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| Ivani Cunha |
UM NOVO TEMPO
SOBRE VIDEOGAMES & FILMES
| Imagem: pxb.com.br |
Ando meio injuriado com
as coisas que acontecem ao meu redor. Não, não estou me referindo a política,
que isso já se tornou doença crônica. O que me incomoda tem a ver com aquilo
que, até bem pouco, era minha alegria e distração nos momentos de ociosidade:
assistir a filmes pela TV e jogar videogame.
Tenho sérias
desconfianças de que a vida das pessoas esteja sendo monitorada por entidades
secretas para fins que ainda não atinei. Esse monitoramento se dá de maneira
ostensiva, como é o caso das redes sociais – onde ninguém tem pudor em revelar
suas particularidades -, ou de maneira camuflada, como é o caso dos jogos de
videogame.
Minha plataforma de
videogame vive pedindo para que eu lhe acene e me identifique; só fica
satisfeita quando coloco um boné, maneira com que me apresentei pela primeira
vez. Isso me enche o saco – ter que ficar acenando e ter que usar boné (embora
estar usando boné me torne um pessoa mais agradável e simpática). O problema
maior é que não estou achando nenhum atrativo nos jogos.
Aqueles que são
oferecidos através do plano de fidelidade (veja que estou fazendo de tudo para
“não dar nomes aos bois”) são aborrecidos ou extremamente violentos.
Os jogos violentos, de
tiro, sopapos, guerra, parecem ser produzidos para os consumidores americanos
que, parece, têm uma cultura que cultua a violência. Enquanto aderia a esse
tipo de jogo, acabei adquirindo uma lesão por esforço repetitivo (LER), um
baita calo na palma de minha mão direita.
Quanto aos filmes, existe
outro porém: a computação gráfica está matando a graça dos filmes de ação. Eles
ficaram tão exagerados que, nem na fantasia, conseguem ser tragáveis.
Outra coisa que desabona
os filmes e os jogos é a apresentação que fazem de seus heróis. Numa guerra
moderna, seria herói quem se recusasse a entrar nela. Quando vejo o mocinho
matando um tanto de gente, penso com meus botões: esse cara é desequilibrado,
tinha que ser internado numa clínica psiquiátrica. Nos filmes de espionagem, definitivamente
não dá pra ficar torcendo para um agente da CIA (como no tempo da Guerra Fria),
como se ele fosse um mocinho.
Deu para perceber como
estou me tornando um sujeito chato? Eu me pergunto: esse culto da violência
serve pra quê? Se servisse como catarse, meio do adolescente, do jovem e do
velho descarregarem a agressividade, tudo bem. Mas será que é isso mesmo que
acontece? Não estarão os filmes e jogos de videogame banalizando a violência,
fazendo com ela seja considerada normal? Ao fim, acabo achando que tudo está a serviço
daquelas entidades secretas, de quem falei no início, para que as pessoas
pensem que tem de ser assim mesmo, esse mundo de desigualdade, de exploração,
de violência, dominação e injustiça.
Um último reparo. Outro
dia, estava assistindo a um filme (“Missing”, de Costa-Gavras, de 1982), este,
sim, muito bom. No finalzinho, o personagem interpretado por Jack Lemmon, diz
para o cônsul americano em Santiago do Chile:
- Dou graças a Deus por
viver num país onde podemos colocar gente como vocês na cadeia.
Ver aquilo me deu uma inveja danada, especialmente porque aqui no
Brasil nem uma mala abarrotada de dinheiro roubado é suficiente para colocar
determinado tipo de pessoa atrás das grades.
Nota: Para aqueles que, inadvertidamente, sonham com um novo regime militar para
o Brasil: leiam “O Ato e o Fato”, de Carlos Heitor Cony (ele que acaba de nos
deixar – 08/01/2018) e assistam ao filme “Missing” (Desaparecido), de Costa
Gavras.
Etelvaldo
Vieira de Melo
A VOVÓ JÁ ESTÁ A CAMINHO
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| Imagen: tvefamosos.uol.com.br |
MENINO – Mãe, por que
enterraram o papai?
MÃE – É isso que se
faz quando as pessoas morrem.
MENINO – Está
chovendo...
MÃE – É, sim!
MENINO – A chuva pode
molhar ele.
MÃE – Pode, filho.
MENINO – Então, ele
fica resfriado...
MÃE - Não fica, não.
MENINO – Você pôs o
guarda-chuva naquela caixa roxa?
MÃE – Bobagem, João.
MENINO – Acho que tem
muita formiga debaixo da terra. Vai ficar todo picado. Tem mato, bicho mau,
minhoca...
MÃE - Jorge não sente
mais dor. Nem cócegas de minhocas.
MENINO – Por que tá
chorando, mãe?
MÃE – Um cisco no
olho. Vai sair logo.
MENINO – Amanhã o pai
volta pra brincar comigo, né, mãe?
MÃE – O Jorge está
descansando. Vamos deixar ele na paz.
MENINO – Mas ele tem
de vir, pra me botar na cama e terminar a história...
MÃE – Deixe de
histórias, João. Você mesmo dorme sozinho.
MENINO – Gosto dele
me vestir o pijama.
MÃE – Taí, eu te
visto.
MENINO (choro) – Eu
só quero o papai...
MÃE – Tem um urso
novo no quarto. Só seu.
MENINO (choro) – O
papai! O papai!
MÃE – Vou ligar pra
vovó vir ficar com a gente. Quer, meu filho?
MENINO – Ela vai ao
cemitério comigo buscar o meu pai?
MÃE (chorando) – O
Jorge não vem nunca mais pra casa.
MENINO – Vem, eu sei
que vem. A vovó, ele ouve.
MÃE – Joãozinho,
filhote, nessas alturas as minhocas e as formigas...
MENINO – Comeram o
papai? Fala, mãe!
MÃE – Não é bem isso.
O Jorge voou.
MENINO – Ele criou
asas? Voou sem me levar? Você está louca!
MÃE – O Papai do Céu
quis assim.
MENINO – Xinga o
Papai do Céu! Aí ele devolve o meu pai. (Choro) Eu quero o papai! Traz o meu
pai!
MÃE – Um dia a gente
vai voar para onde o Jorge está. Fique calmo, João! Vem rezar com a mamãe.
MENINO – Cadê a vovó?
Liga pra minha vó!
MÃE (ligando) –
Mamãe, pode vir agora para cá? O Joãozinho precisa... Tá bom. Vem logo! Vem
correndo, mãe! Tô precisando...
MÃE – Filhim, a vovó
vem. É só o tempo dela trocar a roupa.
MENINO - Que bom! Nós
dois depois vamos buscar o papai. Eu e a vovó. Pronto!
Graça Rios
CHEGA DE 2017!
A GENTE SÓ ENXERGA O QUE NOS INTERESSA
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| Imagem: pt.pntree.com |
Como professor, entre minhas máximas preferidas está aquela que diz: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. É por acreditar nisso que a gente passa anos e anos “dando murro em ponta de faca”, tentando ‘consertar’ um aluno.
Falando nessa filosofia
de água mole em pedra dura, todo ano, no período de pagamento de IPTU, sinto
necessidade de ‘desopilar o fígado’, falando umas poucas e boas sobre e para a
prefeitura local.
Já disse que, caso haja
reencarnação, na outra vida quero continuar na condição de homem. Construindo
minha casa, ela terá a aparência de um ‘barracão de zinco sem telhado’; na sua
parte subterrânea, terá todo espaço e conforto. Assim, o IPTU será menos
dolorido e menos injusto.
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| Imagem: techtudo.com.br |
Este ano, recebi uma
carta da prefeitura dizendo que minha casa foi vítima de uma ‘aerofotografia de
alta resolução’, sendo que as medidas verificadas não conferiam com aquela
cadastrada (eu sabia que esse tal de drone ainda ia aprontar pra cima de mim!).
Conclusão: deveria atualizar o cadastro,
sob pena de sofrer pesadas multas.
Ora, ora – pensei com
meus botões. A gana de arrecadação dos poderes municipal, estadual e federal é
algo assustador. Fazendo as contas na ponta do lápis (pode usar também uma
calculadora, pra quem desaprendeu adicionar 2 + 2 de cabeça), mais da metade do
que ganhamos acaba sendo revertido em impostos. Isso seria até justificável, se
houvesse uma contrapartida de serviços.
Mas eu pergunto: os governos fazem isso? Temos escolas públicas de boa qualidade?
E como fica a saúde? Não precisamos recorrer aos planos privados? O dinheiro
arrecadado com o IPVA é revertido na manutenção das vias, ou elas ficam nas
mãos de empresas particulares e seus pedágios?
A gente só enxerga o que
é de nosso interesse. Ingênuo, achava que a única exceção ficava por conta da
Justiça, que cuidava de enxergar a Verdade, mas, no Brasil, também ela ficou
por conta da regra, só enxergando o que é de interesse de alguns. A prefeitura
de minha cidade também só está vendo o que lhe interessa: os metros quadrados
de telhados. O que está debaixo deles ‘são outros quinhentos’. No meu caso
particular, ela não vê o sacrifício feito para que a casa tivesse uma aparência
decente, como muro e passeio bem cuidados. Não percebe o detalhe de três árvores
floridas no passeio, ali plantadas para alegrar a rua.
No bairro onde moro, por
falta de condição e mais por desmazelo, muitas casas ficam no reboco, são feias
e descuidadas; os muros são lastimáveis, com os passeios sendo verdadeiras
ciladas para os passantes. No entanto, a prefeitura não penaliza tais
moradores. Pelo contrário, são isentos ou pagam impostos reduzidos. Em resumo:
parece que a prefeitura é parceira do desmazelo, quer ver a cidade cada vez
mais feia.
No sul do Brasil, os
moradores recebem incentivos fiscais para manter suas casas e jardins bem
cuidados. Tal não acontece aqui. E não adianta ficar falando, porque ‘é chover
no molhado’. Para a prefeitura, aquele ditado da água e da pedra já não vale na
sua primeira versão, mas nesta: “Água mole em pedra dura tanto bate até que a
água acaba”. A minha acabou.
PS: Estou preocupado com
a casa do Thor, o cãozinho aqui de casa. Senhor prefeito: também ela deve ser
incluída na metragem, para efeito de imposto?
Etelvaldo Vieira
de Melo
FOI BOM, MUITO BOM!!
ANO NOVO, MORADA DE SONHOS E FANTASIAS, DE DESEJOS E ESPERANÇAS
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| Imagem: mensagens-iluminadas.blogspot.com |
Chegou dezembro e, com ele, a retrospectiva do que ansiei e desejei para
o ano que está prestes a terminar.
Surgem também novas expectativas para o ano que se inicia. Paro, penso, e
analiso: espero que apenas seja melhor que o ano que está prestes a terminar.
É isso que acontece sempre, esse renovar-se de esperança. No entanto, com
o tempo, passamos a perceber que somos eternamente insatisfeitos e querendo
sempre algo mais, diante de sonhos muitas vezes desfeitos. Mas o que seria de
nós, pobres mortais, se perdêssemos a capacidade de querer sempre um mundo
melhor, não apenas para nós, mas sim para todo o nosso planeta?
Chego á conclusão que quero um mundo melhor para todos; que possamos nos
amar mais e ser capazes de demonstrar mais amor ao próximo.
(Antônio Silva – Cabeleireiro,
antoniosilva5182@gmail.com)
####
Todos
os anos acontece a mesma coisa. No dia 31 de dezembro, seja por tradição,
consideração ou amor mesmo, as pessoas desejam umas às outras um Feliz Ano
Novo. Muitos se afundam na bebida e tentam desesperadamente se iludir, achando
que no primeiro dia do ano, como em um passe de mágica, tudo se
transformará, as dívidas e os problemas desaparecerão, os conflitos serão
resolvidos e o caos dará lugar a harmonia e a paz. Ledo engano: o que nós
precisaremos no ano que se iniciará em breve será uma mudança de atitude em
relação a nós mesmos e a todos que nos cercam, principalmente em relação à
família - que é o nosso porto seguro. Deveremos deixar de lado o egoísmo, a
soberba, a indiferença, tentando realizar os nossos sonhos e ideais, partindo
para ações concretas, como a realização daquela viagem que nunca saiu do papel,
fugindo do comodismo e nos voltando para atitudes de fato relacionadas à
melhora da nossa saúde física e mental, quem sabe até mesmo com a troca daquele
emprego que nos sufoca há anos. Deveremos também ser mais tolerantes e
respeitar as diferenças. Não espere, com isso, que a sua vida será uma bênção,
pois vivemos em sociedade, e o ser humano é complexo, mas você terá dado um
passo importante para superar obstáculos, crescer, e ser mais realizado. FELIZ
2018.
(Geraldo M. Santos Uzac – Uzac & Borges – Advogados –
geraldomsuzac@yahoo.com.br)
####
Ponderando sobre o final do ano de 2017, espero
2018 sem expectativas. Que o ano que se inicia nos surpreenda. Muitas das
mazelas que as pessoas sofrem são as expectativas frustradas. Então, não espero
nada de extraordinário de 2018. Quem sabe, terminarei o ano mais feliz? Se as
pessoas criarem menos expectativas, vivendo plenamente sua realidade, claro que
batalhando todos os dias e buscando sempre o melhor, acredito que terão mais a
comemorar. Boas festas!!!
(Júlia Mara da Costa Melo – Médica
Cirurgiã Plástica)
####
Começa
o ano de 2018. Conforme Manuel Bandeira, os cavalões correndo e os cavalinhos
não comendo. Reforma trabalhista, reforma previdenciária, a onda aonde vai? A
sereníssima república dos políticos continuará a ter em Gilpoça um Papai Noel
presente? Certamente. Lulá lá na cadeia ficará uns dois dias? Utopia.
O
ano velho se foi, o ex-ano velho também. A cada etapa, todo mundo acredita em
novidades futuras. Desde Cabral, permanece a crença de que o navegante a se
aproximar é deus argênteo e promissor. Entretanto, o ídolo branco dizima os
indígenas e carrega as riquezas nacionais. D. Pedro II, amantíssimo imperador,
não deixou por menos. Antes de partir, retirou dos cofres do Banco do Brasil,
que ele próprio criara, o ouro e o ferrolho. Deodoro, à morte, em cima de um
cavalo, não conseguiu tornar pública a abolição da escravatura econômico-social
em que vivia o pobre habitante pobre da Pátria. O restante são anos se
renovando e a situação de penúria mais e mais se agravando. Corrupção, crime,
droga, sexo desnaturado, assim caminha a humanidade daqui...
No
dia primeiro de janeiro, comilança, foguete e artifício. No dia dois, a luta e
a rotina do trabalho. Os servidores esperam o aumento miserável que o governo
não quer dar. Os desempregados entram na fila do INSS, sabendo que há carência
de remédios. Os alunos se matriculam na Universidade prestes a ser privatizada.
No entanto, nutrem grandes esperanças. Os fatos hão de mudar. Em breve, uma
revolução deterá os poderosos usurpadores do nosso suor. Os criminosos estarão
nas celas. O povo brasileiro respira, desde já, o ar puro dos muros da nova era
que a hera daninha não destruirá. Navegar é preciso, viver não é preciso.
(Graça Rios – wwwbbcr.blogspot.com)
####
Mais um ano que
caminha para o seu desfecho e, se Deus quiser, outro que virá substituí-lo.
Deixemos as nossas frustrações do velho, principalmente a crise que tentam
incutir em nossas mentes, se esvaírem, e vamos procurar pensar positivo as
nossas expectativas para o ano vindouro, acreditando nas possibilidades de uma
família mais unida e um povo menos sofrido. Digamos “não” àqueles que querem
nos manipular através da persuasão da mídia e dos interesses de grupos
inescrupulosos que conduzem a nossa política. Façamos do nosso voto uma
verdadeira transformação em 2018 e sonhemos com um futuro melhor! Feliz Ano Novo!
(Marcos Geraldo Soares – Professor, mgeraldosoares@yahoo.com.br)
####
2017 tá
indo pro brejo. 2018 vem vindo, bêbado,
despirocado, despreparado, desesperado. Devo me mudar pra Pasárgada? Mas é
nesse país trôpego que vivo. Que nós vivemos. Não dá pra cancelar o amanhã ou
botar uma plaquinha “fechado para reforma”. Mesmo porque, não há planos para
reforma, pelo menos em curto prazo. Baita problema.
Todo
mundo sabe, nós nos perdemos, mas como disse Clarice Lispector, perder-se
também é caminho. Mesmo nesse emaranhado, urge encontrar uma direção. Sabemos o
que não queremos. Já é um começo. Abrimos as gavetas. Tem lixo de montão. Alhos
e bugalhos. Tudo junto e misturado. O país tá no CTI. Não sabemos o que fazer.
Mas precisamos fazer. Que periga jogarmos fora o bebê junto com a água do
banho. É o que temos feito até agora. Vamos matando o doente que precisa de
cuidados.
O novo
ano chega com um tsunami de ódio, disfarçado com várias denominações: racismo,
pedofilia, justiça social, ética, moral. Não importa. E isso tudo vem
embrulhado em papel celofane, luzes natalinas, Papai Noel. E, anestesiados pelo
jingle Bell, evitamos nos implicar na busca de uma direção.
A coisa
é meio assim: não tenho nada com isso. O mundo tá lá fora. Certo? Mentira.
Estamos enterrados na porcaria do ano que finda e no ano que se aproxima. Ele
não vai cair do céu por descuido de São Pedro enquanto gozamos o sono dos
justos. Somos parte desse lixo. Esse mundo, esse país é a nossa casa.
E dito
isso, ouso acrescentar que não vejo luz no fim do túnel. Mas também sei que não
adianta me esconder debaixo da cama. Lá vem 2018 em rota de colisão.
Pode
vir. Estaremos aqui. E, Deus queira, dispostos a limpar os escombros, tratar os
feridos e construir novos rumos. Somos brasileiros. Se o amarelo é desespero, o
verde é esperança.
(Maria Solange Amado Ladeira - www.versiprosear.blogspot.com.br)
####
Perspectiva e
Esperança: duas palavras que se entrelaçam na busca de um amanhã mais
sorridente, menos estressante e deveras prodigioso, já que o vivido até agora
só retratou o inverso. O que se vê são políticos sob o jogo do poder,
criminalidade, desamor e uma educação deteriorada, em face dos professores mal
remunerados ou incompetentes, devido à sua má formação. O ideal é que se supere
tudo isso, extirpando esses cânceres que tentam nos atingir. E é simples: basta
que se promovam ações positivas, em prol de uma política justa, elegendo-se
cidadãos conscientes, que realmente se preocupem com o bem estar do seu país, a
educação bem valorizada. Assim, o índice de pobreza será também corrigido. É
isso que tenho em mente e que, espero, seja 2018. QUE DEUS NOS ABENÇOE. FELIZ
ANO NOVO!
(Regina Ângela Rios Fonseca –
Professora)
####
Nas alturas dos meus 72 anos,
considero-me um septuagenário cheio de
vitalidade, com muitos sonhos e projetos ainda a realizar.
vitalidade, com muitos sonhos e projetos ainda a realizar.
Indo
devagar, para que o andor não caia, registro minhas expectativas para 2018.
No
plano pessoal, além de viver um novo ano em pleno gozo de saúde, quero retornar
às minhas origens, mudando-me de Uberaba para a região metropolitana de
BH. Assim, poderei estar mais próximo de familiares e de velhos amigos.
Como
animal político, peço aos Deuses que nos inspirem para que possamos escolher -
se for possível... - iluminados representantes para os altos comandos do
nosso País, a fim de resgatarmos valores éticos, morais e culturais
perdidos na história de nossa Pátria.
Por
fim, para não fugir ao meu propósito de ir "por partes", o que
pode me estripar de vez, externo minha expectativa para que o trio
blogueiro - cronista Etelvaldo, poeta Graça e cartunista Ivani - possa
continuar me brindando com o seu trabalho de elevado nível cultural e que me
traz momentos hilários, sobretudo com o humor saudável que permeia as crônicas
postadas. Olhe, que a simbiose está dando certo!!!
Vamos
em frente, porque o meu caminho eu faço caminhando! Muita Luz e Paz no coração
de todos.
(Vicente Melo – vicentemelo@mednet.com.br)
FIM
NATAL: ADVENTO DA PAZ
| Imagem: juazeiro.ce.gov.br |
Há
quem diga que o fim do mundo está próximo. Alguns fanáticos esperam reunidos
por um disco voador (e se suicidam por não vê-lo). Outros afirmam com muita
ciência que o Messias repousa nas nuvens, prestes a descer para levar os fiéis.
Muitos maldizem o estado do planeta, que em breve será destruído pela bomba
nuclear, fome e peste.
O
tetravô de cento e dez anos presenciou catástrofes terríveis. A primeira
guerra, a segunda, a Inquisição e suas fogueiras, os tsunâmis, os cadafalsos,
os juízes da Inconfidência, a Revolução Industrial. Julgou a cada acontecimento
que os anjos realmente se indignaram e logo decretariam ponto final a qualquer forma
de existência. No entanto, viu multiplicado em todo Natal o número de
habitantes da terra. Considerou a chegada do Menino como uma eclosão de
felicidade nos lares universais. Observou que os meios tecnológicos e
midiáticos fizeram dos continentes uma aldeia global. Longe da propagação das
doenças, o avanço da medicina lhe pareceu sobremaneira ampliar a vida das
diferentes espécies. As crianças adquiriam paripasso o conhecimento precoce das
funções do corpo, da matéria, das artes. As viagens interestelares prenunciaram
para ele a ascensão ao infinito.
Então,
nesse próximo dia vinte e cinco de dezembro, saudemos a renovação do sagrado.
Acreditemos que o futuro se abre para experiências ímpares do próprio eu. Há de
reinar sobre todos a influência divina, decorrente do fluxo natal mais
inteligente e sensível que nunca. Discordemos dos pessimistas alienados que
preveem sofrimento e ódio para o homo sapiens.
Enfim,
neste país a justiça triunfará sobre o crime e a iniquidade política e social.
Aleluia, pois o desemprego e a miséria fenecerão. O sol abençoará os filhos do
céu. A colheita de trigo e fé propiciará a união entre os seres de boa vontade.
Assim seja!
Graça Rios
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SONHO DE NATAL
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| Imagem: velhosabio.com.br |
SONHO DE NATAL
Toda esperança guarda um
segredo.
“Estamos
próximos do Natal: teremos luzes, festas, árvores luminosas e presépio. Tudo
falso: o mundo continua fazendo guerras. O mundo não entendeu o caminho da
Paz!”
(Papa
Francisco)
As cores eram tão vívidas
que a cena parecia real; por outro lado, o absurdo da imagem fazia crer que
aquilo não passava de um sonho.
Passava
eu em frente a uma loja de artigos religiosos. As vitrines estavam decoradas
com motivos natalinos. Estranhamente, vi vários produtos colocados à venda.
Aproximei-me
de um funcionário e quis saber o sentido de uma decoração específica: um casal
e vários animais em torno de um bebê acomodado numa manjedoura. Tudo levava a
crer que o local onde estavam era um curral, um estábulo. Estranhamente,
associei aquela imagem com a representação de um Natal, tal como eu conhecia.
-
Por acaso você é um extraterrestre? – quis saber o vendedor, mais irritado que
curioso. – Isto que está vendo é um presépio e representa o nascimento de Nosso
Senhor em condições de extrema pobreza.
-
Como existem vários modelos de presépio, queria saber o preço, já que estão à
venda – falei, quase me desculpando.
- O
preço está a partir de R$1 850,00. Em oferta, temos este aqui – disse,
apontando um deles – que custa R$6 256.40, mas tem desconto de 30%.
Ao
ouvir aquilo, senti que havia algo muito errado, a começar pela representação
do Natal, que não era bem aquela ali exposta. Depois, havia aquele preço
astronômico para algo que não poderia estar à venda.
Corri
em busca de uma Cápsula do Tempo. Por sorte, havia uma disponível num jardim
que ladeava uma igreja, um local bem próximo da loja. Entrei na cabine e
digitei a data de mais de dois mil anos atrás, mais o nome da cidade: Belém,
localizada na Judeia, na Antiga Palestina.
Eu
sabia quem deveria procurar. Por isso, consciente que estava agindo contra o
tempo, vasculhei as estalagens da cidade, quase todas apinhadas de hóspedes,
por causa de um censo demográfico ordenado pelo rei Herodes. Não encontrei o
casal que procurava.
Dando
um tempo à procura e querendo me esconder do sol causticante, acerquei-me de um
curral e que dispunha de coberta. Surpreso, vi que ali estavam o homem e a
mulher que eu queria encontrar. Estavam sentados em um monte de feno,
aparentando ar de cansaço.
-
Ainda bem que encontrei vocês – fui falando, sem me dar ao trabalho de uma
apresentação.
- O
que aconteceu, meu filho? – perguntou o senhor, que identifiquei como sendo
José.
-
Aconteceu que estou vindo do tempo futuro e lá eles desvirtuaram todo o sentido
deste momento que vocês estão passando.
-
Querido – agora foi a mulher quem falou. Sua voz era suave, apesar do suor que
escorria pelo rosto, devido ao cansaço e ao estado avantajado de sua gravidez.
- As estalagens da cidade estão praticamente todas tomadas. Só restam as mais
caras e não dispomos de dinheiro suficiente para a hospedagem. Chegamos até a
pensar em pernoitar aqui mesmo.
- De
forma alguma – falei, quase atropelando as palavras. – Estou trazendo para
vocês um dinheiro para que tenham uma boa acomodação. Se vocês fizerem o que
pensam, o sentido da História será todo deturpado.
Enquanto
falava, passei às mãos de José um valor correspondente a R$1.850,00. Depois,
ajudei os dois a se levantarem, enquanto colocava em minhas costas os seus
pequenos pertences. Caminhamos em direção a uma estalagem de aparência
agradável.
Deixei
ali os dois, acomodados em um quarto confortável. Depois, eu me encaminhei em
direção à Cápsula do Tempo. De longe, ouvi o choro de uma criança. Imaginei a
cena: deitada na cama, Maria, com a criança nos braços, e José, solícito,
passando em seu rosto um pano umedecido.
Quando
cheguei em casa, meu filho já estava dormindo, mas minha esposa me recepcionou
com um interrogatório: Onde estava até tarde? O que andava fazendo? Por que
aquele aspecto de cansaço?
Eu não sabia como responder. Deixei suas
perguntas no ar e fui para o quarto. Nem consegui trocar a roupa, tal a minha
fadiga.
Na
manhã seguinte, assim que acordei, vi que minha esposa se dera ao trabalho de
trocar minha roupa por um pijama.
Depois
de tomar um reconfortante banho, arrumei-me para sair.
Meu
filho estava brincando lá na marcenaria. Chamei-lhe a atenção para ter cuidado
e não se machucar.
-
Pode ficar tranquilo, papai, só vou usar uns toquinhos de madeira para fazer
uma casinha – falou ele.
Minha
esposa deixou sua recomendação:
-
José, não se esqueça de trazer os produtos daquela lista que está no seu bolso
da calça.
-
Está bem, Maria, não vou me esquecer.
Chegando
ao centro da cidade, não resisti à curiosidade de passar na loja que,
aparentemente, havia chamado minha atenção no dia anterior.
Foi
com surpresa que não vi nas vitrines nenhum daqueles presépios. Quando quis
saber do vendedor, aquele mesmo que fora ríspido, ele comentou, em tom de
brincadeira:
-
Você é um extraterrestre? Não existe presépio. O que damos para as pessoas é
esta moldura, relembrando o nascimento do Nosso Senhor. E ela é doada
gratuitamente, porque não há preço que possa pagar a esperança que representa.
Pegando
a moldura nas mãos, vi aquela cena que estava viva em minha memória: no mesmo
quarto daquela hospedaria, Maria, com o filhinho nos braços, enquanto um
solícito José cuidava de passar um pano úmido em seu rosto.
Etelvaldo Vieira de Melo
CONSERTO DAS HORAS
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| Imagem: estilo.uol.com.br |
As
luzes acesas
e
a noite calada
Os
rostos colados
e
a valsa de Strauss
Onde
os olhos pausados
pousados
na orquestra
Satúrnio
devora
seus
filhos
Kronos
o assiste
em
concerto
Espero
parti
Cansado
vieste
ao
encontro das trompas
No
more evermore
Dois
solos
caminhos
Há
mais
Graça Rios
FÁBULA NEBULOSA: UM CACHORRO, A MULHER, UM HOMEM
FÁBULA
NEBULOSA 2: UM CACHORRO, A MULHER, UM HOMEM
(Do
Livro “Totó, Teteo e os Outros")
Havia
uma mulher que tinha um homem e um cachorro. No princípio, ela se dava bem com
os dois, mas, aos poucos, seu afeto foi ficando cada vez mais com o cachorro.
Pequenos gestos demonstravam isso: o bife
especial com a ração especial, a água filtrada e gelada no bebedouro, o
ventilador junto à casinha nos dias em que o calor era mais intenso, os
ossinhos e brinquedos trazidos da cidade.
O homem percebia o que estava acontecendo,
que estava sendo jogado pra escanteio. Procurou analisar o comportamento do
animal, para que pudesse imitá-lo. Quem sabe assim trazia de volta o amor da
mulher! Anotou: 1 - quando quer chamar a atenção, ele quase não late – mais
resmunga; 2 - tem o olhar intenso e direto; 3 - abana freneticamente o rabo,
quando a dona está perto.
O homem foi
colocar em prática o que havia estudado. A primeira lição foi a de resmungar
para chamar a atenção da mulher. Ao ouvir aquilo, ela foi logo falando:
- O que aconteceu, por acaso está com dor de
barriga?
O olhar intenso (que libera oxitocina, o
chamado “hormônio do amor” – pesquisou na Internet) foi a segunda lição. A
mulher reagiu assim:
- Que aconteceu agora? De onde tirou esse
olhar de lerdeza?
Abanar freneticamente o rabo ele não deu conta,
mas cuidou de ficar ao lado do cão, balançando a bunda de lá para cá, de cá
para lá, assim que a mulher se aproximava. Ela, no entanto, o ignorava, só
tendo olhos para o cãozinho do coração.
Como último recurso, notou que o cachorro
corria ao encontro da dona (cuidadora, melhor dizendo), assim que ela chegava
da rua. Foi fazer o mesmo, mas acabou tropeçando no tapete, caindo em cima da
mulher e a jogando no chão.
A mulher, exasperada, talvez aproveitando o
pretexto, dirigiu-lhe estas palavras cruéis e fatais:
- A partir de agora, trate de sumir desta
casa. Não quero ver você nunca mais.
Assim, assim mesmo, o homem foi sua mala
arrumar, para, logo depois, partir e nunca mais voltar.
Moral
Anote aí: quem nasceu pra
ser homem nunca chega a ser cachorro.
Etelvaldo Vieira de Melo











