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| Ivani Cunha |
NOMES IMPRÓPRIOS
Assim como no samba do crioulo doido, os narradores de partida de futebol -- pelo rádio e pela TV -- não se contentam com o que todo mundo vê e, assim, atribuem a qualquer jogador um recurso, neste caso, exclusivo do goleiro.
PADIM CIÇO
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| Imagem: culinaria.culturamix.com |
Quando jovem, morei com alguns colegas no que chamávamos “República”.
Toda tarde, invariavelmente, éramos assaltados por uma “fome canina” (expressão
do tempo em que cão levava vida de cachorro). O que fazíamos, na maioria das
vezes, era nos reunir em torno do fogão da casa para preparar o que chamávamos
de “Padim Ciço”: aquele famoso mexido, feito com sobras do almoço, misturadas
com ovo.
Talvez por causa da fome, aquela
“gororoba”, feita com raspas das panelas, tinha um sabor especial. Quando íamos
dormir depois, estávamos tomados por um sentimento de beatitude e paz.
Algo semelhante acontece comigo nos últimos anos, por causa do
compromisso de produzir semanalmente um texto para publicação no blog. Como nem
sempre disponho de um texto acabado, tenho que recorrer a fragmentos, raspas de
produções passadas. Juntando alguma coisa daqui e outra dali, tento produzir
algo que faça sentido. Se sinto que a liga não funcionou, o produto vai para a
lixeira.
O texto de hoje é algo assim. Espero que goste desse “Padim Ciço”, que essa
gororoba lhe desça bem. E que, depois, mais tarde, vá dormir tomado de
sentimento de beatitude e de paz.
UM VIZINHO
A rua onde moro é pequena, só tem um quarteirão. Por isso, ali todo
mundo conhece todo mundo. Sendo assim, sei que, a seis casas acima da minha,
quase na esquina com a avenida principal do bairro, mora um senhor, sua esposa
e um filho. (Havia também uma filha, mas ela casou e foi morar em outra cidade.
O filho, já um rapaz, infelizmente padece de problema mental.)
Esse senhor, que vamos chamar de José Fatiota, trabalhou a vida toda
com contabilidade. Está agora aposentado. Por isso, pode se dedicar a fazer
coisas que lhe dão prazer, junto aos desprazeres que a idade e o tempo
acarretam.
Assim, ele se dedica à música: aprendeu a tocar flauta e, nos últimos
tempos, formou uma banda, junto com dois amigos, onde “ataca” de baterista.
Outro dia, indo fazer uma tradicional visita ao Sacolão Gigante (“gigante
no tamanho, mas baixinho no preço”), tendo que me sujeitar ao tradicional cumprimento
do baixinho seu dono (“como vai, patrão?”), passei em frente ao bar de um
libanês, bar que fica na avenida, quase na esquina da rua de casa. Foi então
que vi José Fatiota e seus dois parceiros se preparando para uma “música ao
vivo”. Pensei com meus botões: - Na volta do sacolão, vou parar aqui um pouco
para prestigiar o vizinho.
Quando voltei, fui sentar no banco de uma guarita de ônibus, quase em
frente ao bar. O que ouvi, devo confessar, me deu “calo nos ouvidos”. Achei a
banda bem fraquinha: o vocalista cantava parecendo ter engolido um prego, o
guitarrista não entusiasmava, o repertório era pobre. Quem se salvava mesmo era
José Fatiota, dando uns repiques na bateria, acordando de susto a plateia.
Depois de “ouvir” umas três músicas, rumei para casa com sentimento de
frustração. Afinal, botava fé no Zé, achava que sua banda tivesse um pouco de
qualidade.
Foi quando passei em frente ao portão de sua casa. Vi que seu filho
estava junto ao muro, cantando e dançando feliz, embalado pela música que ali
chegava bem límpida.
Eu, que já pensava em espalhar aos quatro ventos a ruindade da banda de
José Fatiota, engoli em seco e pensei:
- Nunca devemos considerar que nossos juízos possam ser absolutamente
certos. Afinal, a beleza das coisas está nos olhos de quem vê (ou nas “zorelhas”
de quem escuta).
Etelvaldo Vieira de Melo
GAVIÕES

Passarim
amarelo pousa sobre o muro.
Dona
Lourdes me chama:
- Posso
prender o fugitivo? Toda manhã, ele come pão nesta janela.
Recolho nas
mãos em concha o sabiá. Há uma placa azul em sua perna.
- Vou ligar
para o IBAMA.
Ninguém
atende. Bip. Bip. Bip.
Fica triste
sem gaiola, mas acha uma caixa de sapatos.
- Me dá
esse Uno?
- Depois da
arrumação, a senhora leva o curió.
- Oba!
Furei a caixa e pronto. Obrigada, patroa.
Semana
passa passa passará.
- Olhe,
senhora. Está cantando lá em casa que é uma beleza!
- Dona
Lourdes, meu filho quer o seu coleira de
volta.
Mágoa, dor,
frustração.
- Certo,
certo, dona Rosa. Muito bem.
Só que
agora vendo ele pra ele barato: 1300 reais.
Graça Rios
SEM SAÍDA (II)
TÊMIS, ASTREIA OU IMETRO?
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| Imagem: mejorimagen.eu |
Vamos ver se você leva jeito para comerciante.
Vamos supor que, talvez influenciado pela atual onda retrô, resolva
montar uma mercearia nos moldes de antigamente.
Vamos supor que você lhe dê o nome de “Empório Compre Bem”.
Estamos no dia da inauguração. Você, Olestário Grabuloso, está atrás de
um balcão comprido, dividido em repartições de arroz, feijão, açúcar, macarrão
e outros cereais. No bolso da camisa, tem uma caneta (na falta de uma Parker 51,
pode ser uma Bic); atrás da orelha, um lápis Johann Faber. Você se cobre com um
avental longo, de lona flanelada.
Uma das primeiras freguesas é dona Gertrudes. Ela diz:
- Bom dia, seu Lelê. Por favor, providencia pra mim três quilos e meio
de açúcar cristal.
Você, imediatamente, pega um saco de papel e o coloca sobre um dos
pratos da balança, daquelas de antigamente. Ao pegar os pesos correspondentes
para serem colocados no outro prato, vê, consternado, que só possui os de um e
de cinco quilos. Você coça a cabeça e se pergunta: - Como vou fazer para
atender ao pedido de dona Gegê?
...
Não sei se influenciado pelo sonho de consumo de um rádio retrô, esse
exercício de raciocínio me veio à memória, assim que li a notícia abaixo num
jornal eletrônico:
Lula é condenado a
12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia
Antigamente, a Justiça era representada por uma mulher. Tratava-se da
divindade grega Têmis que, de olhos vendados, segurava uma balança na mão
esquerda e uma espada, na direita. A balança no alto simbolizava que a verdade
deve se colocar acima das paixões humanas, enquanto que os pratos iguais da
balança indicam que não há diferenças entre os homens quando se trata de julgar
os erros e acertos. Vejo outro simbolismo na imagem: o ato de praticar a
justiça (simbolizado pela espada) vem depois do julgamento (colocar na balança
e pesar).
Destituído das atribuições jurídicas, sendo mesmo uma analfabeto das
leis e do Direito, só quero dizer que me chamou a atenção na notícia da
condenação de Lula a precisão cirúrgica dos números: um inteiro e uma fração,
como se a juíza Gabriela Hardt estivesse resolvendo uma equação matemática tão
somente, e não o destino de um ser humano.
Pode ser que ando com parafusos a menos no meu já desgastado cérebro,
ao ponto de enxergar chifres em cavalos, mas chego a considerar que a sentença
foi um acinte, uma gozação para com Lula e o PT. Ao perfazer a sentença em 12
anos e 11 meses, a juíza deixou faltar 1 mês para inteirar 13, que é símbolo do
PT.
Subliminarmente, ela parece dizer: - Veja bem, eu poderia chegar aos
“13” anos de condenação. Para não parecer que estou de marcação com você, Lula,
e o PT, decidi condená-lo a 12 anos e 11 meses.
Como disse anteriormente, pode ser que eu esteja com parafusos a menos
no cérebro. Verificando notícias do processo, vejo que Lula já cumpre pena de
12 anos e l mês determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4),
por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP).
Nesta sentença, também aparece um simbolismo: 12 (anos) + 1 (mês) = 13.
Uma leitura apressada de tudo isso poderia ensejar a seguinte
conclusão: o propósito da operação Lava Jato em todos os seus desdobramentos
visa, acima de tudo, exterminar Lula e acabar com o PT. Para tanto, as provas
pouco importam: a sentença da juíza foi proferida com erros grotescos (um mesmo
delator citado como se fosse duas pessoas diferentes, Lula sendo culpado por
“corrupção ativa”), como se “meros erros materiais” também não viessem ao caso.
Sendo assim, nem vale a pena questionar por que a simples reforma de um sítio
(R$1,02 milhão) possa representar uma condenação maior do que a posse de um
apartamento tríplex.
Mas existem outras leituras possíveis. Pode ser que nosso Sistema
Judiciário entenda que a Justiça deva ser vista sob outra representação: a da
divindade grega Diké ou Astreia. Filha de Zeus e de Têmis, ela, de olhos bem
abertos, segura a balança na mão esquerda, enquanto que a direita segura uma
espada. A espada está no mesmo nível da balança.
Uma leitura para tal representação. A Justiça de olhos abertos pode ser
seletiva: para uns, SIM; para outros, NEM PENSAR! (Onde anda o Temer, aquele
que “era chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”, por exemplo?) A espada no
mesmo nível (ou acima) da balança simboliza: os fins justificam os meios.
Um último aspecto a ser considerado: o Brasil é inventivo. Um país onde
existem as urnas eletrônicas, também pode ter o Sistema Judiciário usando de
balanças eletrônicas para pesar as sentenças. Assim, foi possível chegar aos
resultados de 12,1 e de 12,11 para a condenação de Lula. Neste caso, o que falta: os laudos das
sentenças virem com aquela plaquinha, dizendo: “Aferido pelo IMETRO”.
Fiquei sensibilizado quando vi a Justiça ser representada por Têmis,
dizendo que a Verdade deve se colocar acima das paixões humanas, que não há
diferença entre os homens quando se trata de julgar erros e acertos.
Quanto ao jeitinho brasileiro de fazer Justiça, não sei se o IMETRO
está fiscalizando direito os tribunais com suas balanças eletrônicas. Balança
por balança, sou mais a da mercearia do Olestário. A propósito, você chegou a
algum resultado para pesar o açúcar de dona Gegê?
Etelvaldo Vieira de Melo
CARTA PARA SENHOR FÁBIO
Belo Horizonte, 27/01/2018
Prezado Senhor Fábio.
Alheios ao espetáculo de ressurreição florida e limpidez das fontes
oferecido recentemente pela VALE na Praça da Liberdade, mineiros e brasileiros
preferem atender às brumosas sombras de lodo e perecimento ocorridas no Estado.
Sói acontecer tal brutalidade entre os humanos. Drummond nos relembra, in Congresso Internacional do Medo: “Os
ombros suportam o mundo./ Em vão tentamos nos explicar, os muros são surdos.”.
E n’ A Flor e a Náusea: “Podemos, sem
armas, revoltar-nos? Não, o tempo não chegou de completa justiça.”.
Digo-lhe, entretanto, amigo Schvartsman: Talvez muito durem ainda os
respingos de lama endereçados à sua grata persona. Emissários de Tânatos hão de
visitá-lo em horas noturnas, ansiando pelo amorável corpo de V. Sa. Ouça, nesse
instante, a voz doutora de Santa Teresa de Ávila:
Nada te perturbe,
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!
nada te amedronte.
Tudo passa,
a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!
Prossiga, segundo Carlos in Claro
Enigma, no mister de “sempre e até de olhos vidrados, amar/ o inóspito, o
cru,/ a água implícita, a sede infinita (dos irmãos), porque “(...) Para fora do tempo/ (o senhor) arrasta
seus despojos./ Amor é privilégio de maduros,/ doação ilimitada a uma completa
ingratidão.
Nós, os perseverantes, juramos continuar no afã de assisti-lo durante e
depois de todas e quaisquer aflições.
Aceite a minha ternura.
Maria da Graça Rios
Escritora
e profa. concursada pela FALE/UFMG.
PS: Adaptei devidamente os versos do mineiro Carlos, conforme a
necessidade.
Graça Rios
BOTAFOGO JOGA CONTRA OPERÁRIO
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| Imagem: oterra.blogspot.com |
Para Silvana, que cultiva
o saudável hábito de se indignar.
Em entrevista para programa de TV, o deputado federal e presidente da
Câmara Rodrigo Maia disse que não vê problema em se aumentar o tempo de
contribuição para efeito de aposentadoria. Disse sua Excrescência,
textualmente:
-Todos nós temos uma expectativa
de vida maior. Quando a gente chega aos 60 anos, ela aumenta mais ainda. Nós
temos que entender que trabalhar até os 62 anos, sem transição, não é problema
nenhum. Todo mundo consegue trabalhar hoje até os 80 anos, 75 anos...
Perguntei ao Eleutério o que pensa dessa fala de sua Proeminência, se
não está exagerando, faltando com compaixão para com os pobres trabalhadores do
país. Eleutério disse que concorda com sua Insuficiência em alguns pontos. Por
exemplo, agora que ultrapassou a casa dos 70 anos, ele sonha em chegar aos 100.
Quanto à ideia de se trabalhar até os 75, 80 anos, considera que é preciso,
primeiro, saber dos empregadores se estão de acordo em dar trabalho, por
exemplo, para um pedreiro na faixa dos 80 anos. Por fim, ele disse que é
preciso se levar em conta que sua Improcedência faz uma consideração do ponto
de vista de um político. E político, a gente sabe, não trabalha, só finge que trabalha, no dizer de Paulo
Maluf.
Não existe coisa mais chata do que alguém querer ou aparecer como dono
da Verdade. Por isso, pra não cair na chatice, vou considerar outra explicação
para esse comportamento estranho de sua Impertinência, o nobre deputado.
Se ele não quer ferrar o trabalhador, por que não considerar que seja
por ter uma visão idealista, marxista (epa!) do trabalho? Afinal, ele não sabe
o que é isso, trabalhar, só tem uma noção teórica do que seja! E, na sua visão,
pode ser que o trabalho seja a afirmação máxima do indivíduo, meio pelo qual
ele se apropria dos bens da natureza, a transforma ao mesmo tempo que
transforma a si mesmo. Tal visão não deve ser confundida com o trabalho no
sistema capitalista, onde é mais uma maldição do que uma bênção, é alienado,
com o trabalhador vendendo sua força de trabalho, tem sua individualidade
destruída, é convertido em coisa e se torna escravo de coisas. No sistema
capitalista, o trabalhador só se sente bem quando de folga (e quando aposenta).
Está vendo? Pode estar aí a explicação porque sua Turbulência quer ver
outras pessoas trabalhando até os 80, 90 anos. Pode ser que, por causa de sua
visão idealista, marxista, ele seja sincero, que esteja querendo a felicidade
do trabalhador assalariado!
Já observei que Rodrigo Maia cultiva o cacoete de ficar inchando a
bochecha. Como ele está cada vez mais gordinho, a bochecha, como uma bola, está
cada vez maior. Estou vendo a hora em que, se não tomar cuidado, vai explodir
ou voar feito balão. Esse hábito de ficar enchendo a boca deve ser por causa do
stress quando, no toma-lá-dá-cá do Congresso, para aprovar alguma coisa, vê que
os deputados mais querem tomar do que dar.
Tomei conhecimento dessa declaração do Rodrigo sobre o trabalho num
desses grupos de rede social. A amiga que postou o vídeo também deixou este
comentário:
- Esse cara é muito cretino, isso
sim. Dá vontade de mandar ele...
Ao que respondi, logo depois:
-Por mim, pode mandar.
Como este texto é dirigido a um público diversificado, pode ser que
exista alguém já contaminado pelas falas daquele astrólogo, guru dos
bolsominions, que demonstra uma fixação doentia com c*. Então, preciso dizer
que, em momento algum pensamos, a amiga e eu, mandar ele (sua Inadimplência, o
nobre deputado) tomar no c*. O máximo
que passou pelas nossas inocentes cabeças foi: - Dá vontade de mandar ele... chupar laranja!
O título do texto (“Botafogo Joga
Contra Operário”) é uma referência ao Departamento da Propina da Odebrecht.
Sabemos que, nas planilhas da empresa, os políticos agraciados com propinas são
identificados através de apelidos. Assim, temos o “Fodinha”, o “Maçaranduba” e
o “Garanhão”, entre centenas (2000!) de outros. “Botafogo” era o codinome tanto
de Rodrigo como de seu pai, César Maia, porque a política no Brasil, a gente sabe,
é um sistema de capitania hereditária, passa de pai para filho(s).
Etelvaldo Vieira de Melo
PRENÚNCIO
A forma confessional do Diário (lat.
diarium), subgênero da autobiografia, constitui uma técnica discursiva
universal. Frédéric Amiel, Fiódor Dostoiévski, Franz Kafka, Susan Sontag,
Sylvia Plath, apresentaram ao público reflexões documentais de profunda índole
íntima. Anne Frank, escondida atrás das paredes de uma estante, durante o
holocausto, anota cada dia de angústia e incerteza da sua família judia.
Certamente, entre momentos de solidão e horror, escuta calma Santa Teresinha De
Ávila sussurrar-lhe: “Nada te perturbe, nada te amedronte.”. Daí o equilíbrio
harmonioso da menina adolescente, depois, ante a imagem da própria morte nos
fornos nazistas.
Acompanhando esses famosos escritores,
meu afilhado Edu ar do sol conduz subjetiva e espontaneamente o fio da
contextura escritural até o lugar invisível do eu/nós/ voz, onde se movimenta a
psique particular e social. Em consonância com tais autores, realiza o
primoroso encontro das relações interpessoais com a filha-flor Ana Clara, na
idade das flores e na flor da idade. A correnteza da vida, somada ao ambiente
espiritual chiaroscuro, aflora-lhe na obra. O pai sempre presente rompe as malhas
e muralhas do silêncio, criando uma espécie de vitral barroco, sugestivo
cenário de datas-relíquia. Céu e terra se confundem na argumentação caudalosa de
palavras, letras, retratos, desenhos, fitas, cartas, lembranças, memorialismo, elementos
naturais do jornal cotidiano em questão. No caso, o narrador se confunde com a
própria adolescente Ana Clara, contando sua histórica estória, desde o
pré-nascimento até a viagem de debut aos Estados Unidos.
Admirável compositor, o sobrinho ficcionaliza
uma vida fruída em experiência de liberdade na clausura carmelita. Passeios a
Vespasiano ou ao infinito cosmo, junto à jovem protagonista das Mil e uma noites
(e dias) de aventura, tornam-se, afinal, o enigma de reunião de duas pessoas e
almas separadas pelas circunstâncias da existência.
Endereço ao blog a mensagem que
enviei ao meu Dudu, por um livro que em breve sairá do prelo e possivelmente
será remetido às livrarias. Trata-se de uma obra-prima na elaboração da escrita
e estética textual. Por isso, leitor, melhor deixar calar tudo o que a musa
antiga canta, pois outro valor mais alto se alevanta.
Graça Rios
AO PÉ DA LETRA
COMPAIXÃO DALAILAMÁTICA
Prezado Leiturino,
Segundo Leoa da Neve, a gata de Dalai Lama, sua Santidade acredita que
todo ato de generosidade irá se converter, no futuro, em sucesso para quem o
pratica.
Contudo, de tal assertiva, não devemos inferir que toda pessoa de
sucesso o seja por ter sido generosa no passado. Muitos conseguem sucesso à
custa da esperteza e da safadeza, como é o caso de muitos políticos. Assim,
quem é generoso tende ao sucesso, mas nem todo aquele que obtém sucesso o
consegue por atos de generosidade. Sem querer me enrolar mais do que o
necessário: todo pardal é passarinho, mas nem todo passarinho é pardal.
De modo similar ao preceito de Dalai Lama, pensam os adeptos de uma
denominação filosófica e religiosa. Para eles, na vida tudo funciona segundo a
lei da causa e do efeito, ou Carma. Preocupado com o sucesso futuro, que se
confunde com um estado de pureza, de plenitude, e que será conquistado através
de sucessivas reencarnações, o seguidor dessa corrente entende que deverá
praticar o que chama de caridade. Assim, entre outros gestos, ele se dedica a
amenizar a fome dos menos favorecidos, promovendo campanhas do quilo e sopões.
Qual a diferença fundamental entre essas proposições? A resposta é: uma
visa resultados a curto prazo, é imediatista; a outra projeta resultados para
gerações futuras, através de sucessivas reencarnações.
Uma terceira linha, agora de natureza essencialmente religiosa, também
prega a generosidade: o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a
si mesmo. Seus seguidores acreditam que somos todos filhos de Deus e que
devemos nos ajudar uns aos outros. Segundo tal vertente, ao praticar o bem, a
mão esquerda não deve saber o que faz a direita. O amor se justifica por si
mesmo: é desinteressado, gratuito, deve ser voltado não só para quem nos ama,
mas também para quem nos odeia.
- A recompensa para tanto amor? Uma vida eterna de bem aventurança. –
Um ponto negativo dessa doutrina? Um certo negativismo para com a própria vida
terrena (por causa do pecado), como se aqui fosse um “vale de lágrimas”.
Estão aí três vertentes que orientam o agir humano. Meu propósito é
fazer uma consideração em torno da primeira, defendida pelo Dalai Lama.
Estou, há mais de cinco anos, cuidando de um blog que mal sai do lugar.
Por causa de uma enraizada timidez, não sei me impor nesse universo competitivo
que é a Internet, tomado de bandoleiros, onde o lema é “matar ou morrer”. Sei
que existem várias estratégias de marketing, mas que não funcionam para mim.
Por exemplo, não dá para imitar uma tal de Larissa Manoela. Li num site de
notícias: “Logo após completar 18 anos,
Larissa Manoela mostra corpão e comemora seus 18 milhões de seguidores. Se
eu for exibir meu corpão sarado no blog, aí é que ele vai afundar de vez.
Cheguei a mandar confeccionar camisetas com estampas do blog para serem
usadas na pista onde faço caminhada. As pessoas até olhavam para elas, mas, ao
olharem para pra minha cara, viravam os rostos, assustadas.
Já ofereci livros de brinde, passei receitas e até já convidei leitores
para virem aqui em casa tomar café e comer pão de queijo.
O resultado de todo esforço tem sido pífio. E é por isso que, como ato
de desespero, estou recorrendo aos préstimos do Dalai Lama. Dizendo que a
generosidade se converte em sucesso para quem a pratica, ele acabou me
oferecendo a chave para o reconhecimento do blog no Brasil e no mundo. Confesso
que não almejo os 18 milhões de seguidores, como tem a Larissa; para mim, 1
milhão está bom demais.
O mecanismo é simples: você se compromete a ler as minhas postagens no
blog durante sete semanas (uma postagem a cada semana). A cada semana, você
envia para um(a) amigo(a) uma cópia desta postagem com o convite abaixo. Ele(a)
deverá fazer o mesmo, ou seja, se comprometer com a leitura, enviando convites
para outras sete pessoas, uma de cada vez. Entendeu?
Você estará praticando um gesto de generosidade, que irá se tornar um
bem maior em seu futuro; ao mesmo tempo, estará estreitando os laços de amizade
com sete pessoas especiais. Elas, por sua vez, estarão se conectando com outras,
e assim sucessivamente.
Em um momento em que proliferam ódio e intolerância, é sempre bom ouvir
falar de afeto e generosidade, não é mesmo?
Se você recebeu este texto através de um link, basta destacá-lo ao
enviar para alguém. O endereço do blog é esse:
wwbbcr.blogspot.com
As postagens são feitas aos sábados.
Nota: Não
sei se você irá levar a sério esta brincadeira, se vai encarar como brincadeira
esta proposta séria. Não importa. O que importa é poder continuar com sua
atenção, poder contar com sua generosidade em dispor de tempo para ler as
coisas que escrevo neste blog. Muito, muitíssimo obrigado.
Grande abraço.
Etelvaldo Vieira de Melo
PAGANDO MICO
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| Imagem: You Tube |
Entre os jogadores de futebol que fizeram sucesso no Brasil e no
exterior, tivemos aquele que era dentuço e feio, uma coisa como consequência da
outra. Quando jogava bola, tinha costume de usar uma faixa na cabeça e amarrar
os cabelos no formato de rabo de cavalo. Tudo isso amenizava sua aparência,
tornando-o menos feio e até simpático. Uma de suas jogadas características era passar
a mão no rabo de cavalo, arreganhar os dentes (como se fosse fungar), olhar
intensamente na direção de um companheiro de equipe e lançar a bola para outro,
que estava no extremo oposto. A jogada geralmente dava resultado, pegando a
defesa adversária desprevenida.
Hoje, ele já dependurou a chuteira, mas não conseguiu abandonar de vez
seu cacoete. Por isso, ele se casou com
duas mulheres, mesmo não sendo mórmon. Desse modo, ele pode mirar numa e jogar
a bola na outra.
Até hoje ninguém fez essa leitura para seu casamento exótico. Estou
fazendo agora, sem pretender fazer registro de patente para ganhar alguns
royalties.
Como você pode perceber, tudo na vida tem uma explicação lógica, até
comportamentos estranhos de animais.
Foi o que aconteceu lá em casa, com a “visita” de cinco saguis.
Tenho o sagui, ou mico, na conta do mais simpático dos primatas. Os que
apareceram no pé de jabuticaba fizeram jus à fama: com olhares aparentemente
assustados, faziam trejeitos engraçados que nos faziam rir, a minha esposa e eu.
De repente, dois desapareceram de nosso campo de visão, enquanto que os outros
pularam para um pé de lichia e, de lá, continuaram com suas artimanhas. Até que
resolveram ir embora.
Comentávamos sobre o prazer daquela visita quando, em certo momento, me
dei conta de que havia algo errado. Falei para Dozolina, minha esposa:
- Cadê o belguinha?
O canário belga era meu pássaro de estimação, que ficava numa gaiola na
área da casa.
Fui ver e só encontrei penas no fundo da gaiola. O belguinha já era. Foi
quando percebemos o propósito da visita dos simpáticos miquinhos.
Nos tempos atuais, andam acontecendo coisas que me fazem lembrar aquele
jogador dentuço e os saguis. Os atuais governantes teimam em olhar intensamente
numa direção, como se quisessem que o povo também olhasse para lá. E o povo
fica olhando, fica olhando prum pé de goiaba, preocupado se veste de azul ou
rosa, querendo saber se o brasileiro é mesmo canibal, que gosta de roubar, fazendo
as contas pra ver quantas armas poderá comprar.
Vejo que, enquanto uns ficam apontando o dedo pro céu, a bola está
sendo lançada para outros jogadores marcarem seus gols contra os trabalhadores,
contra a previdência e a aposentadoria (já ouviu falar de uma tal carteira de
trabalho “verde-amarela”, com trabalho sem férias e sem 13º salário,
aposentadoria só com o que o próprio trabalhador puder poupar?), contra o meio
ambiente a as reservas nacionais. Nesse jogo, tem muito macaquinho fazendo
macaquices, desviando as atenções para que outros macacos acabem, quem diria,
até mesmo com os belgas, aqueles amarelinhos que foram pra avenida soprar seus
apitos e bater suas panelas!
Amador, aquele amigo que anda sumido de meu campo de visão, contou que,
certa vez, estando em um barzinho, percebeu que uma moça, muito bem apanhada,
sentada ao lado de um rapaz, olhava insistentemente na sua direção. Ele, que
até então se achava um galo conquistador, foi cacarejando em direção da menina.
A uns três passos de distância é que foi perceber seu equívoco: a moça era completamente
caolha, estrábica. Voltando sobre seus passos, foi pedir ao garçom uma dose dupla
de cachaça, para afogar sua frustração.
Os tempos atuais estão assim estranhos, muito estranhos. A gente
precisa tomar cuidado para saber quem está fazendo macaquice, quem é estrábico
e quem só está fingindo, tentando nos fazer de trouxas. Por isso, é preciso ter
os olhos bem abertos. No mínimo, pra não ter que pagar mico.
Etelvaldo Vieira de Melo
QUEIMANDO CALORIAS E DE OLHO NOS CAMINHEIROS
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| Imagem: radioculturafoz.com.br |
Entre outras coisas, uma coisa que ando pensando ultimamente é a
dificuldade enfrentada pelo governo recém-empossado em colocar ordem nesse
bagunçado país que é o Brasil. Bagunçado e coberto de lama. Todos sabem que
ele, governo, se elegeu em nome da moralidade (que se tornou, depois,
“morolidade”), da família (a dele, especialmente – vimos isso também depois),
dos bons costumes, da propriedade, de Deus e da tradição. O mote da campanha
não foi “a família acima de todos, Deus acima de tudo”?
Pois bem, ele já repetiu mais de mil vezes que seu propósito primordial
é combater a ideologia de gênero e o marxismo cultural. Para tanto, estipulou
através da pastora Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos
Humanos, que as mulheres devem se vestir de rosa, enquanto que os homens se
vestem de azul. E isso ficou bem claro, até para os atleticanos, que odeiam
azul.
Com o propósito (renovado quando da passagem de ano) de fazer caminhada
três vezes por semana, fui hoje até uma avenida perto de casa, que
disponibiliza pista para tal fim. Quis ver, concomitantemente, se os preceitos
governamentais estavam sendo cumpridos, especialmente no quesito da vestimenta.
O que anotei foi decepcionante. Entre os homens, vi somente dois com
camisetas azuis, assim mesmo por serem de um time de futebol, o Cruzeiro. Os
tons, em geral, eram cinzas, escuros, sombrios. Havia um caminheiro com camisa
amarela da seleção, o que considerei bom, já que o amarelo simboliza patriotismo.
No entanto, o rapaz estava de bermuda VERMELHA, o que é uma aberração. Não sabe
ele que vermelho simboliza o que há de mais insidioso, perverso, mau, diabólico
– o petismo e o comunismo ateu? Não sabe ele que é propósito dos novos
dirigentes banir do país esse símbolo de maldade?
Um outro caminhante, que me pareceu um baixinho invocado – não sei se
por causa dos óculos grandes ou da camiseta e da bermuda largas – tinha na
camiseta branca escritos estes dizeres: “XXI Festa Sob Pés de Mangueiras”.
Julguei interessante a ideia, deixo aqui a sugestão para o governo baixar um
decreto instituindo a “I Festa Sob Pés de Goiabeiras”. Apesar de propagar uma
boa ideia, devo dizer que o baixinho invocado também estava de boné e bermuda
vermelhos!
Aliás, havia muito vermelho, tanto nas vestimentas masculinas como nas
femininas. O que me leva a sugerir ao governo baixar outro decreto, proibindo
de vez a confecção de roupas nessa cor.
Quanto às mulheres caminheiras, as cores eram “variegadas” (uma palavra
que eu nunca tinha tido a oportunidade de transcrever): azuis, brancas,
vermelhas, lilases, verdes, e por aí vai. A cor mais próxima do rosa era
laranja. Só vi uma moça de blusa rosa. O inconveniente era sua calça collant,
muito justa, que poderia despertar pensamentos libidinosos nos homens e, por
via de consequência, abalar as estruturas da família, da tradição e da
propriedade.
Ao final da caminhada (quatro voltas completas, perfazendo quarenta
minutos), fui até uma padaria que ficava na mesma avenida.
A atendente, ao me ver de camisa amarela, comentou:
- Você está com uma bela camisa.
- Por falar em camisa bonita – retruquei -, estive observando ali na
pista de caminhada que ninguém anda seguindo as normas legais.
- Como assim? – quis saber as moça.
- Ora, não é para os homens se vestirem de azul e as mulheres de rosa?
- Por mim, cada um se veste da maneira que quiser – falou a menina, em
tom ofendido. – E concluiu: - Ora essa!
- Ora essa! – pensei eu com meus botões. – Cada vez mais me convenço
como vai ser difícil extirpar de vez essa tal de ideologia de gênero e esse
marxismo cultural tão arraigados na população deste país!
Etelvaldo Vieira de Melo
SOB A BARRAGEM DA INCONCLUSÃO
A frase distingue-se do período pela síntese.
Aquela abdica de complementos;
esse necessita-os como prioridade.
No último caso, as ações transparecem
respaldadas
pelo verbo. Excesso de vocábulos. Desperdício
oracional.
Frase, amigos, é questão de catarse.
Rompimento da barragem mental
lato sensu, dando lugar ao imediatismo da
fala ou escrita.
Frente
aos últimos
acontecimentos, urge que as autoridades não
se demorem na tramitação
burocrática de papéis por assinar.
Em suma, que optem pelo estilo célere.
Quem acompanhou o processo de irrupção dos
dejetos em Brumadinho,
através da oportunista mídia, sabe que a
despedida abre comportas de lágrimas, flores,
prenúncios. Seriam consumidos aí setenta bilhões
de dólares exclamativos,
dez navios de vírgulas penhorados a feijão, cem
mil parênteses iniciais para ajuda textual,
duzentos bilhões litros cúbicos de citações
filosóficas,
objetivando
descrevê-lo.
No entanto, cabe-nos hoje a brevidade
discursiva,
diante da espetacular saudade ímpar
vivida pelos familiares dos desaparecidos sob a lama.
Pergunto: De que serve a volta completa de
sete bilhões de palavras sem finalidade?
Gastar enunciado em lugar de
enunciação, ou seja, reprisar
prolixamente o que sentimos, seria menos
eficaz que utilizar
o sinóptico gesto de
união.
Sacrificados no desastre utilizaram, sim,
esta imprescindível frase: “SOCORRO!”.
Teriam os céus compreendido tal
extensão vocabular?
A tradução do horror em três mínimas,
mas absolutas sílabas
alcançaria o infinito?
Lembremo-nos de Castro Alves in Navio Negreiro:
Senhor Deus dos
desgraçados!
Dizei-me vós,
Senhor Deus,
Se eu deliro... ou
se é verdade
Tanto horror
perante os céus?!...
Ó mar, por que não
apagas
Co’a esponja de
tuas vagas
Do teu manto este
borrão?
Astros! Noites!
Tempestades!
Rolai das
imensidades!
Varrei os mares,
tufão!...
O duro apelo ao Senhor do Universo
assujeita-O à peleja em prol dos menos favorecidos.
Poderíamos pensar até numa irônica chantagem
do poeta
para com o Salvador. Nos primeiros versos,
dispara em desatino: Deus! Ó Deus, onde estás que não respondes? /
Em que mundo, em
que
estrela tu te
escondes / Embuçado nos céus?/
Há dois mil anos
te mandei meu grito, /
Que embalde,
desde então, corre o infinito... /
Onde estás,
Senhor Deus?...
De fato, nos
momentos fatídicos praticamos idêntica estratégia.
Todavia, por que
não permanecemos silentes?
Tratar-se-ia, então,
de economia no sentido textual para se alcançar rápido o objetivo.
A expressividade
do étimo “Silêncio!” faz calar o hospital, a reunião, a guerra.
Sofrimentos
ruidosos da doença recuam sem eco.
Uma fuga de Bach
no Palácio das Artes transforma-se em retorno.
Mediante o
significado, qualquer náufrago conhece a força do “Salve-me!”.
Assegura-se,
antes, de que a mão a estender-se poderá libertá-lo
da instantânea infernal
tragédia humana.
Observem: o
estouro nas comportas da barragem psíquica
enviará ao analista
um “Ai, doutor!”,
e, após, em solo
firme, o cérebro descansará.
Acredito que um
helicóptero em cima desse mar conflituoso
há de jogar-lhe cordas
e o recolherá.
Quanta emoção
extravasada em termos
ínfimos:
“Fogo!”, “Gol!”,
“Vai”, “Rápido!”, “Pronto!”.
Interjeições,
meus caros, nutrem bebês,
moços, anciães,
nações, universos.
Enfim, propus jamais
neste texto me alongar.
Contudo,
respinga em nossa alma o aluvião
brumoso do
acidente mineiro.
Sói mencioná-lo
sempre, porém alforriado de julgamentos precoces.
Mal soubemos da
calamidade,
já nos
dispusemos a condenar os (im)prováveis culpados.
É justo,
senhores,
perguntaria o
baiano Castro Alves;
é justo
aproveitar o fatal destino dos
mortos, visando
a destruir os vivos
e suas
edificações?
A justiça acaso se
faz olho por olho, dente por dente?
Afoitos
carrascos
do irmão,
escutem claramente o brado:
Cuidado!
Sombra de dúvida
acerca da angustiosa
situação do
senhor Presidente da Empresa Vale,
quando lhe atiramos
ao rosto não lama, mas
agravo:
difamação, desrespeito, descrédito?
Afirmo continuar
o indesejado das gentes pedindo:
- Represente-me, professora, diga ao mundo: “CALMA!
”.
"DEVAGAR!"
"DE VAGAR!"
Finalizando a delicada tarefa de proferir
esta mensagem,
ofereço-lhes duas
frases cheias de afeição:
“CRÊ NA VIDA. FÉ NA VALE”.
Graça Rios








