Congresso bolsonarista contra o país, onde o orçamento público é usurpado para bancos, para emendas parlamentares, sem remetente e sem recebedor formal e constituído de sabotadores das bases democráticas!

Essa semana fizeram romaria a FAVOR DE TRUMP, e levantaram a faixa “MAKE AMERICA GREAT AGAIN”, contra o Brasil e a favor do tarifaço.

Dando continuidade, Bolsonaro faz escárnio das instituições, e seus seguidores festejam. Isso é uma lavagem cerebral ou lobotomia coletiva, além de justificar a ignorância por terem feito desse ser infame seu representante, optando pelo quanto pior melhor. Também os vampiros da Fazenda Pública, com seu lobby, são muito fortes, o tal Centrão. Subornam seguimentos da mídia para que a visibilidade da crise seja reduzida a conflito de valores, impondo a pauta que lhes é oportuna.  A mídia-capacho-do-imperialismo coloca cinicamente o miliciano inelegível nas pesquisas para presidente, como se um criminoso pudesse disputar uma eleição. Há um acinte maior que esse a uma democracia?

Essa mesma mídia fez a maquiagem de “O MODERADO” para Tarcísio, que foi capitão do Exército e ali teve sua origem bolsonarista. Mas, como toda maquiagem, também essa caiu por terra. Tarcísio, o moderado, segundo Estadão e Globo, colocou o boné “MAKE AMERICA GREAT AGAIN” e disse: "Grande dia!”, no dia em que Trump anunciou a taxação. Ferrou-se! Ele jogou por terra a imagem falsa que haviam criado para ele.

Outra questão importante é o domínio no Congresso pelos pastores (como Sóstenes - presidente do PL) e Nikolas (filho de pastor), controlados pela sede de poder de Malafaia. No documentário APOCALIPSE DOS TRÓPICOS, na Netflix, Malafaia é o ator principal, e descaradamente mostra em entrevistas como o movimento evangélico abriu caminho para toda essa corja bolsonarista congressista e o miliciano-mor, além de sustentar a crença que cristãos têm que tomar o poder |("teologia do domínio") e moldar o Estado segundo preceitos bíblicos. Essa força emerge não como uma força religiosa, mas como uma força de poder, que visa transformar a DEMOCRACIA em uma TEOCRACIA para somente beneficiar os cristãos organizados, em detrimento da minoria. Nikolas, Michele e Sóstenes são os contaminadores dessa teoria do domínio contra a democracia. No documentário, tem um trecho assustador, em que Malafaia assume a influência e a CHANTAGEM das igrejas evangélicas na política brasileira. 

Não poderia deixar de falar da preocupante aprovação do PL DA DEVASTAÇÃO, festejado pela bancada bolsonarista da Bala, do Boi e da Bíblia. Se Lula não vetar, tudo vai ruir nos próximos 10 anos. Três milhões de quilômetros quadrados já foram destruídos, as florestas substituídas por plantação de soja, criação de gado, mineração e garimpo são o retrato do desastre ambiental. As cidades onde o agronegócio tem presença apresentam o menor IDH do país. Bancadas do BBB (do Boi, da Bala e da Bíblia) são altamente destrutivas para o meio- ambiente e para o país; para eles, o desenvolvimento só se dá com a destruição!

Essa elite BURRA não tem uma relação de negociação, mas somente de IMPOSIÇÃO.

Trump, ao alinhar sua retórica em defesa irrestrita das Big Tesch, não apenas reafirma sua subordinação aos interesses do Vale do Silício (que abriga Aplle, Facebook, Google, etc.), como também instrumentaliza o caso brasileiro para enviar um recado global: qualquer nação que desafiar a supremacia digital norte-americana será punida. Não por meio de mísseis, mas por meio de tarifas, manipulação de mercados, desestabilização institucional e campanhas de desinformação internacional. Nesse contexto e por total ignorância, os bolsominions querem liberdade nas redes sociais para postagens como as citadas permanecerem intocáveis: “antidemocrático”, “terrorismo”, “discriminação”, “ódio à mulher”, “homofobia e transfobia”, “induzimento a suicídio”, “crimes sexuais e pornografia infantil” e “tráfico de pessoas” ... pasmem! Essa é a liberdade que eles querem e lutam contra o Xandão por estabelecer a proibição!

Para quem votou num cara que planeja assassinar presidente, vice e ministro, tá "Serto"!

Concluindo:

A ofensiva da classe dominante, burguesia capitalista, aconteceu no impeachment da Dilma, manifestando-se na degradação e corrupção política, naquele covil de bandidos que é o Congresso, e se constituiu essa força política ultra-liberal no Brasil. Encontraram no Bozo seu representante, com todas as características abjetas e fascistas necessárias. Eu não tenho nenhuma expectativa celestial com a justiça brasileira, mas parece que vão trancar o criminoso. Dudu Bananinha, que renunciou ao mandato para atuar como escoteiro do imperialismo, tem um discurso alinhado ao psicopata megalomaníaco Trump e, como um vassalo do imperialismo, está dobrando a aposta. Sente-se muito à vontade para se colocar como TRAIDOR DA PÁTRIA, pois tem como padrinho o criminoso Steve Bannon, acusado por crime de fraude (perdoado por Trump), e participação no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 (tentativa golpe), coincidência com a tentativa de golpe aqui, com o mesmo modelo “DEUS, Pátria e Família” (e um bom terrorismo de Estado)!

Dudu Bananinha enquadra Moraes como um ditador, mas é justamente ele que faz apologia à tortura, elogia a ditadura assassina de 64 e usa a camisa com a foto do torturador Brilhante USTRA… é uma sopa de canalhice e hipocrisia! Ele sabe que Trump não vai salvar sua família. Mas aposta que, ao dobrar a aposta na radicalização, poderá criar um ambiente suficientemente caótico para interferir nas eleições de 2026. O exílio voluntário é transformado em narrativa messiânica. O golpismo fracassado vira martírio estratégico.

Precisamos ter o foco de erradicar a bandidagem dessa ”familícia”! Precisamos ter o foco em limpar esse congresso dos 300 picaretas bolsonaristas e voltar com essa gentalha para o esgoto ou para penitenciária, junto com o chefe da quadrilha, Jair!

Tarcísio representa uma continuidade da lógica de submissão, da entrega, da alienação do que resta do Estado brasileiro. Seu projeto, embora mais silencioso, é igualmente hostil à soberania. Ele não repele o bolsonarismo: apenas o encapsula numa embalagem aceitável. É a ultradireita de gravata, o golpismo por dentro da norma, a captura neoliberal disfarçada de eficiência.

Se o Brasil resistir até 2026, terá vencido não apenas uma eleição, mas uma guerra. Uma guerra contra o projeto de recolonização digital e financeira, contra a tentativa de transformar o país numa filial algorítmica da política externa norte-americana. E essa vitória, se acontecer, não será de Lula apenas, mas do povo brasileiro e de todas as nações que ousam desafiar a ordem imperial.

Ellen Pietra

DIÁLOGOS PLANTÔNICOS


 
Imagem: Pinterest

- Sabe quem foi Kafunga?

- Sei, sim. Olavo Kafunga Bastos foi um ex-goleiro do Atlético e comentarista de esporte numa emissora de rádio, aquela que “vende espaço, mas não vende opinião”, cabide de emprego para candidatos a cargos políticos.

- Pois é. Kafunga é autor da frase “Não tem coré-coré: gol barra limpa!” (ou “barra suja”, em caso de irregularidade). É também dele a frase antológica “No Brasil, o errado é que está certo”, querendo dizer que, por aqui, as coisas tidas como certas muitas vezes estão erradas.

- Mas qual o propósito dessa lembrança?

- É que fiquei sabendo o que aconteceu com um juiz federal. Trata-se do responsável pela filial do Rio de Janeiro da Lava Jato, Marcelo Bretas. Ele se envolveu em tanta irregularidade que não teve jeito, acabou sendo condenado pelo Conselho Nacional de Justiça por suas inúmeras ilegalidades e parcialidades. O que me surpreendeu foi a pena imposta ao infrator: aposentadoria compulsória, com valor em torno de R$ 37.563 por mês.

- Mas isso é pena ou é prêmio? O moço deveria ir pra cadeia ver “o sol nascer quadrado”, lugar para onde ele enviou tanta gente de maneira ilegal.

- Há-há-há! É por isso que Kafunga dizia que o errado está certo.

- Para alguns, o Brasil é uma espécie de casa da “mãe Joana”, onde somente eles podem entrar. com seus cofres abertos e sempre à disposição.

- Políticos e militares são os maiores frequentadores dessa casa. Outro dia, fiquei sabendo de um sujeito que passou a receber aposentadoria da Assembleia de Minas simplesmente porque foi deputado estadual por um mandato de quatro anos...

- Enquanto isso, um assalariado tem que trabalhar por trinta anos ou mais para receber uma miséria de aposentadoria.

- Veja o que acontece no meio dos militares. Quando um comete irregularidade, chega a ser expulso, é tido como morto, e sua família passa a receber pensão. Isso sem contar as pensões vitalícias das “conjes” e filhas.

- Outro exemplo do que o que é tido como certo está errado vem de Jair Bolsonaro. Enquanto militar do Exército, cometeu a indisciplina de uma tentativa de atentado a bomba contra instalações militares (queria ganhar mais dinheiro). Foi preso, deveria ser expulso da corporação, mas o STM “passou pano” pra ele. Logo depois, sendo eleito vereador no Rio de Janeiro, foi reformado (aposentado), promovido a capitão.

- Que coisa! Parece que, no jargão militar, tentativa é gesto inocente. Daí, julgam irrelevante uma tentativa de explodir bomba ou de promover um golpe de Estado.

- Quando reformado, Bolsonaro passou a receber um valor de R$ 12 mil. Hoje, somados todos os seus proventos, temos um total de R$ 100 mil   de dinheiro público por mês.

- Pode detalhar um pouco as origens desses proventos, tirando os peculatos?

-  Pois não. Mais de R$ 42 mil vêm do cargo de presidente de honra do PL. Michelle Bolsonaro também recebe esse valor, como presidente do PL Mulher (dinheiro do Fundo Partidário, quer dizer, que sai do suor do assalariado). Como aposentado da Câmara, JB recebe R$ 46 mil; do Exército vem a quantia de R$ 12 mil. Juntando os proventos de todo o clã Bolsonaro (Jair, Michelle, Flávio, Eduardo, Carlos e Jair Renan), temos a bagatela de R$ 270 mil ao mês.

- Bom. Acho que, desse total, você deve tirar a importância de R$ 46 mil, correspondentes ao salário de Eduardo, já que ele pretende renunciar ao cargo de deputado...

- É mesmo, ele está trabalhando lá nos |Estados Unidos para o bem do “Brasil” e pretende renunciar ao mandato.

- Estou com muita pena do pobre coitado. Quando do golpe militar em 1964, Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, lançou a campanha “Ouro para o bem do Brasil”, para reerguer o país devastado pelo comunismo...

- Estou lembrado disso. Lá na minha terra, vi muitos casais se desfazendo das alianças de casamento, únicos bens de valor que possuíam. Até hoje ninguém sabe onde tanto ouro foi parar.

- Isso não importa. Deve ter sido bom para alguém. Quanto ao caso presente, pensei em organizar uma campanha de arrecadação, mais ou menos com esses dizeres:  

NÃO FIQUE AÍ PARADO. PROVE SEU AMOR AO PAÍS, À FAMÍLIA E A DEUS: PASSE UM PIX PRO EDUARDO!

Mas, depois, diante da implicância do Trump com o PIX, percebi que era inviável. Agora, estou sem saber o que fazer. Será que o amigo leiturino tem alguma sugestão de ajuda pecuniária ao Dudu?

Etelvaldo Vieira de Melo

CRUZADA EM DEFESA DO BRASIL E DE MINAS GERAIS

 


Nossas estrelas principais são

a luta e a esperança.

(Pablo Neruda)

 

A que tipo de serviço me sinto convocado no mundo hoje, no Brasil, em Minas Gerais? Como atuar de forma articulada? O Brasil já não é o mesmo, por isso, é preciso ser ousado. É sempre bom lembrar a crescente exclusão social, a globalização da miséria, da fome e da morte. É nesse contexto que ganha sentido pensar o lugar em que estamos e sua relação com o mundo. Em Minas Gerais, temos que pensar que o atual governo é um destruidor de acervos. Sua meta não é somente destruir/privatizar a Copasa, a Cemig e a Rede Estadual de Ensino. É se fortalecer no poder, tirar do povo o direito de decidir e privatizar a liberdade. Portanto, trata-se de uma questão maior. Questão que acontece também em vários países. Se o Brasil não é o mesmo, a soberania deve ser nossa causa: nossa luta. Soberania é autonomia, é ser dono de nossas fronteiras, de nossa cultura, de nossa terra, de nosso futuro, de nossa alegria. Para isso, precisamos ser ousados para agir no presente, olhar a realidade e crer no futuro. Olhar e pensar. Segundo a sabedoria milenar “pensar é o passeio da alma”. Aptidão para sair de si e contemplar (cuidar). Ser ousado é ir à luta. O Brasil carece muito de cuidado. Minas Gerais também carece de muito cuidado para não ser “zemado”. Ousadia é exercer o direito de ser cidadão; pede lucidez política, horizontes abertos, engajamento sem rotina e uma esperança imbatível. O que podemos fazer com o que está acontecendo com a educação em Minas Gerais? O que fazer em defesa da Escola Pública e contra a militarização das escolas estaduais? É bom lembrar que tudo começou com a “municipalização”; agora, a “militarização” e amanhã a “privatização” da escola pública. Como (re)agir diante do que nos assola, nos rebaixa, nos joga no campo da submissão? Educação vai além da escola.  Nessas questões, situa-se não uma moral – o certo e o errado, o bem e o mal –, mas uma responsabilidade ética; uma responsabilidade que carrega, sim, preocupação com o futuro, o bem comum e as novas gerações. É hora de pensar o “uso (direito) do voto” nas eleições em 2026. Nossas escolhas políticas interferem positiva ou negativamente em tudo isso. A pergunta (ética) que se instaura é: o que devo fazer ou como proceder nessa situação? O serviço ao Brasil (e a Minas Gerais) é apostar em lideranças, principalmente lideranças políticas, que não deixam de sonhar um país com a mesma qualidade de vida para todos. Mais ainda: escolher líderes que buscam o brilho das estrelas, reinventam a história e recriam o país.

(Mauro Passos)

UMA NOVA ARCA DE NOÉ...




O mundo não é humano por ser feito por pessoas,

mas só se torna humano

quando é objeto de uma conversa.

(Hannah Arendt)

 

Quando a gente sabe que está indo para frente ou para trás? E se pensarmos no Meio Ambiente? Hoje é o “Dia Mundial do Meio Ambiente”. Que caminhos estão traçados para a educação e preservação ambiental no Brasil? Será preciso uma nova Arca de Noé? Hoje, a sociedade apresenta desafios que tocam questões fundamentais – meio ambiente, paz, democracia, educação. Temas que exigem uma postura diferente e um olhar mais profundo da realidade. Temas que lembram líderes que lutaram por justiça, direitos humanos, políticos e sociais no Brasil- Dom Helder Câmara, Margarida Maria Alves, Zilda Arns, Manoel da Conceição, entre outros. Um detalhe a pensar: que líder nos causa entusiasmo, esperança e vontade de seguir? Um(a) músico(a), artista, religioso(a), jornalista, trabalhador(a), artista, político(a)? Mais que isso: “O líder é antes de tudo um forte”. Associa afeto e luta, encontro e partilha, respeito e verdade, razão e sabedoria, diálogo e humanidade. Abre caminhos para sonhos que pareciam adormecidos. O episódio no Senado Federal com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, combinou violência, machismo, misoginia. Esta cena mostra como muitos políticos atuam com a intenção de desmobilizar projetos para melhores condições de vida. Mais ainda: são políticos que veem a realidade a partir de interesses hegemônicos, emoldurados pelo poder e pelo lucro. Como é atual o escritor Lima Barreto em seu livro “Policarpo Quaresma”. Confira: “Não é só a morte que nivela, a loucura, o crime e a moléstia também”. Há muito que fazer e pensar nas próximas eleições – mais que um regime político, a democracia é um regime de vida. Ainda continuamos com sérios problemas na realidade. A saúde da democracia está na qualidade de vida, nas escalas de valores que a sociedade estabelece com a “natureza”. Precisamos preservar a vida. Foi por essa causa que Marina Silva foi atacada e continua sendo alvo de ataques de políticos que não defendem as políticas públicas voltadas para a preservação ambiental e aprovam medidas que contribuem para avançar o agronegócio, a mineração, esvaziando o trabalho do IBAMA e de outros órgãos de proteção ambiental. A ofensa ao meio ambiente é ofensa ao ser humano. Com argumentos, classe e harmonia, a Ministra mostrou imperativos de ordem ética e apontou direções e metas. No entanto, regidos pela lógica do lucro capitalista, pelo produtivismo e consumismo, estes políticos perdem a razão, a compostura e o respeito. O Meio Ambiente que somos e em que vivemos carrega consigo complexas relações. Meio Ambiente é o ar que respiramos, os alimentos que consumimos. Comporta, ainda, as filas nas repartições públicas, as cidades cinzentas, o trânsito ruim, o desemprego, as cachoeiras, a pobreza e a violência nas periferias, a fauna, a flora, a música, a corrupção, as chuvas e inundações, o sonho de um futuro melhor, o futebol no domingo, o céu estrelado, as festas populares. Qual a previsão para o futuro? Para “adiar o fim do Brasil”, precisamos mudar as tábuas da Arca de Noé que compõem o Senado, a Câmara dos deputados e a linha de montagem de cada Estado. Uma nova reedição política fará bem para a “saúde” como também para a esquerda, a direita e o centrão. Assim, haverá projetos políticos justos e necessários para toda sociedade. Os “verdadeiros líderes” abrem propostas solidárias e estimulam ações a serviço da causa humana e do meio ambiente. Seus projetos giram em torno de temas fundamentais e simples do dia a dia - Liberdade, verdade, justiça e solidariedade. São os pontos cardeais dos “verdadeiros líderes”. Como se não bastasse, seus projetos se abrem para outras (novas) questões. Então, o novo não está só no que é dito, nem só no tempo (‘cronos’/idade), mas no acontecimento, na qualidade do tempo vivido (Kairós). Infelizmente, a avalanche de informações que recebemos diariamente não permite um discernimento e entendimento da complexidade que é o mundo de hoje. Para terminar: recriar as tábuas do mapa político, a nova Arca de Noé, é um caminho para garantir líderes políticos de verdade. E, com a COP30, em Belém do Pará, neste ano (2025), afinar democracia com educação, justiça com igualdade social, meio ambiente com território e pertencimento. Esse é o caminho - instituir a urgência de partilhas para todas as formas de vida.

(Prof. Mauro Passos)

DIVAGAÇÕES EM TORNO DE UM POTE DE DOCE DE LEITE SEM AÇÚCAR

 



“Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou

 a ponto de vomitá-lo da minha boca.” (Apocalipse, 3:16)

 

Devagarzinho e comendo pelas beiradas, como convém a um bom mineiro, ele foi conquistando seu espaço, contando com a ajuda de poderes espirituais, temporais e, acidentalmente, ocasionais. Até se firmar como pop star, usando de seu charme discreto, ostentando sem ostentar, exibindo uma aparente modéstia – como é de praxe a quem acabara de entrar no seleto clube da pequena-burguesia, não aquela pseudo-burguesia, aquela que come salame e arrota caviar.

Especializou-se em oratória e música. Como orador, serviu-se de uma voz empostada, de tonalidade baixa, sem nunca subir o tom. Dissonante mesmo era seu jeito de construir frases em negativas, nunca desdizendo o que não queria dizer ao dizer algo, negando aquilo que dizia. Pode parecer confuso isso que estou dizendo, mas a plateia delirava – especialmente a feminina, maioria absoluta de seu fã-clube.

Como cantor, teve o cuidado de usar um repertório de músicas com poucos rompantes, mesmo porque seus recursos vocais não eram lá essas coisas, pedindo moderação e caldo de galinha nos agudos.

E, assim, ele foi indo, foi “fondo” (como diria um ex-jogador de futebol), consolidando sua fama, vendendo a imagem de um sujeito certinho e bem-comportado, tipo daquele bibelô que todo mundo quer para decorar a estante da sala de casa.

E, assim, dia sim e outro também, lá estava ele frequentando as redes sociais e canais de notícias, de amenidades e de futilidades. Até que ventos ferozes da política começaram a soprar violentamente e ele, tal qual uma avestruz, enfiou a cabeça num buraco, esperando a turbulência acalmar.

Quando deu as caras (para a revista Caras, inclusive), sentiu-se ressabiado, mas achou que sua ausência do bate-boca político tinha passado despercebida.

Foi desse modo, mas sentindo-se um tanto quanto baqueado psicologicamente e com crises de depressão, que o pop star voltou aos holofotes, sujeitando-se – para seu espanto – a alguns desagravos, tanto da direita como da esquerda, tanto de cima como de baixo.  Até chegar às páginas policiais de jornais e revistas. Tudo por conta de dois potes de doce de leite sem açúcar.

Por causa de um desacordo entre os preços exibidos na estante e os efetivamente cobrados em uma cafeteria, o moço levantou o tom, discutiu com o gerente, criou um bafafá, foi para as redes sociais, não quis abaixar o facho. Nessa troca de acusações de cá para lá e de lá para cá, o gerente passou a ser visto como bandido e foi logo demitido.

(A bem da verdade, o pop star disse depois que uma demissão sumária não era para tanto, pois quem erra merece uma segunda chance.)

No desdobramento do imbróglio, começaram os internautas a atacar o próprio pop star. Como resposta, em vez do cristão “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que falam”, ele disse que seus críticos são pessoas mal resolvidas, que usam do ódio para compensar suas frustrações; que exigem dele um posicionamento político, sem respeitarem seu direito de ficar em cima do muro; que está a um passo de desistir (certamente, de frequentar as redes sociais) e que o mundo virtual é a mais assertiva armadilha que o Diabo criou.

De tudo por tudo, você pode perguntar o que fica dessa narrativa.

Ingenaldo comentou:

- Que bom que o pop star se posicionou, foi assertivo, saiu de cima do muro para alguma coisa.

Ao que Ironildo completou:

  - Resta saber para que lado do muro ele está pulando.

De minha parte, eu digo assim:

- Não é para tanto essa ideia de se afastar das redes sociais. Penso que uma boa água benta para afastar o Diabo é a regulamentação das redes. Deixo aqui o convite para junte sua voz a de todos aqueles que lutam para que sejam criadas normas, coibindo as agressões, as manifestações de ódio e as mentiras (fake news) nos zap-zaps e outros mais. O país está se tornando tóxico por causa dessas redes, muita gente tem morrido por causa do ódio e da difamação propagados. E mais uma coisa: ficar em cima do muro é, sim, um posicionamento político. Quem fica em cima do muro se cala diante das coisas erradas e, como bem diz a sabedoria popular, “quem cala, consente”.

Mas eu gostei de sua fala sobre as redes sociais. Tomo a liberdade de transcrevê-la, mais uma vez:

O mundo virtual (com suas redes sociais) é a mais assertiva, a mais declarada armadilha que o Diabo criou.”

Etelvaldo Vieira de Melo


PESQUISA DE OPINIÃO: QUEM ESTÁ POR TRÁS E QUER LEVAR


 
Imagem: pathdoc/Shutterstock.com


(Sophia Flora)

Antes de falar sobre os INSTITUTOS DE PESQUISA, é primordial comentar alguns fatores que possam também induzir os eleitores ao erro.

ESTADO X BIG TECHS

O que nós vemos hoje, é uma queda de braço entre o Estado e as Big Techs. Todo mundo conectado nas redes sociais, sem regulação, no livre comércio de manipulação para eleger sempre a extrema direita ou a direita neoliberal.

O ministro Alexandre de Moraes enfrenta a extrema-direita digital, Elon Musk, Trump, Bolsonaro, pois as redes sociais estão sendo usadas para influenciar eleições.  Trump move um processo contra ele, através de sua empresa de mídia (como um presidente pode ter uma empresa de mídia?). Trump e a Rumble (plataforma digital) acusam o ministro de infringir a emenda da constituição americana , que garante liberdade de expressão (liberdade que não serviu pra Julian Assange, Edward Snowden e Daniel Ellsberg, que tiveram que se exilar em outros países).  

  de infringir a emenda da constituição americana - que garante liberdade de expressão (liberdade que não serviu para Julian Assange, Edward Snowden e Daniel Ellsberg, que tiveram que se exilar em outros países). 

Se Goebbels (ministro da propaganda de Hitler) tivesse hoje acesso ao X do Musk, os nazistas teriam conquistado o mundo.

E O BRASILCOM ISSO

O Brasil tem sido um campo de teste para os que buscam exercer poder político pela INTERNET, como acontece com Bolsonaro, que manipula a palavra LIBERDADE, fazendo os cérebros de 2ª-mão acreditarem na milícia digital como defensora da democracia. Bolsonaro fez uso indevido dos meios de comunicação e está inelegível também por abuso de poder.

A sociedade aceitou que as Big Techs não têm responsabilidade sobre quem posta os conteúdos ilegais e danosos no ambiente digital.

Não combatem a desinformação, o discurso de ódio, as mentiras e deram guarita ao gabinete do ódio bolsonarista, que usou o ódio e fake News porque engajam mais que a verdade.

Ora, os 3 sujeitos que são os donos das mídias mundiais, se sentaram ao lado do Trump no dia de sua posse, e já declararam que são de extrema direita; portanto, serão eles que elegerão os próximos presidentes no ocidente para atender a BURGUESIA. Lula caindo na popularidade, Bolsonaro na cadeia, abre-se a possibilidade para uma 3a via.

O GRANDE CAPITAL

Com certeza, a 3a via é o GRANDE CAPITAL BRASILEIRO, os maiores capitalistas, todos eles associados ao capital estrangeiro imperialista. É a Rede Globo, Banco Itaú, Bradesco, os banqueiros em geral, esse setor da burguesia brasileira que é o mais poderoso dentro do Brasil. 

Tal setor controla o Brasil desde e antes do golpe de 1964, pois os militares não têm inteligência para dar golpe sozinhos, eles foram só os instrumentos, não eram os donos da coisa. Eles só tinham a violência; quem sempre deu o golpe foi o tal MERCADO (banqueiros, grandes industriais e empresários em conluio com o imperialismo, aliados ao Estadão, Folha de São Paulo e Globo).

Os militares foram apenas as armas que eles usaram para dar o golpe, eles eram apenas os torturadores e assassinos do GRANDE CAPITAL. A mais recente constatação disso foi a frase de Bolsonaro no início de seu desgoverno: "Por ser capitão do exército, MINHA ESPECIALIDADE É MATAR".

Daí, veio a crise de 1974, e resolveram tirar os militares e jogaram o tal regime democrático, onde eles continuaram a dar as cartas no governo Sarney, que fazia parte do partido da ditadura.

Somente em 1989 o povo foi liberado para escolher seu candidato, com a eleição direta. Fizeram uma campanha suja contra Lula e a favor do delinquente Color, que a Globo nomeou de “caçador de marajás”, e ganharam a eleição. Mas a política neoliberal foi fracassada, e uma parte desse setor da burguesia derrubou o Color para colocar seu vice.

Em 1994, o Lula tinha quase 70% das intenções de votos Aí, eles lançaram, no meio da eleição, o Plano Real (essa espiral sem fim de juros para beneficiar o GRANDE CAPITAL/banqueiros) e elegeram o neoliberal FHC (que usou o plano de Itamar e Ricupero, como se fosse seu). Com 2 mandatos, FHC destruiu o Brasil, com o desemprego “chegando ao fundo do poço”, miséria total, milhões de pessoas morrendo de fome.

Na eleição seguinte, deixaram então o Lula ganhar, com a condição de colocar dois banqueiros no ministério da Economia, pensando que iriam controlar tudo e eleger um banqueiro no próximo eleição. Mas Lula fez crescer a economia, tirou o povo da fome e fez seu segundo mandato, conseguiu tornar Dilma presidente. Esse setor começou a encolher eleitoralmente, mas pensaram que, com Aécio, eliminariam Dilma e voltariam ao poder, no qual estavam desde sempre antes de Lula. Com o insucesso de Aécio, o Mercado deu o golpe na Dilma, por uma pedalada fiscal - da qual ela foi inocentada posteriormente ao impeachment. Temer assume, e o MERCADO com interesses escusos, faz a reforma Trabalhista - que retirou mais de 100 direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Dois anos depois, em 2019, já no governo do hoje inelegível Jair Bolsonaro (PL-RJ), faz a reforma da Previdência, aumentando o tempo de contribuição e diminuindo os valores dos benefícios pagos aos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A TERCEIRA VIA

Foi o Mercado que colocou o Guedes, o tal de “Posto Ipiranga”, que é um banqueiro, como ministro do Bolsonaro; Campos Neto ficou com o Banco Central. Já no governo Lula, esse ficou refém desse setor, que, agora, quer prender Bolsonaro para ganhar a eleição com a tal 3a via. Lula caindo na aprovação popular, enquanto todos os índices econômicos e sociais crescem. Prendem Bolsonaro, Lula afunda e a burguesia assume novamente. O STF trabalha para o imperialismo, para o MERCADO. Eleitor é um bando de ovelhas a serem pastoradas em uma direção, pensam os neoliberais golpistas.

Não existe mais direita e esquerda na política institucional, os andares de cima sempre vão continuar, mesmo a “Micheque” manobrando a fé do povo (um Jesus armado, o aborto é pecado, o congresso era do demônio agora é de Jesus, chamando o pobre de irmão para ter o voto dos evangélicos).

Enquanto afundam o Lula, o Bolsonaro vai para a cadeia, e o MERCADO se prepara para tomar conta com a tal terceira via. O plano é: NEM LULA, NEM BOLSONARO.

Uma constatação disso é o áudio vazado do Ciro Nogueira (do PP), no encontro dele com o pessoal do BANCO BTG da Faria Lima, dizendo que não era hora ainda de dar o impeachment no Lula, pois ele ainda tinha mais de 30% de aprovação (a Dilma, sim, tinha 7% e foi fácil).

Se o imperialismo brasileiro oferecer o que quer que seja, pode saber que alguma desgraça vai sair daí, porque dessa gente nunca saiu nada de bom, a não ser destruir o presente e o futuro do trabalhador.

Chegamos então à QUESTÃO, que é usada pelo GRANDE CAPITAL BRASILEIRO: INSTITUTOS DE PESQUISA!

INSTITUTO DE PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA

Também eles CRIAM E MANIPULAM A OPINIÃO PÚBLICA, conforme mandam os banqueiros e a Grande Mídia.

O ano de 2026 vai ser um ano de pilantragem e falcatruas. Zumbis medicados com Diazepam, da 3a e 4a idades, com aquele verde-amarelo (que um dia me deu orgulho e hoje me causa asco) serão os principais voluntários "gadificados" da burguesia.

O jornalista Reynaldo J.A. Gonçalves, do 247, disse: "O que existe é pesquisismo: entre cenários improváveis e guerra híbrida em curso. A nova pesquisa Quaest expõe o pesquisismo. Manipulação da percepção pública, como uma arma na guerra híbrida informacional". Como ele define o pesquisismo: "A guerra híbrida se vale exatamente disso, ferramentas legais, veículos tradicionais e metodologias consagradas para reproduzir distorções profundas na percepção social. As pesquisas não são apenas demonstrações do estado das coisas, mas reflexos diretos de um fenômeno mais profundo. Nos últimos anos o comportamento eleitoral brasileiro, mesmo diante de políticas públicas concretas e efetivas, perdeu sua capacidade de compreensão da realidade objetiva, mergulhando em um estado profundo de dissonância cognitiva, descolados da realidade".

DATAFOLHA, numa última pesquisa, apurou que Lula é rejeitado por evangélicos, sulistas e mais ricos. Pessoalmente, acredito então que Lula está no caminho certo!

A QUEST divulgou uma pesquisa sobre a percepção dos brasileiros sobre Trump: 22% veem o Trump de forma positiva, 23% de forma regular, 43% de forma negativa, 12% não sabem; ou seja, o indivíduo que está deportando brasileiros e lotando aviões sem ar-condicionado e com as mãos algemadas, tem um total de 45% de tudo bem, e 43% não tá tudo bem, e 12% sei lá!

A questão é que essas pesquisas não estão captando algo concreto, objetivo, uma mudança real na opinião pública. Elas simplesmente refletem a PAUTA MIDIÁTICA DOMINANTE, os inimigos imaginários criados pela máquina da extrema direita (não vamos deixar o comunismo tomar conta do Brasil). Quando Reynaldo fala de dissonância cognitiva e mudança da percepção da realidade MIDIÁTICA, isso significa que essas pesquisas são repetitivas. Ele quer dizer que, esses números estão apenas mostrando que existe uma NARRATIVA DOMINANTE, UMA PAUTA DOMINANTE, que é a pauta da GRANDE MÍDIA. A esquerda coloca todas as suas fichas na LEI, na Polícia Federal, no STF para salvar o governo, e esquecem que foi o STF que deu o veredito final para prisão de Lula, proporcionou a eleição de Bolsonaro, e agora quer prender Bolsonaro, para proporcionar ao MERCADO a tal terceira via. 

Sabem quem é o dono da genial QUAEST, que a Globo utiliza para dizer que Lula está caindo e o inelegível está na disputa (coisa de doido)? É a Genial Investimentos! Sabe quem é o dono da Genial Investimentos? BANCO BRASIL PLURAL, ou seja, todos os banqueiros. o DATA FOLHA pertence à FOLHA DE SÃO DE PAULO, que pertence a um dos maiores banqueiros do Brasil! As pesquisas até agora estão sendo feitas no Rio, São Paulo e Sul do Brasil, onde Lula perdeu a eleição!

Tudo isso aliado à DISSONÂNCIA COGNITIVA e à pauta da extrema-direita no congresso: SÓ NÃO PODE TRIBUTAR OS MAIS RICOS!

Animem-se, 2026 está quase ali!

FRANCISCO E O POUSO DA SEMENTE

 


Nada é rígido para quem,

alternadamente, pensa e sonha.

(Bachelard)

 

No começo dos começos eram as trevas, os abismos, o caos e o vazio. Depois os caminhos foram se abrindo: pensamento com sonho, vida com paz, mundo com poesia. Era o (re)começo, o nascimento dos nascimentos. Era uma vez... Mas, ao longo dos anos, muita coisa mudou. Os verbos dialogar, compreender, solidarizar-se foram sendo esquecidos. Assim, a apologia do poder, rígida e segura de si, foi escurecendo a ciência e a sensibilidade. Com isso, foi construindo muros – obrigar, subjugar e dominar, com seus nutrientes ideológicos – gerando uma crise humana. No entanto, em vários tempos, líderes, profetas e místicos quebraram fronteiras, aparentes certezas e verdades instituídas. Embalados pela esperança, construíram novas veredas, pontes de acolhimento e partilha. Ordenaram os pedaços para o sonho de uma “Casa comum”. Nesse caminho, apareceu você, Francisco, com poesia, profecia e mística. Com espiritualidade e um sorriso franciscano, você lavrou outros começos para o mundo pensar, sentir e sonhar. Você, agora, volta para o começo dos nascimentos e deixa o pouso da semente para a construção de outro mundo – uma humanidade em saída.

(Mauro Passos)


QUEM CALÇARÁ AS SANDÁLIAS DO PESCADOR?


J. D. Vital e família com o Papa Francisco, em Roma
                                                                                                                    

J. D. Vital (*)

O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, desponta como favorito para suceder o Papa Francisco em um conclave que promete ser marcado pela incerteza em tempos conturbados e marcados por polarizações ideológicas e religiosas. Quem seria o nome certo para calçar as sandálias do Pescador?

Segundo as casas de apostas inglesas, o purpurado italiano lidera a lista dos “papabili”, com uma probabilidade de 4 por 1.

Solista de uma das mais longevas cortes diplomáticas do Ocidente, Pietro Parolin, aos 70 anos de idade, pode até brilhar como um cometa que transita nos céus de Roma há 12 anos, desde 2014, quando foi nomeado pelo pontífice argentino para o cargo equivalente a primeiro-ministro do Vaticano.

Ele não é, porém, a estrela de Belém que anunciaria a chegada de um sucessor de Jesus de Nazaré, capaz de sacudir e magnetizar a Igreja. E de chacoalhar os pilares do templo.

Entre os vaticanistas cresce a convicção de que a Igreja Católica terá de eleger um Barack Obama de mitra, caso queira surpreender o mundo, testemunhar a crença nos valores da igualdade e da diversidade e afastar qualquer suspeita de discriminação racial. Um papa, sem a tez europeia, representaria um choque de cristianismo em seu rebanho estimado em 1 bilhão e 400 milhões seguidores.

A Igreja já agiu assim no passado. Ela aplicou um golpe de mestre em cima da sociedade escravocrata de Minas Gerais há 135 anos. Nomeou em 1890 o padre Silvério Gomes Pimenta, um sacerdote negro e sábio nascido em Congonhas, como bispo auxiliar de Mariana. Mais tarde, Dom Silvério foi elevado pela Santa Sé a arcebispo.

Em momentos dramáticos da história humana, como os dias de intolerância, desunião e ódio que vivemos, um candidato diplomata costuma disputar com santos e profetas a preferência dos cardeais na Capela Sistina.

A habilidade do Secretário de Estado no trato de questões delicadas como a guerra da Ucrânia e as tensões entre os governos de Donald Trump, dos Estados Unidos, e XI Jinping, da China, reforça o cacife de Pietro Parolin. Resta saber se o prelado no topo das casas de aposta carrega consigo também as virtudes missionárias desejáveis em um novo papa, permitindo a reedição do conclave de 1958 que elegeu o cardeal Angelo Giuseppe Roncalli, patriarca de Veneza, para suceder o Pio XII. O patriarca, então com 77 anos de idade, tomou o nome de João XXIII.

Roncalli integrava o quadro de emissários políticos da Igreja. Sua longa carreira diplomática, iniciada em 1925 como visitador apostólico na Bulgária e, em seguida, como delegado pontifício na Grécia e na Turquia, prosseguiu com sua nomeação em 1944 para o espinhoso posto de núncio apostólico em Paris, durante a ocupação da França pelas tropas de Adolf Hitler.

O arcebispo italiano serviu à Igreja, com diplomacia, santidade e compaixão. Salvou milhares de judeus perseguidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1953, o Vaticano o removeu de Champs Élysées, promovendo-o a cardeal e Patriarca de Veneza, antes de sua eleição para comandante da Igreja Católica. Na Basílica de São Pedro, João XXIII, o Papa Bom, de sorriso paternal, revolucionou a terra dos homens. Em apenas 4 anos e 218 dias de pontificado.

Convocou o Concílio Vaticano II. Renovou a face da Igreja. Abraçou o ecumenismo. Soprou a poeira milenar da tradição que se depositara nos altares. Iniciou uma era de transformações que resultaram na escolha do profeta argentino Jorge Mario Bergoglio como 266º sucessor de Pedro e responsável por mudanças radicais que buscaram a moralização da Cúria Romana, o fim do carreirismo eclesiástico. O jesuíta combateu os crimes de abuso sexual por parte do clero e abriu as portas da misericórdia aos divorciados e às minorias do LGBT.

Seria o melhor dos mundos, assim na terra como nos céus, se eleito, Pietro Parolin repetisse João XXIII e viesse a dar sequência ao legado de Francisco, o Bom Pastor. Continuasse a luta na defesa intransigente dos migrantes, dos deserdados e da ecologia. Levasse adiante a inclusão da mulher na administração da Igreja, como fez Francisco nomeando a freira Simona Brambilla para o Dicastério da Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, primeira mulher prefeita no Vaticano. Que não hesitasse na denúncia da injustiça social e dos conflitos armados da atualidade e fosse um instrumento da paz.

A eleição de um papa vindo do fim do mundo da África ou da Ásia seria mais midiática, com efeitos similares a aqueles desencadeados pela chegada de Barack Obama à Casa Branca. Funcionaria, segundo vaticanistas, como a célebre teoria do canadense Marshall McLuhan – “o meio é a mensagem”. Então, teríamos uma mensagem de compromisso com a diversidade e a universalidade estampada na testa do Santo Padre.

O impacto de um papa africano ou asiático, ainda que pudesse provocar novas rachaduras na Igreja, revitalizaria os ensinamentos do Evangelho de que todos os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus, em pé de igualdade. Aptos a servir e também a governar.

Até a eleição do argentino, os cardeais de fora da Europa e da América do Norte eram vistos com preconceito pela elite votante europeia. Como se fossem, na expressão italiana, “un figlio minorenne” - um filho menor de idade, segundo inconfidência do cardeal brasileiro Dom Paulo Evaristo Arns, de São Paulo, na saída do conclave que coroou o polonês Karol Wojtyla como Papa João Paulo II.

Papa Francisco fez a sua parte. Povoou o colégio dos cardeais, antes dominado por europeus, com representantes da África e da Ásia. Dos 30 cardeais africanos, 18 vão participar do próximo conclave, quase todos de nomes desconhecidos e de pronúncia difícil aos ouvidos ocidentais. Por exemplo, o arcebispo Protase Rugambwa, de Tabora, na Tanzânia. Ele ganhou o chapéu cardinalício em 30 de setembro de 2023 e tem experiência na burocracia vaticana, onde serviu como secretário do Dicastério para a Evangelização dos Povos.

O sudanês Stephen Ameyu Martin Mulla, nascido em 1964, também foi feito príncipe da Igreja por Francisco no consistório de 2023. É um clérigo letrado, com doutorado pela Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma. Chefia a arquidiocese de Juba, capital do Sudão do Sul.

Sempre lembrado, mas nunca votado, o cardeal de Gana, Dom Peter Kodwo Appiah Turkson, é cria do Papa João Paulo II que lhe deu o barrete vermelho em 2003. Desde então, Turkson frequenta a lista dos “papabili” a cada sucessão papal. Esta será sua última chance porque encontra-se na marca do pênalti: completa 77 anos de idade em outubro, e em três anos ficará inabilitado porque os cardeais com mais de 80 anos não podem participar do conclave.

Os asiáticos entram com uma bancada de 23 cardeais, entre eles uma estrela em ascensão, o cardeal filipino Luis Antonio Gokim Tagle, arcebispo de Manila, filho de mãe chinesa. Suas posições pastorais, particularmente o discurso a favor dos migrantes e contra a injustiça social na exploração dos trabalhadores, mulheres e crianças, despertaram a atenção dos vaticanistas. Bom de microfone, jovial e simpático, cabe-lhe, de forma emblemática, o epíteto de Barack Obama asiático. Ou de Francisco filipino, devido à admiração recíproca que cultivaram.

Gokim Tagle estudou e obteve o doutorado em Teologia no mais alto grau, “summa cum laude”, na Universidade Católica da América, em Washington, Estados Unidos. Bento XVI nomeou-o cardeal em 2012 e no ano seguinte, já no pontificado de Francisco, passou a integrar importantes dicastérios no Vaticano, como o da Evangelização e o Conselho da Seção das Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Secretaria de Estado, presidida por Pietro Parolin.

O Espírito Santo, que ilumina as mentes e os corações, sopra suas preferências nos ouvidos cardinalícios, à revelia da opinião pública e   não tem por hábito se informar nos blogs dos vaticanistas. Por isso, ninguém sabe dizer quem usará o novo Anel do Pescador.

A barca de Pedro navega como um transatlântico colossal, incapaz de realizar manobras radicais e repentinas. Talvez, um nome que represente o meio termo entre a velha oligarquia católica europeia e as terras férteis de missão, nessa corrida eclesial, venha da minúscula comunidade católica de Ulaanbaatar, na longínqua Mongólia, berço do poderoso imperador Gengis Khan.

O cardeal Giorgio Marengo, nascido em 7 de junho de 1974 em Cuneo, na Itália, recebeu de Papa Francisco a missão de pastorear a “pequena Igreja da Mongólia”, dotada de apenas “9 locais de culto oficialmente reconhecidos pelas autoridades, espalhados por todo o país; 30 religiosas e 25 sacerdotes de diversas procedências, dois sacerdotes locais e cerca de 1.500 batizados”, segundo informou o site “Vatican News” dois anos atrás.

O budismo tibetano predomina no país de 3 milhões de habitantes. Giorgio Marengo foi enviado para evangelizar a Mongólia, onde a messe é grande e os operários são poucos. Talvez, os cardeais do conclave possam enxergar nele o missionário para reflorescer a Igreja no mundo contemporâneo.

(*) J. D. Vital é jornalista, escritor e membro da Academia Mineira de Letras