NO CAMINHO, UMA PEDRA


 (PARAFRASEANDO CARLOS)   

Disseste que no meio do caminho

Haveria de ter uma pedra.

Curioso, quis saber qual, já que caminhos são tantos:

Uma estrada, passagem, uma via.

Uma simples trilha? Seria?

Nada precisaste.

 

Pedra tem de todo tamanho.

Cuidadoso, perguntei: qual?

Uma rocha, um pedregulho

Ou uma simples pedra?

Nada detalhaste.

 

O que afirmaste com certeza

É que uma pedra iria estar

No meio do caminho.

Nem à esquerda, tampouco à direita

Simplesmente no meio do caminho.

 

Assustei com essa ideia

De uma pedra que não sei qual

Em um caminho que não sei onde

Que não sei como.

 

Foste tu, anjo torto, quem me disse

Pra ser estrangeiro na vida

Andar pelo acostamento

Caminhar pelas beiradas

Porque no meio do caminho

Haveria de ter uma pedra

 

Uma pedra que haveria de estar

Lá no meio do caminho.

 

Etelvaldo Vieira de Melo

 

PRELÚDIOS DA PRIMAVERA

 1) Dolce, Adagio: "Manhã de Setembro" ( Haicai)


















2) Scherzando, Allegro: "Fim de Outono" (Acróstico)



















Etelvaldo Vieira de Melo

TRILHA

 

UMA PARÓDIA PARA ESSES TEMPOS MALUCOS

FEIJÃO MARAVILHA (GONZAGUINHA) Dez entre dez brasileiros preferem feijão / Esse sabor bem Brasil, verdadeiro fator de união da família / Esse sabor de aventura, famoso pretão maravilha / Faz mais feliz a mamãe, o papai, o filhinho e a filha /Dez entre dez brasileiros elegem feijão / Puro, com pão, com arroz, com farinha ou com macarrão / E nessas horas esquecem dos seus preconceitos / Gritam que esse crioulo é um velho amigo do peito /Feijão tem gosto de festa / É melhor e mal não faz / Ontem, hoje, sempre / Feijão, feijão, feijão / O preto que satisfaz / Dez entre dez brasileiros preferem feijão / Esse sabor bem Brasil, verdadeiro fator de união da família / Esse sabor de aventura, famoso pretão maravilha / Faz mais feliz a mamãe, o papai, o filhinho e a filha / Dez entre dez brasileiros elegem feijão / Puro, com pão, com arroz, com farinha ou com macarrão / E nessas horas esquecem dos seus preconceitos / Gritam que esse crioulo é um velho amigo do peito / Feijão tem gosto de festa / É melhor e mal não faz / Ontem, hoje, sempre / Feijão, feijão, feijão / O preto que satisfaz / Feijão, feijão, feijão... 
FUZIL MARAVILHA Dez entre dez bolsominions preferem fuzil / Essa arma tão viril / Verdadeiro fator de tesão / Essa paixão dos Caçadores também / Famoso Preto Maravilha dos Atiradores / Faz felizes os Colecionadores / A família tradicional e as pessoas de bem. / Dez entre dez bolsominions preferem fuzil / Sozinho ou acompanhado de rifle, três oitão / Submetralhadora, bazuca, pistola e até canhão. / Nessas horas, arreganham seus preconceitos / Gritam bem alto em tom de lorota: / - É hora de tudo chacoalhar, passar o cerol, cambada de idiota! / Fuzil tem cheiro de sangue / É veneno na veia e mata pra valer / Ontem, hoje e sempre: / Fuzil, fuzil, fuzil / Paixão de meu Brasil! / Dez entre dez bolsominions elegem fuzil / Um maquinário nada sutil / Verdadeiro fator de união de milícia / (esse arremedo de polícia) / O famoso Pretão Maravilha / Faz mais feliz tudo que se tem notícia. / Fuzil tem gosto de morte / É melhor e mal sempre faz / Ontem, hoje, sempre e pra toda sorte / Fuzil, fuzil, fuzil / O brinquedo que satisfaz. / Fuzil, fuzil, fuzil / Pa pum! Pa pum! Pa pum!... 


                                                                                           
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Dia 27/08/2021, no famoso “cercadinho” do Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez esta declaração a apoiadores, usando seu vocabulário peculiar: “Tem que todo mundo comprar fuzil, pô! Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Tem um idiota: 'Ah, tem que comprar é feijão'. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”. E disse mais o estridente com ar de demente: “Não tem aumento de nada no meu governo”. Seus seguidores riram de contentamento, balançando a cabeça. No que também concordaram o feijão, o arroz, o pão, a carne, o óleo vegetal, o macarrão, o gás, a gasolina, a luz, a água, o dólar, e até o Leite Moça. O tipo de arma sugerido por Bolsonaro, o fuzil modelo 762, custa cerca de R$12 mil. Considerando o valor médio de um quilo de feijão, R$8, o dinheiro de um fuzil corresponde a 1.500 quilos de feijão. Caso um bolsominion deixasse de comprar fuzil e doasse o valor para um necessitado, esse poderia comer feijão por 125 anos (para consumo de 1kg/mês). Quanto aos estragos que um fuzil é capaz de fazer, nem é bom falar aqui. Seria motivo de pesadelos para muitos leiturinos. Eu mesmo, depois que andei pesquisando a respeito, fiquei dependente de maracugina pra dormir. 

Etelvaldo Vieira de Melo

DISCURSO FINAL EM 'O GRANDE DITADOR' - CHARLIE CHAPLIN, 1940


Palavras de Esperança e Liberdade para esses Tempos Sombrios de Ódio e Mentiras.

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.

 

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

 

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

 

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

 

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

 

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

 

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

 

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!."

 


A VOLTA DO FELINO 70


Edição de Vídeo.

- Senhores Roedores.

Iniciemos hoje o plano conjunto deste Documentário.

- 'O Gato Félix' surge no curta-metragem animado 'Feline Follies', em 1919.

Primeiramente mudo, o sucesso do filme provoca forte lançamento de

outro, sonoro, denominado 'Two Lip Time', em 1927. 

Crianças e adultos

pipocam nos cinemas, assistindo ao 'The Last Life', em 1928. 

Tudo mudo na tela, mas prolixo no tablado, ao som do violino.

 - Luz sobre nossas ideias, ilustrador.

 Finalmente...

- 'O Gato' perde as botas em seu último desempenho.

 'Bold King Cole', em 1936, malgrado sonoro, nem roda dez léguas.

- Frames, aí! 

 Ainda gosto dele.

- Bianca. 

    Aguarde a próxima tomada para emissores.

- Câmeras. Ação.

    Explique à plateia, desenhista Otto Messmer: 

Por que o enquadramento de certa personagem do Cartoon 

  focaliza de imediato o poeta Geraldo Lima?

- Pura Mise-en-Scène, Topo Gigio.

 Ambos exibem figurino e maquiagem próprios de países estrangeiros.

 Star na produção do casting vale ser Superstar.

- Projetista. Escritores, artesãos, músicos, seguem roteiro cinematográfico?

 - Depende isso dos acontecimentos. Das histórias paralelas, Little Stuart. 

Artistas do background real surrealista apreciam fundo de paisagem.

 Fincam pé nas gravações visuais.

Constroem torres de papel, 

seja ele, Félix, 

seja ela, Fênix.

- Tipo Anel de Moebius?

- Dedo bom no gatilho, cowgirl Minnie. 

   Dentro do contexto, jovens shakespeares limam à exaustão títulos da obra. 

 Lutam até descobrir excelentes

 Scripta-Pós

Virgínia, Cecília, Simone,

cobrem a mucosa da boca com lascívia preguenta.

Após, lavam sangue e suor criminosos com sândalo, rosa, unguento.

   - O senhor desenhou seu 'Gato' quase anônimo, amigo designer? 

A Mídia nos conta.

- De fato, Bernardo.

     Elaborei-lhe a figura para o estúdio de Pat Sullivan. 

  Infelizmente, o ator coadjuvante roubou-me a glória da criação. 

Tal tragicomédia sucede a qualquer compositor Bach.

- Imagino a imagem psíquica de um virtuose GF!

 - Pinga mel, seu fel. Trova dor, Rémy. 

   Súbito espasmo lhe tange largo corte.  Lima medo, guerras, palavras.

Cala inutilidades. 

Fernando Pessoa: 'Não sou nada. Não serei nada. Não posso querer ser nada.'

   - Fora isso, camundongo Mickey, cada flébil feliciano poema flama sonhos.

- Caro Otto, Literatura é Letra Dura? 

 - Pois, pois. 

Nela, um influxo móvel leva água à roda semântica. 

 Minam, entre musgos, assonância, sonoridade, tonalidade frasal. 

Portanto, linda ratazana, poesitar simboliza falta freudiana.

Caótico corpus temático. Edição de verdes folhas rasgadas. 

Pseudo-livro existencial.

Mais madrigais plurais?

 Busca vã das fontes bibliográficas.

Sem certeza, Minnie.

   - Sente-se o autor, ludíbrio.  Corte de alimentar espera de vir.  

 Hirto mirtilo se abrirá na sombra?

Dormirá n'alfombra de seu riso?

- Há noite, G.F.L.

  Mil gatunos corruptos miam. 

Garras, afiam.

Ufanos, pobres esmolas, afanam.

 Encerram-lhe, viajor, o trajeto.

Porém, Genial Fauno Lírico.  

  Dentro da felídea bolsa, no imo de sua mochila,

 duplas chaves secretas inauguram 

breve breve

a patriótica liberdade universal. 

 

Produtor Executivo.

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Graça Rios